Dia internacional da vida selvagem não teve motivos para comemoração


Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

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“O futuro da vida selvagem está em nossas mãos”, diz o anúncio da campanha criada para o Dia internacional da vida selvagem, no dia 3 de março. Foto: Divulgação

A caça e o tráfico de animais têm levado muitas espécies à extinção, e é urgente agirmos agora para mudar isso. Isto significa aumentar as penas para os criminosos, bem como deixar de se consumir qualquer item que envolva ingredientes de origem animal.

Animais, de acordo com muitas tradições, já foram protegidos de um dilúvio global e abrigados em uma arca, tamanha a sua importância.

Hoje, muitas dessas mesmas espécies animais enfrentam uma nova inundação catastrófica mas, desta vez, a chuva mortal é causada por seres humanos. Animais em todo o mundo enfrentam uma chuva de balas, envenenamentos, armadilhas e ciladas.

Alguns dos animais mais exóticos do planeta como tigres, elefantes e rinocerontes estão mais perto da extinção do que da salvação.

Se a beleza está desaparecendo tão rápido do mundo, o que fazer com tanto horror? Cartazes do tamanduá-escamoso, mais conhecido como pangolim, podem não estarem pendurados em muitas paredes, mas ele é provavelmente o animal mais caçado do mundo.

Elefantes africanos são mortos em uma velocidade bem maior do que conseguem nascer.

Em maio de 2015, a polícia de Kohima, na Índia, apreendeu cerca de 10 toneladas de escamas de pengolin, apenas uma das muitas apreensões. Mais de 100 mil pangolins são mortos todos os anos por causa de suas escamas, que custam mais de $3,000 (R$ 11.800) o quilo em mercados asiáticos, continente no qual se acredita que as escamas do tamanduá possuam poderes mágicos.

E há outros.

Pythons, antílopes, tartarugas e várias espécies de aves fazem parte de uma infeliz lista de animais que não estão indo dois a dois para a segurança, mas um a um para o esquecimento.

Nós temos que agir rapidamente para proteger e conservar a biodiversidade desse planeta.

Isso significa perseguir os criminosos e acabar com o tráfico inconsciente destas espécies vulneráveis; mas também significa redução da procura e oferta de meios de subsistência alternativos para as comunidades locais envolvidas no comércio.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime argumenta que os países precisam trocar multas e penas não privativas de liberdade por penas de prisão gravíssimas. Penas de quatro anos ou mais podem resultar no uso da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, se adotadas pelos países.

Isso irá criar efetivamente uma rede global de países dispostos a compartilhar informações, realizar operações conjuntas e oferecer assistência jurídica de valor inestimável.

Países e organizações intergovernamentais parecem estar escutando. Na semana passada, a Comissão Europeia lançou um plano de ação que solicitou que membros do Estado introduzissem penas de prisão de mais de quatro anos. O plano também recomenda que a União Europeia encoraje países a agir por meio de políticas comerciais negociadas, algo que os EUA foram pioneiros anteriormente.

Mas somente isso não irá conter a forte demanda que alimenta o tráfico.

Alterar o pensamento dos mais conservadores é uma parte essencial na luta contra a demanda, mas os jovens devem ser o público-alvo. Espécies frágeis só estarão a salvo se os jovens e as gerações futuras rejeitarem o misticismo e abraçarem a ciência.

Todas essas ações podem e devem ser feitas.

O que não podemos, entretanto, é esquecer de comunidades e sociedades que viveram lado a lado com animais por dezenas de milhares de anos. O mundo adotou, em setembro do ano passado, a agenda de desenvolvimento sustentável de 2030, que visa garantir segurança e prosperidade para todos.

Se formos conservar espécies animais e promover o desenvolvimento sustentável para comunidades expostas, meios de subsistência alternativos devem ser oferecidos como uma maneira de atingir ambos objetivos. Tal mudança pode capacitar as comunidades a viver em harmonia com tudo ao nosso redor e assegurar o seu desenvolvimento sustentado.

No dia 3 de março foi comemorado o Dia Mundial da Vida Selvagem, ainda que outro ano tenha se passado com a “piscina” das espécies animais continuando a ser esvaziada. Não se trata de uma fonte inesgotável.

Temos de agir agora, ou vamos ter de construir uma outra arca para proteger a diversidade maravilhosa deste planeta. Não de uma inundação, mas de nós mesmos.


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