Qual é o animal mais inteligente que você come?


Danielle Bohnen em colaboração para a ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Divulgação
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A cada dia aprendemos um pouco mais sobre a inteligência dos animais. O ego de nossa espécie tem dado espaço para classificarmos nossos companheiros de planeta em algo mais do que “humanos espertos, o resto tonto”.

Sabemos que os golfinhos contam com cérebros tão complexo como o nosso. Que as cacatuas podem dançar e fazer perguntas existenciais e as baleias são tão criativas como nós quando caçam sua comida. Mas, e os animais que nos servem de “comida”? Estamos cozinhando seres mais capazes do que pensamos.

Mas, o que é a inteligência animal? Levamos muito muito tempo para nos dar conta que não é como a nossa e, portanto, não podemos tentar medi-la como tal. Até pouco tempo atrás os testes aos quais eram submetidos apresentavam três problemas: o design do experimento (que ensinar sinais a um animal sem mãos é o mesmo que tentar decifrar, sem conhecimento prévio, a linguagem corporal de um gato”, a humanização como mostra de inteligência e não ter ideia de como fazem as coisas.

O polvo

Ainda assim, aos poucos temos descoberto coisas que nos farão pensar se não estamos comendo vizinhos evolutivos com capacidades mentais surpreendentes. Como os polvos. O sistema nervoso desses invertebrados os torna uma das criaturas mais inteligentes e fascinantes do planeta. São capazes de usar ferramentas, algumas famílias são capazes de mimetizar com o ambiente de forma alucinante, podem aprender com seus erros, desenvolver estratégias e resolver problemas complexos.

Possuem uma destreza corporal com a qual não podemos nem sonhar: cada tentáculo tem uma “mente” própria, por isso conseguem realizar movimentos independentes. São aventureiros e exploradores, capazes inclusive de enganar a pesca submarina.

São tão diferentes de nós que alguns pesquisadores os classificaram como “inteligência alienígena”. Tanto que são os únicos invertebrados com tratamento especial dos leis sobre experimentação animal no Reino Unido. São capazes de “escorrer-se” por inteiro através de um furo pequeno, por isso protagonizaram fugas de todo o tipo e ultrapassar obstáculos desenhados para eles.

A sua família, cefalópodos , é considerada como “os primeiros seres inteligentes do planeta”. Também há teorias de como decoram suas casas, o que fazem há dezenas de anos, seus antepassados faziam autorretratos os as vértebras de suas vítimas, como dizem.

Infelizmente, eles não possuem nenhum tipo de transmissão cultural entre gerações, até onde sabemos. Se os polvos fossem capazes de ensinar a suas descendentes o que sabem e aprendem, jamais alguém tentaria come-lo.

O porco

Comer porco é algo tão natural que as pessoas sempre se esquecem que são os animais do planeta mais parecidos com o ser humano por dentro. Existem casos documentados de que, há séculos, algumas pessoas preferiam os porcos do que os cães como mascote. São astutos, capazes de enganar o inimigo intencionalmente, algo que poucos animais apresentam. São tão espertos que, ao serem submetidos ao teste do espelho, usado para saber se um animal tem consciência de si mesmo, em algumas horas consegue interpretar como funcionam os espelhos e usa-los para encontrar objetos ocultos.

Também possuem uma complexa estrutura social. Podem identificar e se lembrar de outros animais, porcos ou não. Também respondem pelo seu próprio noma, assim como nós. Segundo pesquisas, são capazes de jogar videogame e realizar outros testes de inteligência criados para primatas.

A vaca

Surpresa: apartar os bezerros de sua mãe e fazer a descorna produz a esses animais algo parecido ao pessimismo. E não é só isso. São mais espertas do que pensávamos, são capazes de aprender – em seu ritmo – estímulos individuais e de desfrutar de sua própria vitória quando aprendem a resolver problemas.

As vacas podem não parecer tão inteligentes em comparação com o resto dos animais, mas a exibição de cognição emocional que os estudos registram nos faz vê-la com outros olhos. Pode ser que não há como classificar os animais em uma escala linear de inteligência, já que muitas espécies possuem capacidades únicas que temos ignorado em busca de um QI animal inexistente.

Outros animais de granja

Além de um complexo sistema de comunicação de pelo menos 30 sinais únicos, sabemos que as galinhas são capazes de habilidades rudimentares de matemática (podem diferenciar entre um grupo grande e um grupo pequeno) e de entender certas propriedades transitivas (se A é maior que B e B é maior que C, então A é maior que C).

Outra amostra de que ainda falta muito para entendermos sobre os animais, é que os perus não são completamente tontos, na verdade, a domesticação e certas condições genéticas os fazem parecer assim. Não, não se afogam com a chuva porque são tão bobos que ficam olhando o céu, , na verdade, sofrem de torcicolo. Não, não são tão estúpidos que ignorem que não podem voar, apenas foram criados para serem muito mais gordos que seus primos selvagens – que voam muito bem. Não, não é verdade que não sabem como reproduzir-se sozinhos: são tão gordos que conseguem. Isso já dizia o pesquisador Tom Savage, em 2003 depois de 30 anos de estudos.

Alguns animais são mais capazes em uma área do que em outra. Uma pesquisa demonstrou que algumas cabras podiam aprender a resolver o “teste da caixa”, que consiste em ativar um mecanismo para conseguir comida. E se lembrar 10 meses depois. Além disso, se colocavam outras cabras olhando como as que aprenderam faziam, eram incapazes de aprender por observação.

Entretanto, tal pesquisa demonstra os problemas humanos que falamos mais acima. A amostra? 12 cabras. Nove aprenderam a usar o mecanismo. Duas foram desclassificadas por tentar um atalho (abrir a caixa a patadas), o que é bastante arbitrário: “esta cabra é estúpida porque não resolve o problema como eu quero”, algo que nos recorda muito os anos de colégio. A última era uma boba perdida: depois de 22 tentativas, desistiram. Ou seja, 25% de uma amostra já reduzida não confirma o experimento por decisão humana ou porque escolheram a cabra menos estimulada no local. A falta de resultados confiáveis é comum nesse artigo.

Há pouco tempo, pensávamos que os elefantes não sabiam usar ferramentas para conseguir comida. Mas ele podem sim, o problema é que o teste usado para comprovar era somente dar-lhes um pedaço de pau para usarem com a tromba. E a tromba é o que utilizam para procurar alimentos. Como explicavam em The Atlantic, “é como se desse a um humano talheres com este estando com os olhos nas mãos”.

Entre as precárias pesquisas e problema principal como realizarem testes que saiam de nosso perspectiva antropocêntrica, somente podemos supor o que passa na cabeça de nossos companheiros de planeta. Com os primatas e cetáceos é mais fácil, mas também por antropocentrismo. Eles têm sistemas de comunicação que nos fazem pensar que possuem um tipo de linguagem. E porque podem resolver alguns problemas em algumas áreas como a memorização de elementos aleatórios, que poderíamos confundir facilmente com inteligência. O antropocentrismo se desvanece quando examinamos animais que estão mais longe de nossa perspectiva de mamíferos. Ultimamente descobrimos que alguns animais, como os corvos, são tão fascinantes como os povos, são capazes de manipular objetos até transforma-lo em ferramenta – um comportamento avançadíssimo. Ou de montar planos de várias etapas para alcançar um objetivo. Sem que ninguém os ensine como faze-lo, combinamos a isso sua capacidade de aprender com outros corvos, criar estratégias em conjunto e possuir uma excelente memória e capacidade de reconhecimento – sim podem se lembrar de seu rosto. Bom, o que dizíamos sobre os polvos. Neste caso, a sorte dessas aves de aspecto gótico é que não fazem parte do cardápio humano.


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