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Carne de baleia é alimento de animais explorados pela indústria de peles

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Norwegian Animal Protection Alliance/Dyrevernalliansen
Foto: Norwegian Animal Protection Alliance/Dyrevernalliansen

Enquanto a indústria de caça às baleias da Noruega se preparava para o começo da temporada de 2016, o Animal Welfare Institute (AWI) e a Environmental Investigation Agency (EIA) divulgaram um documento indicando que as fazendas produtoras de peles norueguesas usam carne de baleias minke para alimentar os animais criados pela indústria de peles do país. Em 2014, mais de 113 toneladas de carne de baleia (o equivalente à quantidade comercializável de 75 baleias) foram entregues à Rogaland Pelsdyrfôrlaget, a maior fornecedora de comida para animais criados pelas fazendas de peles da Noruega.

As organizações estão trabalhando pelo fim da caça à baleias. Mais de 880 baleias minke foram mortas nesse ano, apesar do declínio da demanda por carne de baleia no país. No passado, grandes quantidades indesejadas e excedentes de carne e gordura de baleia foram usadas pela indústria de comida para animais, jogadas no mar ou queimadas.

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“A matança das baleias é inerentemente cruel e não é aceitável em uma sociedade civilizada”, disse Susan Millward, diretora executiva da AWI. “Assassinar esses seres sencientes e magníficos para alimentar animais sofredores em fazendas de peles apenas reforça a futilidade dessa prática, e demonstra claramente que os noruegueses não precisam da carne desses animais”.

A caça anual às baleias na Noruega, que é fortemente apoiada pelo governo, é conduzida sob uma objeção a uma decisão tomada pela Comissão Internacional de Caça às Baleias (IWC) de 1982. Há uma “cota” de baleias que podem ser mortas em 2016 – que é de 880 animais (menor, por sua vez, que a de 2015, que era de 1.286), e tais números são estabelecidos pelo governo mediante o uso de uma fórmula que os cientistas do IWC consideram “insuficiente” em termos de performance de preservação. Em 2001, uma resolução do IWC determinou que a Noruega parasse com toda a caça às baleias e o comércio de produtos derivados desses animais.

Desde 2012, a Noruega já matou mais baleias por ano que qualquer outro país, e nos últimos dois anos superou a Islândia e o Japão juntos. A exportação de produtos derivados também aumentou e, desafiando uma proibição internacional desse comércio, o país enviou 172 toneladas de carne e gordura para o Japão desde 2014. Documentos adicionais obtidos pela coalizão mostram que inspetores da empresa Kyodo Senpaku acompanharam uma série de viagens de caça a baleias – presumivelmente em um esforço de aliviar preocupações com relação à carne de baleia contaminada que a Noruega vendia para o Japão.

“A caça às baleias na Noruega viola a moratória aprovada internacionalmente e continua, apesar do drástico declínio da demanda por produtos derivados no país”, declarou Jennifer Lonsdale, diretora da EIA. “A quantidade crescente de derivados exportados da Noruega para o Japão e o uso de baleias para alimentar a igualmente cruel indústria de peles é inadmissível. É hora da Noruega parar com a caça”.

E a indústria de peles do país também caminha a passos largos. Segundo a reportagem, em 2015 a Noruega exportou 258 toneladas de peles de raposa e 1.000 toneladas de peles de vison para os Estados Unidos, sendo a maioria importadas pela Dinamarca e Finlândia.

Quanto às preocupações quanto às baleias, o Animal Welfare Institute e a Environmental Investigation Agency uniram-se à organização baseada na Suiça OceanCare e à alemã Pro Wildife para instar aos países membros do IWC a tomarem uma ação contra a Noruega pelo crescimento galopante da caça e do comércio de produtos derivados de baleia pelo país.

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