Gato selvagem da Escócia está à beira da extinção


Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Mark Bridger/Shutterstock
Foto: Mark Bridger/Shutterstock

Ele se parece com um felino doméstico, mas o gato selvagem escocês (“Scottish wildcat”) é uma espécie nativa que chegou na região da Escócia antes dos humanos se estabelecerem nas Ilhas Britânicas. E, pelo que parece, eles não estarão no local por muito mais tempo.

O Scottish wildcat é uma população isolada dos felinos selvagens europeus (european wildcats), e também é conhecido por ser feroz. Há velhas lendas de que esses animais podiam até matar humanos, uma crença que durou até o século 20. Por isso, o apelido da espécie é “tigre Highland”.

Apesar deles não serem tão perigosos quanto se divulgou no passado, eles podem se comportar de modo agressivo quando precisam se defender. Relatórios confiáveis das últimas décadas incluíram avistamentos desses gatos atacando a outras espécies, segundo a organização Save the Scottish Wildcat.

Mas o Scottish wildcat teria chances de lutar contra a extinção?

A população declinou acentuadamente durante centenas de anos de perseguição por caçadores, e também devido à perda de habitar, hibridização com gatos domésticos. Estima-se que haja de 35 a 400 indivíduos puros da espécie restantes na natureza, e eles são considerados um dos mamíferos mais ameaçados da Grã Bretanha.

Mas, por eles serem solitários, elusivos, e por haver um grande número de híbridos, a estimativa exata de quantos indivíduos puros ainda existem é uma tarefa difícil.

Foto: Bildagentur Zoonar GmbH/Shutterstock
Foto: Bildagentur Zoonar GmbH/Shutterstock

Embora por enquanto ainda seja algo pontual, o vírus da imunodeficiência felina foi recentemente confirmado em uma das áreas onde eles vivem, e a hibridização com gatos ferais é motivo de grande preocupação no momento.

“O gato selvagem escocês é um sobrevivente contumaz e prefere cruzar com felinos de outras espécies, e como o número deles é reduzido, o cruzamento com gatos domésticos é inevitável. Isso significa que dentro de poucas gerações, os genes desses animais estarão perdidos, e haverá um número considerável de gatos ferais e semi selvagens”, disse o cientista Paul O’Donoghue, da Wildcat Haven, à BBC.

Pesquisadores acreditam que gatos selvagens geneticamente puros somente existem nas regiões mais remotas das montanhas ocidentais e, por isso, alguns conservacionistas estão concentrando os seus esforços nessa região.

A Wildcat Haven estabeleceu um plano de ação para tentar salvar a espécie. Seus objetivos são ambiciosos, incluindo a reserva de áreas de preservação e a remoção de todos os gatos ferais dessas áreas, bem como a restauração do ambiente natural das florestas, entre outros.

Foto: davemhuntphotography/Shutterstock
Foto: davemhuntphotography/Shutterstock

Pela captura e castração de gatos ferais, e com a identificação de felinos selvagens como rádio colares, o projeto está alcançando progressos em criar um lugar seguro para recuperar o número de Scottish wildcats nas montanhas do país. Atualmente, o plano cobre mais de 800 milhas quadradas em torno das zonas nas quais se sabe que essas populações vivem.

O projeto enfrenta uma enorme batalha, como todos os que já tentaram proteger uma espécie de felinos selvagens. Mas, desde 2008, os organizadores vêm se engajando com a comunidade local para obter apoio e assistência na implementação do plano de ação. A Wildcat Haven espera continuar a expandir a “zona de segurança” para os felinos selvagens até que a mesma venha a abranger 7.000 milhas quadradas.

Enquanto isso, a Scottish Wildcat Action lançou em janeiro a maior pesquisa já realizada sobre felinos selvagens. “O grupo instalou câmeras sensíveis a movimento para registrar quaisquer gatos vivendo em áreas prioritárias de Strathpeffer, Strathbogie, Strathavon, North Strathspey e Angus. O trabalho irá continuar em Morvern até o final do ano. Mais de 130 voluntários irão checar as câmeras, reunindo dados que irão direcionar as medidas de proteção”, reporta o The Scotsman.

O futuro do Scottish wildcat depende dos esforços contínuos de dedicados conservacionistas. Mas somente o tempo dirá se o trabalho terá sido suficiente para impedir a extinção da espécie.


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