Caminhos


Foto: Eliza Rei
Foto: Eliza Rei

Caminhando para a morte. Um caminhão. Frangos brancos empilhados em caixas amarelas esvoaçados ao ar deixam suas penas pela estrada humana, sabe-se lá se ainda vivem alguns. Ou todos, pois a sentença já foi dada, a morte foi marcada, está a caminho, e até lá o percurso segue sufocante, turbulento, assustador.

Pena, muita pena.

Caminhando para a morte. Um cão. Branco, saltitando na beira que divide as mãos, na contramão deixa sua alegria esfomeada a cada passo, enquanto passa, sem saber (ou será que sabe?) que a qualquer instante algo vai fazê-lo parar, de súbito, de pancada, de violência estampada por alguém que, sem querer (ou nem tanto), vai certamente atingi-lo. Pois todos correm, e caminham para a morte.

O que fazer? Intervenção? Parar o caminhão, a estrada, o cão?

Nessa convulsão, a morte a todos espreita, esperta. Para alguns já, para outros logo mais, para os demais lá vem um pouco mais de tempo a enfrentar.

Onde há vida, há morte. Onde há morte, haverá vida. É só isso que resta dizer nesta fresta maldita de se ver a vida como coisa, ou de simplesmente ignorá-la, atravessá-la sem se dar conta de que tudo respira, deseja, sofre, precisa. É a outra coisa que conta para um ser que apronta todo tipo de afronta à dignidade e ao respeito aos demais, que desmonta.

E assim o caminho para a morte se expande e se definha, se refina e se embrutece, o mundo se torna um matadouro a céu aberto, exalando odor de coisas, não de seres, elevando mais vapor de sangue, menos de água, explodindo uma atmosfera doente, intoxicada por uma ética degradante, decadente, se é que existente.

Frangos e cães dessa vez cruzados na estrada, em outras vezes porcos, e bois, e aves, e não sei quais mais animais, esmagados ou amontoados, partidos ou sufocados.

Todos, em algum momento, ou em incontáveis dias, meses, anos, aterrorizados, angustiados, feridos, abandonados, violentados no que todos temos de mais precioso: na vida.

Viver é o caminho, contínuo e natural. Não podemos fazer da morte um ganho, uma meta, um fim, já que, assim, é a morte que se adianta na alma do ser que a planta no seu triste e desarmonioso jardim

*Eliza Rei é vegana, formada em Ciências Sociais, servidora federal e fotógrafa amadora, também colabora no blog Plant.aí.


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