Culinarista fala sobre veganismo para estudantes afrodescendentes‏


Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Alunos preparam pratos ao som de reggae após palestra sobre culinária vegana. Foto: Emille Raguso
Alunos preparam pratos ao som de reggae após palestra sobre culinária vegana. Foto: Emille Raguso

Sentado diante de um círculo de alunos da Berkeley Technology Academy (BTA), na Califórnia (EUA), o ativista e escritor de um livro de culinária Bryant Terry prepara pratos em uma cozinha repleta de potes de condimentos variados.

Terry — cujo último livro chamado “Afro-Vegan: Farm-Fresh African, Caribbean, and Southern Flavors Remixed”, foi publicado em 2014 — foi convidado para uma apresentação na faculdade, em um evento em homenagem à cultura africana. Após ele ter falado para o grupo de cerca de 60 estudantes, funcionários e convidados, eles se dividiram em grupos para preparar um menu de receitas.

O conceito proclamado por Terry é o da culinária vegana baseada em justiça social, onde a alimentação resgata valores familiares antepassados – dos avós, por exemplo – e se usa vegetais cultivados em quintais caseiros.

“O quintal é a melhor ferramenta, não só para alimentar as pessoas, mas também enquanto espaço seguro, espaço de convivência onde podem fluir ideias criativas”, disse uma aluna.

Terry contou à plateia que ele nem sempre se alimentou de modo saudável; apesar dos benefícios da comida caseira feita pela sua avó, ele sucumbia ao desejo de comer fast food com seus colegas da escola. Mas a sua atitude mudou quando ele ouviu uma canção de hip-hop que detalhava como as vacas se tornavam alimento: a música “Beef”, da Boogie Down Productions. Terry recitou parte da letra para o círculo de estudantes e professores, que dizia como a carne é um produto venenoso cuja produção gera sofrimento a pessoas e aos animais.

“Então eu me tornei um ativista em décimo grau”, disse Terry. “Minha consciência sobre comida mudou completamente”.

Apesar dele ter deixado claro aos alunos da BTA que não espera que eles se tornem vegetarianos ou veganos, ele apelou a eles que tentassem se tornar agentes de mudança com relação à falta de opções saudáveis em populações de baixa renda, nas quais muitos deles vivem. Ele lembrou a eles que as comunidades afrodescendentes lutam com algumas das mais altas taxas de doenças cardiovasculares, de diabetes a pressão alta.

“Vocês podem ser intermediadores e usar as mídias sociais para criar narrativas em torno dessas questões”, disse ele.

Pouco antes das 2 da tarde, ao som de reggae, professores e alunos reuniram-se em torno das mesas e espremeram limões, cortaram frutas e vegetais e prepararam pratos veganos.

Em seguida, a diretora da BTA Sheila Quintana foi mostrar aos visitantes a horta da escola, descrevendo esforços iniciados neste ano para usar o local como espaço terapêutico para os estudantes. Os professores têm passes que podem dar aos alunos para que fiquem algum tempo na horta, cuidando de plantas, plantando sementes, ou simplesmente permanecendo junto à natureza para se tranquilizarem após situações estressantes.

A pequena plantação é composta de uma série de “tapetes verdes”, onde há camomila, morangos, brócolis, limões e hortelã. Há também pimenta e árvores frutíferas.

Segundo a reportagem, o evento foi divertido e, para os alunos, significou uma saída de sua zona de conforto. Uma aluna exclamou: “Eles me fizeram cozinhar!”, e acrescentou “Sem carne.”.

A professora Dawn Williams disse que muitos alunos ficaram céticos quanto às receitas.

“Havia alguma ansiedade quanto ao assunto ‘veganismo’. A maioria dos estudantes é acostumada a comer carne”, disse ela. “Mas quando começamos a cozinhar e os aromas surgiram, em meio à união da comunidade, eles até começaram a pensar no assunto”.

Eles gostaram tanto, disse Williams, que sugeriram a ela que a experiência fosse repetida. “É um modo diferente de aprendermos e de estarmos juntos”, acrescentou.


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