Empresa que produz "carne" vegana ambiciona tornar obsoleta a matança de animais para consumo


Tradução: Neuza Vollet/ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Memphis Meats
Foto: Memphis Meats

Graças à empresa Memphis Meats, Estados Unidos, a matança de animais para fins alimentares em breve poderá se tornar uma coisa do passado. A empresa fez sua estreia global no dia 04 de fevereiro com a apresentação da primeira almôndega do mundo produzida com carne 100% cultivada em laboratório. Dentro dos próximos 3 a 4 anos, a empresa espera oferecer aos consumidores carne mais barata e amiga do ambiente do que a carne tradicional.

“Nós amamos carne. Mas, como a maioria dos americanos, não gostamos dos efeitos colaterais negativos da produção convencional da carne: a degradação ambiental e os muitos riscos para a saúde causados por antibióticos, matéria fecal, patógenos e outros contaminantes encontrados na carne animal”, a empresa declara no site.

Foto: Memphis Meats
Foto: Memphis Meats

“Nosso conceito é simples. Em vez de criar animais para obter a carne, por que não cultivar a carne diretamente? Com essa finalidade, estamos combinando décadas de experiência nas áreas da culinária e da ciência para cultivar células de carne de verdade – mas sem os animais – através de um processo mais saudável, mais seguro e mais sustentável do que a indústria da criação animal”.

“Decididamente, este é o futuro da carne”, diz Uma Valeti, cardiologista e CEO da Memphis Meats. “Planejamos fazer com a indústria da carne o mesmo que o carro fez com a charrete puxada por cavalo. A carne cultivada mudará completamente o status quo e a criação de animais para comer se tornará inconcebível”.

Valeti revela que sua equipe vêm cultivando pequenas quantidades de carne em laboratório utilizando células retiradas de porcos, vacas e galinhas. Um vídeo os mostra cozinhando sua primeira almôndega com a ajuda de um chef profissional. “Analisamos como a almôndega reagiu na frigideira, ouvimos o chiado, cheiramos a carne e o cheiro foi exatamente o esperado de uma almôndega frita”, afirmou Valeti. “Pela primeira vez uma almôndega foi preparada com células de carne que não exigiram a morte de uma vaca”.

Foto: Memphis Meats
Foto: Memphis Meats

De acordo com a Memphis Meats, sua tecnologia produz 90% menos de emissões de gases com efeito estufa e consume menos nutrientes em comparação com a produção tradicional de carne. Para gerar 1 caloria da carne bovina é necessário 23 calorias de ração, mas a Memphis Meats alega que é possível conseguir o mesmo resultado com um input de apenas 3 calorias e sem a necessidade de nenhum antibiótico ou qualquer tipo de aditivo.

O processo inicia com o isolamento de células de animais que têm a capacidade de se renovar e o fornecimento a essas células de oxigênio e nutrientes, tais como açúcares e minerais. As células são então mantidas em tanques biorreatores, onde se convertem em músculo esquelético que pode ser colhido de 9 a 21 dias.

Embora a empresa afirme que não é necessário o abate de animais para produzir a carne, as células iniciais são obtidas do soro sanguíneo de fetos bovinos, extraído do coração do feto após o abate de uma vaca prenhe. A Memphis Meats argumenta, entretanto, que já estão trabalhando na criação de uma alternativa vegetal para substituir o soro no futuro. Valeti afirma com convicção que “em 20 anos, a maior parte da carne vendida nos supermercados será cultivada”.

Ainda falta muito e, por enquanto, a carne cultivada é inacreditavelmente cara: o custo de produção de meio quilo de carne moída é de US$18 mil em relação aos US$4 cobrados pela carne animal na maioria dos supermercados dos Estados Unidos. A empresa espera, no entanto, que o custo caia de modo drástico com financiamentos e produção em massa e que a carne cultivada se torne mais barata do que a tradicional.

Foto: Memphis Meats
Foto: Memphis Meats

Na primeira rodada de financiamento a Memphis Meats já recebeu US$2 milhões. Entretanto, Valeti e equipe estão enfrentando a forte concorrência de outros empresários que também estão de olho no mercado da carne cultivada. O cofundador do Google, Sergey Brin, por exemplo, investiu US$330 mil na produção do primeiro hambúrguer de cultura do mundo. Brin está firmemente convencido de que a carne cultivada tem a “capacidade de transformar a maneira como vemos nosso mundo”.

Carne cultivada em uma placa de Petri pode parecer repulsivo, mas talvez seja apenas uma questão de tempo antes que as pessoas se acostumem. Com a população mundial se encaminhando para os 9 bilhões por volta de 2050, a matança de animais para fins alimentares pode muito em breve deixar de ser uma opção viável.


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