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Gambá perde cauda após manejo negligente de órgãos ambientais

Por Neusa Gatto Pereira / Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

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O que deveria ser um simples resgate de uma gambá presa num fogão de cozinha se tornou um drama para o animal, com ferimentos e até amputação de parte da cauda.

Em janeiro deste ano, dona Cecília, moradora de Limeira, interior de São Paulo, percebeu um gambá fêmea escondido debaixo do fogão. Tentou tirar o animal com a ajuda de um vizinho, mas não conseguiu e decidiu então pedir ajuda à polícia. Uma viatura com dois agentes, que se acredita serem do Pelotão Ambiental, foram ao local mas, o manejo não correu bem.

Durante as tentativas de resgate a cauda da gambá ficou presa sob um dos pés do fogão. Sem sucesso, os policiais deram o caso como encerrado. Disseram a dona da casa que a solução seria descartar o fogão para que ele pudesse ser retirado. Dona Cecília não concordou e os policiais foram embora.

Com a situação em impasse, o estudante Luís, que mora nos fundos da casa de dona Cecília voltou a acionar os órgãos responsáveis – Secretaria do Meio Ambiente, Polícia Ambiental, Departamento de Bem Estar Animal – para que dessem uma solução porque naquele momento, além de preso o animal estava machucado. Não houve resposta e a gambá passou a noite nessa situação.

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Luís então expôs o problema aos amigos do Facebook e o caso chamou a atenção de Matheus Croco, biólogo e especialista em manejo de animais silvestres, que decidiu ajudar.

Matheus foi até a casa de dona Cecília e em pouco tempo retirou a gambá.

– “Logo que cheguei vi que havia sangue no piso da cozinha – diz Matheus – e foi só levantar o fogão para retirarmos o animal de lá, sem nenhuma dificuldade”.

Matheus levou a gambá ao veterinário onde foi medicada e teve parte da cauda amputada. “Cotoca”, como carinhosamente a gambá passou a ser chamada ficou sob os cuidados de Matheus durante dois meses, com medicamentos e trocas de curativos até a cicatrização completa. Depois de curada, a gambá recebeu treinamento para reabilitação à vida livre e foi devolvida à natureza em uma área verde entre Araras e Limeira, conforme se pode ver no vídeo abaixo:

Indignado com a situação e com a falta de preparo dos agentes que cuidaram do caso, Matheus reuniu todas as testemunhas e abriu um Boletim de Ocorrência no 2o.Departamento de Polícia de Limeira em 14 de janeiro por maus tratos a animais, de acordo com a Lei 9.605 de 12 de fevereiro de 1998 , de Crimes Ambientais, que determina as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Matheus levou ainda o Boletim de Ocorrência ao Conselho Municipal de Defesa e Direito dos Animais de Limeira onde apresentou denúncia. O órgão ficou de averiguar o fato e apresentar uma conclusão, o que até agora não aconteceu.

A ANDA solicitou esclarecimentos à Segunda Delegacia de Polícia de Limeira, responsável pelo atendimento, e até o fechamento desta edição, não obteve resposta.

Para Matheus, o trabalho de resgate da gambá foi uma experiência engrandecedora. “Resgatar essa gambazinha, diz ele, me colocou diante de um propósito maior, que vai além de cuidar apenas de nossas vidas, mas se dedicar a ajudar um ser vivo que depende totalmente do seu esforço para voltar à vida livre. Isso me trouxe um sentimento de muito carinho e compaixão”.

1 COMENTÁRIO

  1. É assim que gosto. Se interessou, pediu ajuda, cuidou e ainda pro cima fez ocorrência. Realmente os órgãos que deviam cuidar não cuidam. Precisam mesmo ser denunciados.

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