Plano para salvar os rinocerontes inclui suspendê-los no ar e enviá-los para a Austrália‏


Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Martin Harvey/Corbis
Foto: Martin Harvey/Corbis

Os conservacionistas fizeram de tudo para salvar os rinocerontes – eles colocaram cercas em seu habitat, enviaram esquadrões de guardas anti caça, e até mesmo cortaram os chifres dos animais para deixá-los menos atraentes para os caçadores. Os chifres dos rinocerontes são valorizados pela medicina chinesa e vietnamita, e com o preço de um único chifre chegando a atingir 80 mil dólares por quilo, os caçadores seguem inabaláveis na matança aos animais. Por esse motivo, um agente imobiliário australiano está colocando em prática um plano radical – ele está transportando rinocerontes “pelo ar”.

Trata-se de suspender os animais com o uso de guindastes, para enviá-los via aérea para a Austrália.

Foto: Greenfield Media
Foto: Greenfield Media

“Não há nenhum lugar seguro na África para os rinocerontes atualmente”, disse Ray Dearlove, fundador da Australian Rhino Project, à Australian Broadcast Corporation. “Eles se tornaram quase extintos na África do Sul, onde provavelmente estão 85 a 90 por cento dos rinocerontes negros e brancos que restam no mundo”.

Ele planeja transportar 80 rinocerontes, sendo 20 por ano, pelos próximos quatro anos, para uma reserva australiana. Em maio, os primeiros seis rinocerontes brancos serão postos em quarentena em Johannesburg, na África do Sul. Então, em agosto, eles voarão para Oz e passarão outros dois meses em quarentena em um zoológico antes de chegarem ao destino final, que é um parque em Adelaide.

Embora o ato de suspender animais que pesam duas toneladas pareça uma reação exagerada, números recentes de caça mostram que uma medida urgente é necessária. De acordo com o Sydney Morning Herald, a taxa de mortalidade dos rinocerontes excedeu a de natalidade pela primeira vez. Em 2007, treze rinocerontes foram mortos na África do Sul; em 2013, esse número subiu para 1.004, e para 1.200 em 2014, sendo que em 2015 a alta nos preços dos chifres desses animais empurrou o número de rinocerontes caçados para algo em torno de 1.500.

Rinocerontes têm os chifres arrancados e são deixados para morrer. Foto: Daily Mail
Rinocerontes têm os chifres arrancados e são deixados para morrer. Foto: Daily Mail

Se continuar nesse ritmo, os rinocerontes brancos do sul estarão extintos dentro de dez anos. Esse foi o motivo pelo qual Dearlove decidiu começar a “erguer” os animais ao preço aproximado de 75.000 dólares cada um, para criar uma “política de seguro biológico” contra a extinção iminente.

“Os números estão se deteriorando rapidamente”, disse ele ao ABC. “Eu penso que a Austrália seja um dos locais mais seguros do planeta para começar a salvaguardar essa nova geração, com a eventual intenção de que eles sejam repatriados à África quando estas questões da caça estiverem resolvidas”.

Não é a primeira vez que se tenta retirar rinocerontes dessa maneira, suspendendo-os pelo ar. No ano passado, o projeto Rhinos Without Borders começou a transportar os animais via aérea da África do Sul para terras em Botsuana, com o objetivo de mover 100 indivíduos. E em 2013 a Wold Wildlife Fund moveu rinocerontes em seu projeto chamado Black Rhino Range Expansion Project. Mas o último esforço é até mesmo mais ambicioso, com o plano de transportá-los para fora do país.

Após três anos dedicando-se integralmente à burocracia e aos opositores, Dearlove agora conta com o apoio dos governos da Austrália e da África do Sul, e o seu projeto também conquistou doações de corporações e de ambientalistas, como Jane Goodall.

“Se você e eu não fizermos nada quanto a isso, quem irá fazer?”, questionou Dearlove ao ABC. “E quando eles se forem, a quem irão culpar?”.

Embora essa pareça ser uma atitude coerente diante da gravidade em que se encontra a espécie, extremamente perseguida pelos caçadores, ela não deixa de ser algo triste e sofrido para os animais. Eles estão sendo retirados de seu lar – seu habitat – movidos e removidos de maneira estressante, e sendo literalmente exilados longe de seu país, tendo os seus grupos familiares e sociais desmembrados.

Se essa é uma alternativa possível em termos de preservação da espécie, do ponto de vista de cada indivíduo que passa pela experiência, pode-se dizer que ela é traumática e desoladora.


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