Visão antropocêntrica está relacionada à cultura e pode ser desconstruída


Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Reprodução/Npr
Reprodução/Npr

Considere as seguintes manchetes: “Não toque em filhotes de animais selvagens, não importa quão bonitos eles sejam” e ” “Pesquisadores mostram que os seres humanos e outros animais podem compreender quantidades, mesmo sem linguagem”.

Em cada caso, não há dificuldades para entender o termo “animais”. No entanto, está claro que as duas manchetes usam a palavra de maneiras diferentes, diz o Npr. Na primeira, o termo “animais” não inclui os seres humanos. Já na segunda, sim.

Essa inconsistência aponta uma tensão fundamental que ocorre na percepção de seres humanos si mesmos: por um lado, se enxergam como parte do mundo biológico e, por outro, se consideram especiais e distintos.

De onde vêm essas perspectivas? Elas são universais ou culturalmente construídas? Uma abordagem que pode responder a estas perguntas é originária da psicologia e da antropologia. Pesquisadores estudaram como as pessoas pensam sobre os seres humanos em relação com o mundo natural, e como a nossa maneira de raciocinar sobre os seres humanos e outros animais muda ao longo do desenvolvimento e como uma função de educação e de cultura.

Os resultados deste trabalho sugerem que, aos cinco anos, as crianças ocidentais que crescem em ambientes urbanos consideram os seres humanos como centrais para o mundo biológico.

Grande parte do resto do mundo – incluindo crianças de três anos, cinco anos, em ambientes rurais e adultos de populações indígenas na América do Sul – estão mais inclinados a pensar em seres humanos como uma espécie animal.

Então o que acontece entre as idades de três a cinco anos para induzir um viés antropocêntrico? Talvez uma influência seja o antropomorfismo que aparece em livros de histórias.

Um trabalho de 2014 descobriu que crianças urbanas de cinco anos eram mais propensas a mostrar um padrão antropocêntrico de raciocínio depois de ler uma história que apresenta uma família de ursos semelhante à humana do que quando liam um livro que incluiu mais fatos enciclopédicos semelhantes sobre ursos.

Estes resultados sugerem que as crianças são sensíveis a várias informações de seus ambientes e também apontam para uma grande flexibilidade conceitual. Assim como os adultos não têm dificuldade para entender as manchetes que iniciam esse texto,crianças pequenas, também, podem alternar entre múltiplas perspectivas.

Porém, outro trabalho publicado no início deste ano ressalta o importante papel da cultura na forma como percebemos o nosso lugar no mundo natural.

Pesquisadores entrevistaram 44 crianças e adultos de uma população indígena na floresta Chaco, na Argentina, e encontraram evidências de que nem as crianças nem os adultos dessa comunidade mostraram uma tendência antropocêntrica semelhante.

Outras perspectivas influenciam na maneira como os homens se percebem em relação a outros animais. Porém, é claro que seres humanos e outros animais estão entrelaçados, pois ambos são criaturas biológicas.


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