Pesquisador denuncia abandono de cães em praias do Pará


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O abandono de cães em praias do nordeste paraense estaria provocando a extinção de aves migratórias e afetado os estoques de peixe na região, de acordo com denúncia feita pelo biólogo Cristovam Guerreiro Diniz, pesquisador do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA).

Segundo o pesquisador, que denunciou o caso em sua rede social, apenas na Ilha de Canela, no município de Bragança, nordeste do Pará, há mais de 60 cachorros em situação de abandono que, sem alimentos, agora atacam as aves migratórias e, até mesmo, outros cães.

“Com o aumento da população de cães nas ilhas, a oferta de alimento diminui. Os cães são abandonados e a fome se encarrega de gerar o comportamento canibal em eles, pois, estão à beira da morte, por falta de comida. Presenciei o comportamento de um cão comendo outro e não é uma experiência agradável”, conta.

Cristovam Diniz explica que, tradicionalmente, pescadores adotam cães durante a época de abundância do pescado. “Os cachorros são companhia e ajudam a afugentar outros pequenos animais. Durante a época em que há mais peixe, os pescadores levam o pescado à praia para ser limpo e tratado, então, atiram as vísceras aos cães. Mas quando a temporada acaba ou nos momentos em que a pesca não é frutífera, os pescadores voltam para casa na península e os cachorros têm sido abandonados sozinhos nas ilhas”, narra.

O pesquisador revela que além do abandono e das péssimas condições de saúde destes animais, a presença deles tem criado uma reação em cadeia que prejudica aves e peixes e já estaria sendo sentida pela população. “É um ciclo: as aves migratórias fazem ninhos na praia. A presença delas gera material biológico que, sob a ação do calor e do tempo, reage quimicamente e entra em contato com a água, onde servirá de alimento para fitoplânctons e zooplânctons, os quais, por sua vez, são a base de alimento para pequenos peixes na cadeia alimentar”, detalha.

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Porém, o biólogo relata que há alguns anos, os cães famintos atacam os ninhos das aves migratórias e os filhotes.
“Já há pelo menos duas espécies, a Charadrius wilsonia e a Sterna antillarum, que estão ameaçadas de extinção. Sem as aves, o ciclo da cadeia alimentar é afetado e faltam peixes. Todo pescador sabe, tradicionalmente, que onde há aves há peixe e a falta delas está ligada à dificuldade de encontrar os cardumes e, para a população em geral, à oferta de peixe para a alimentação”.

Ainda segundo o pesquisador, na Ilha de Canelas há cerca de 20 residências permanentes e os biólogos já contaram mais de 60 cachorros. “A presença de cães em áreas de pesca é tradicional e não deveria de ter impactos no meio ambiente, mas a situação do abandono tem criado vários problemas ambientais”, resume.

Diniz lidera um grupo que pesquisa as aves migratórias na região e, recentemente, iniciou uma ação específica de consciência ambiental e cuidado com os cães nas ilhas do nordeste paraense. Ele conta que o grupo já realizou a castração de cachorros na Ilha de Canelas, fixou placas de orienação aos pescadores para que novos animais não sejam abandonados e tem feito sensibilização com moradores para cuidar dos cachorros. “Mas, pelo projeto de pesquisa, não há recursos para que este trabalho de cuidado seja feito e as autoridades nada têm feito sobre isso”, alerta.

Fonte: G1


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