Construção de ferrovia na Índia afetará a vida de milhares de animais selvagens


Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Leoas Jespha e Gopa que vivem no parque nacional Sanjay Gandhi, fotografadas em 2013. Foto: Vasant Prabhu
Leoas Jespha e Gopa que vivem no parque nacional Sanjay Gandhi, fotografadas em 2013. Foto: Vasant Prabhu

“Como ativista de direitos animais e nativa de Mumbai, eu estou extremamente triste com a decisão do departamento de florestas em usar 58 hectares de terras florestais preservadas para a construção de um corredor ferroviário”, disse a atriz Raveena Tandon em um artigo para o Indian Express, no qual critica o projeto do Primeiro Ministro Modi. “Eliminar um precioso espaço verde para permitir a passagem de comboios de mercadorias irá, sem dúvida, causar imenso dano e perturbar ou deslocar animais que habitam essas amadas área naturais, resultando em mais conflitos entre humanos e vida selvagem”. Uma das atrações que torna Mumbai diferente de outras metrópoles é esse parque nacional dentro dos limites da cidade, diz ela, acrescentando que além do local ser uma “pulmão verde”, ele também é lar de mais de mil espécies de animais e vegetais.

Conforme a reportagem, o Parque Nacional Sanjay Gandhi tem a mais alta densidade populacional de panteras da Índia, dentro de cem quilômetros quadrados. De acordo com autoridades do parque, atualmente há 35 panteras vivendo no local mas, devido aos planos de desmatamento do governo, o seu futuro agora está sendo questionado.

Em adição aos 10 hectares do parque, o projeto de corredor ferroviário também deverá abranger outros 16 hectares da floresta de Thane e mais de 31 hectares da floresta de Dahanu. E não só as panteras serão negativamente afetadas por esse plano: leopardos, cervos, macacos, javalis, hienas, civets, e outros felinos selvagens igualmente terão seus habitats perdidos e suas rotas interrompidas, bem como as suas fontes de alimento serão gravemente comprometidas. Funcionários da gestão de parques do país apresentaram objeções ao plano e alertaram o departamento de florestas que os leopardos já estão sendo atropelados por carros na rodovia Ghodbunder, que passa diretamente através da região. Entre 2013 e 2015, pelo menos cinco leopardos foram mortos por carros na área de Mumbai. Após o desmatamento de uma ampla faixa para construção do corredor, todas as espécies que lá vivem irão enfrentar o perigo adicional de serem atingidos por trens. Invasões humanas e assentamentos já representam mais uma ameaça.

Foto tirada em Dankuni , onde se planeja construir um corredor ferroviário. Na região já há rodovias onde animais são constantemente atropelados. Foto: Divulgação
Foto tirada em Dankuni , onde se planeja construir um corredor ferroviário. Na região já há rodovias onde animais são constantemente atropelados. Foto: Divulgação

A Sociedade de História Natural de Bombay recomendou um conjunto de medidas básicas de segurança que incluem um plano para tentar reduzir o impacto negativo do projeto sobre os animais – tais como a construção de passarelas subterrâneas (“ecodutos”), pontes altas e uma cerca separando as trilhas do trem de áreas florestais. Mas o planejamento divulgado pelo governo não previa nenhuma dessas provisões. Além de roubar valioso espaço verde de Mumbai e eliminar terras do parque nacional e das florestas, o projeto deverá igualmente expulsar muitos animais selvagens sobreviventes para áreas habitadas por humanos, à procura de comida e água. De acordo com a reportagem, já são frequentes no país histórias sobre leopardos vagando em vilas e elefantes em pânico se defrontando com carros. É muito comum esses animais serem mortos por humanos quando tais encontros acontecem. Destruir mais do pouco habitat que restou para a vida selvagem apenas irá piorar esse quadro. Conforme diz Raveena, “Todos nós temos a responsabilidade fundamental de proteger os animais e o meio ambiente”, acrescentando que isso está até mesmo na constituição do país, que diz que “É dever de cada cidadão da Índia proteger e melhorar o meio natural que inclui as florestas, lagos, rios e vida selvagem, e ter compaixão com as criaturas viventes”.

“É por isso que dedico a minha vida a advogar pelos direitos animais”, diz Raveena, que atua tanto na promoção de resgate e adoção de animais domésticos quanto em campanhas de conscientização sobre a crueldade da indústria de peles, lutando para fazer da Índia um lugar melhor e mais seguro.


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