Vacas abandonadas nas ruas da Índia estão morrendo por ingestão de lixo plástico‏


Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Rohan Babu/Flickr
Abandonadas, as vacas procuram comida no lixo e acabam ingerindo grande quantidade de plástico. Foto: Rohan Babu/Flickr

A Índia está se urbanizando rapidamente. Cidades estão se erguendo onde antes havia vilas nas quais as vias eram feitas para bicicletas e, apenas ocasionalmente, motocicletas. Atualmente, rodovias urbanas já estão congestionadas com carros e caminhões. Os campos antes eram arados por touros que depois pastavam livres também desapareceram – no entanto, as vacas não.

Muitas pessoas celebram a Índia como a nação que concentra o maior número de vegetarianos do mundo. Mas, com meio bilhão de bovinos, o país também é o maior exportador de carne do mundo – estando na frente de outros grandes exportadores como Brasil e Austrália – e hospeda a maior parte das fazendas de produção de laticínios do planeta. Quinhentos milhões de bovinos vivem na Índia, e em Udaipur, uma cidade de porte médio com quinhentos mil habitantes, milhares de vacas são vistas em casas e andando pelas ruas.

A maioria das vacas que vagam pelo país são fêmeas em uma idade na qual não produzem mais leite. Por não serem mais consideradas úteis, elas são enxotadas com vassouras das casas onde passaram os primeiros cinco anos de suas vidas, tempo em que muitas vezes viveram amarradas em correntes curtas e tiveram a permissão de caminhar por apenas dez minutos por dia para beber água.

A vida das vacas nas ruas da Índia

Uma vaca que tiver “sorte” nas ruas terá um pequeno espaço no qual conseguirá transitar, quase sempre repetindo o mesmo padrão dia após dia – isso se ela não for interrompida por algum agente do mercado de carne. Ela irá visitar alguma casa aparentemente amigável onde sabe que irá encontrar dois “chapattis” (pães típicos do local) que foram deixados exatamente para ela cinco minutos antes de sua chegada. Em seguida, ela caminhará até o portão de uma outra casa onde foi cuidadosamente instalada uma calha de cimento na qual ela tomará longos goles de água fresca. O próximo passo é o vendedor de vegetais na esquina, que corta talos de couve-flor e joga-os em um pilha no chão, justamente para ela. Após comer, ela irá se deitar um pouco para descansar e tomar sol por meia hora.

Apesar desta vida estar longe de ser a situação ideal para uma vaca, ela pode parecer monótona e previsível. Mas, como sempre, as coisas não são o que parecem. Frequentemente, vacas são atropeladas por motoristas nas caóticas ruas das cidades. Segundo a ONG Animal Aid Unlimited, esses condutores descuidados são desastrosos para as vacas, sendo que os 55 voluntários que a organização coloca para resgatá-las estão ocupados todos os dias. Muitas das vacas resgatadas são vítimas de fraturas ou estão com feridas abertas após as colisões. Geralmente a Animal Aid trata cerca de 50 vacas e touros ostentando fraturas nas patas ou quadris, bem como ferimentos e cortes, além de prolapsos uterinos.

O time de resgatadores está sempre ocupado, cuidando em média de 50 vacas por dia, que foram feridas nas ruas.

Rohan Babu/Flickr
Rohan Babu/Flickr

Vítimas do lixo plástico

No entanto, conforme a reportagem do One Green Planet, ainda mais sérios que os danos trazidos pelos carros estão os causados pelas pilhas de plástico que as vacas muitas vezes ingerem ao confundirem com comida. As vacas tem o hábito de vagar por perto de montes de lixo que coletores criaram, onde pode haver restos de alimentos de uma festa em meio a centenas de sacolas e pratos de plástico sujos de molhos saborosos. Atraídos pelos restos de comida misturados ao lixo, esses animais tragicamente comem também os produtos descartáveis.

De acordo com a Animal Aid, as vacas e touros resgatados chegam até eles com estômagos contendo de 16 a 36 quilos de lixo plástico. Na verdade, muitas vacas são retiradas das ruas por funcionários do governo que as despejam em depósitos de lixo.

Quando alguém entra em contato com a Animal Aid pedindo para resgatar uma vaca nas ruas, o animal já está definhando. “Elas estão ’em pele e osso’, e costumam parecer prenhas por causa do plástico em seus estômagos”, diz a ONG.

Visitantes e voluntários da organização veem vacas e touros pastando no feno com curativos e talas, ou descansando em colchões com os estômagos inflados devido ao plástico, incapazes de ficarem de pé. “Por não ser permitido induzir esses animais à morte em Rajasthan, nós tristemente sabemos que esses são lugares onde muitos deles, sedados e enlouquecidos, irão passar seus últimos dias”, explicou a Animal Aid ao One Green Planet, referindo-se aos espaços onde cuidam dos animais.

Rohan Babu/Flickr
Rohan Babu/Flickr

Remover o plástico do organismo dos animais é “virtualmente impossível”. A “rumenotomia” – que é a evacuação do conteúdo do estômago dos ruminantes – é uma cirurgia com alta taxa de mortalidade, pois o delicado peristaltismo das ondulações intestinais e as secreções enzimáticas do aparelho digestivos são facilmente congeladas quando traumatizadas pelo processo cirúrgico.

Assista ao vídeo que mostra veterinários da Animal Aid retirando 36 kg de plástico do estômago de uma vaca :

A Animal Aid Unlimited afirma que tem como missão tratar vacas e touros em sofrimento e colocar as pessoas em contato com esses animais, de modo a serem capazes de entender melhor a sua inteligência, curiosidade, afeições e experiências, bem como os seres maravilhosos que eles são.

Para saber mais sobre o trabalho da organização, visite o site.


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