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Operação Boitatá: a serpente de um milhão de dólares

Era junho de 2011, Carlos Magno Abreu, analista ambiental do IBAMA, mais conhecido como “Batata”, apelido da Faculdade, entrava no Zoonit – Zoológico de Niterói – acompanhando a operação do...

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17/02/2016 às 16:40
Por Redação

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Era junho de 2011, Carlos Magno Abreu, analista ambiental do IBAMA, mais conhecido como “Batata”, apelido da Faculdade, entrava no Zoonit – Zoológico de Niterói – acompanhando a operação do IBAMA, com apoio da Polícia Federal, para fechar aquele centro de maus tratos e tráfico de animais.

Parou em frente ao hóspede mais conhecido do Zoológico, o chimpanzé Jimmy, que o olhava de sua jaula com curiosidade. Ele pensou para si “isso não está certo”. Os olhares se cruzaram e existiu uma conexão; mentalmente pediu desculpas para Jimmy pelo absurdo de ser obrigado a viver naquela prisão por indivíduos de sua espécie e lhe garantiu que iria colocar atrás das grades os que fizeram isso com ele. Segundo Magno, Jimmy, de forma indireta, talvez seja o principal responsável pela Operação Boitatá.

Outro responsável pelo trabalho exaustivo que naquela época se iniciava foi Peter Singer, filósofo australiano, fundador do Projeto GAP e autor do livro com o qual o Magno se deparou pouco depois: “Animal Liberation”. O livro o impulsionou a lutar durante dois anos até desmascarar os traficantes humanos, que, encobertos em zoológicos e criadouros de animais, destroem milhões de vidas inocentes de animais silvestres nativos e exóticos.

Em 2005, como era habitual pela Polícia Ambiental e o Corpo de Bombeiros, quando um animal era capturado, era entregue ao Zoonit. Aquele dia, daquele ano, uma serpente muito rara, totalmente branca, foi entregue lá. Em 12 de novembro de 2006, em um vídeo amador no Youtube, com 130.000 visualizações, a Boa constrictor leucistica era mostrada.

Em 2011, quando as operações no Zoonit se realizavam, até esvaziá-lo e fechá-lo, um veterinário contou daquela serpente totalmente branca, que aparentemente não existia mais, já que a Administradora do Zoológico informou aos Bombeiros que a tinha levado para sua casa, e que poucos dias depois tinha morrido e a tinha enterrado sem fazer necrópsia. Durante 9 meses aquela joia genética, para os herpetologistas, morou naquele centro do tráfico, motivou até duas matérias na TV Globo, e um dia desapareceu.

A curiosidade de Magno é infinita e seu compromisso mental com Jimmy o levou a mergulhar durante dois anos numa investigação que o levou a todo tipo de lugares e situações, e o converteu em um “expert” na investigação cibernética.

O leucismo – ele fala – é um pouco diferente do albinismo, embora também seja uma mutação genética recessiva que faz com que um animal geralmente escuro apresente uma coloração mais clara ou mesmo branca, sem embargo; no leucismo, a perda de pigmentos é parcial. Diferentemente do albinismo – ele explica – o leucismo não afeta diretamente a visão, porque os animais continuam tendo pigmentos nos olhos, que podem ser de diversas cores.

Segundo o livro de Magno, “A História da Operação Boitatá”, existem mais de um milhão de pessoas nos Estados Unidos que possuem serpentes como animais de estimação e doze mil criadouros comerciais, que movimentam mais de 100 milhões de dólares por ano. Somente em 2008, mais de 30 mil serpentes foram importadas legalmente nos Estados Unidos.

Porém, para um criador e vendedor de animais silvestres como Jeremy Stone, em sua empresa Jeremy Stone Reptiles, não passaria desapercebido o que estava acontecendo no Zoonit e aquela joia genética deveria ser sua. Mas para isso, a Princesa Diamante (Princess Diamond) – como ele a chamava – teria que ser comprada a qualquer preço!

A Princess Diamond era macho, daí Magno, em seu livro, terminou chamando-a de Nascimento, como o personagem do filme Tropa de Elite. Porém,devido ao caráter recessivo em sua genética, poderia gerar, como gerou, dezenas de netos leucísticos, que o converteria em uma fonte imensa de dinheiro que pagariam os colecionadores de serpentes raras no mundo.

O trabalho de Magno culminou no dia 05 de setembro de 2013, quando numa ação conjunta de busca e apreensão simultânea, no Brasil e nos Estados Unidos, na empresa de Stone e na casa dos administradores do agora fechado Zoonit, novas provas foram coletadas e os administradores do Zoológico terminaram presos. Jeremy Stone, segundo Magno, escondeu Nascimento em algum lugar e notificou as autoridades Norte-Americanas que tinha falecido, porém sem mostrar provas do fato.

Uma ordem de captura internacional pela INTERPOL foi emitida contra Jeremy Stone, caso seja apanhado em algum país que tenha tratado de extradição com o Brasil.

O livro de Magno é fascinante, já que conta passo a passo todo seu trabalho via Internet para reunir as provas, que, mostradas ao IBAMA, detonaram em Brasília a Operação Boitatá.

Saiba mais:

http://somosunsbossais.blogspot.com.br/2015/12/carta-aberta-ao-sr-jeremy-stone-sobre.html?m=1

http://somosunsbossais.blogspot.com.br/2013/10/livro-historia-da-operacao-boitata-e.html

 

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