Estudo revela que lobos têm 21 dialetos diferentes‏


Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Edwin Butter/Shutterstock
Foto: Edwin Butter/Shutterstock

No maior estudo quantitativo já realizado sobre os uivos entre espécies de canídeos, pesquisadores descobriram que os lobos ao redor do mundo falam em 21 diferentes dialetos, com variações dependendo da subespécie e da localidade onde vivem.

O estudo, liderado por Arik Kershenbaum da Universidade de Cambridge (Reino Unido), coletou 2.000 gravações de uivos de 13 espécies de canídeos incluindo lobos de todo o mundo, e também dingos, coiotes, chacais e cães domésticos.

Ao invés de usarem análise subjetiva dos uivos ao olhar para as ondas sonoras, os pesquisadores inseriram os mesmos em um algoritmo de computador que quantifica aspectos das gravações. O computador identificou as características distintivas dos uivos, como a afinação e a flutuação.

Um ouvinte pode identificar a espécie do animal, mesmo a subespécie do lobo, apenas ao ouvir atentamente o seu uivo.

Kershenbaum explicou a abordagem em uma entrevista para a Life on Earth:

“A forma como quantificamos os uivos se deu com a extração das frequências e do progresso dos mesmos – se a frequência aumenta, diminuiu ou permanece constante. E então nós pudemos comparar cada conjunto de uivos que gravamos, e isso nos forneceu dados sobre como duas voltas de frequências moduladas podem ser diferentes. Em seguida, passamos para outro algoritmo com amostras desses uivos em grupos que são similares uns ao outros e diferentes dos demais. Assim, estabelecemos vinte e um diferentes tipos de uivos, e observamos como eles eram usados por diferentes populações. Constatamos que algumas espécies e subespécies faziam muito uso de certos tipo de uso e negligenciavam outros. Além disso, certas espécies faziam amplo uso de todos os diferentes tipos de uivos e eram bastante variadas em seu repertório. E nesse sentido os uivos representam uma marca para cada população, e para cada subespécie”.

Com estas informações, os pesquisadores estão um passo mais perto de serem capazes de identificar exatamente quais subespécies de lobos poderiam estar uivando – algo que pode ajudar de maneira significativa o monitoramento de populações de lobos pelos cientistas em determinados locais. Os cientistas poderão identificar lobos em uma área e rastrear sua atividade através da acústica.

O próximo passo é decifrar o significado por trás de diferentes uivos. Tal informação pode ser crucial em manter os lobos longe de rebanhos de fazendas, evitando o conflito com humanos.

“Se nós podemos usar essas técnicas para identificar diferentes uivos em diferentes contextos comportamentais, então será possível usar o som para desenvolver métodos de redução de conflitos entre predadores selvagens e humanos, ao reproduzir os uivos apropriados em cada ocasião”, disse Kershenbaum à Life on Earth. “Mas nesse caso será extremamente importante replicar um uivo que queira dizer: ‘não se aproxime, nós somos um grupo forte e agressivo’, e não um uivo que diga: ‘venha até aqui, nós encontramos algum alimento interessante’ “.

Tal entendimento só é viável quando se estuda vocalizações em contextos de lobos selvagens. A equipe está trabalhando atualmente no Parque Nacional de Yellowstone para coletar gravações e aprender mais sobre a possibilidade de diferentes chamados serem representativos de comunicação, alerta ou outras mensagens.

A descoberta sobre dialetos pode ser importante para a sobrevivência dos criticamente ameaçados lobos vermelhos.

“A sobrevivência dos lobos vermelhos na natureza está sendo ameaçada pelo cruzamento com os coiotes, e nós descobrimos que o comportamento de uivos das duas espécies é muito similar. Esta pode ser uma razão pela qual eles são tão propensos a se acasalar, e talvez nós possamos tirar vantagens de diferenças sutis que agora descobrimos, de modo a manter as populações mais separadas”, aponta Kershenbaum em um comunicado.

Os novos conhecimentos podem beneficiar tanto esses animais quanto os seres humanos. Segundo a reportagem, aprender mais sobre a linguagem dos lobos pode revelar pistas sobre a evolução de nossa própria linguagem, algo que Kershenbaum tem interesse em explorar futuramente.

“Os lobos podem não estar muito próximos de nós em termos de taxonomia, mas ecologicamente o seu comportamento em uma estrutura social é notavelmente parecido como o dos humanos. Esse foi o motivo pelo qual domesticamos cães — eles são muito similares a nós”, afirmou Kershenbaum. “Compreender a comunicação de espécies sociais é essencial para descobrir as trajetórias evolutivas que levaram à comunicação mais complexa no passado, finalmente conduzindo à nossa própria habilidade linguística”.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

Você viu?

CATIVO EM ZOO

CRIME AMBIENTAL

RESPONSABILIZAÇÃO

ABERRAÇÃO LEGISLATIVA

ESCRAVIDÃO

EXEMPLO

CICLOVIA RIO PINHEIROS

ESTRESSE


LEIA EM PRIMEIRA MÃO AS NOTÍCIAS MAIS ANIMAIS DO MUNDO

>