Homem passa os dias com elástico nas mãos para proteger ninho de pombas em Campo Grande (MS)


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Da janela da sala, do segundo andar de um edifício na Rua 13 de Junho, seu Mirched acompanha o vai e vem da mãe pomba no ninho. Há dois meses, desde quando percebeu a movimentação de gravetos na árvore em frente à janela, viu nascer também um afeto às aves. Na volta do trabalho, o lugar preferido da casa acabou se tornando aquela janela e as visitas lhe ensinaram muito sobre a rotina da família.

“É uma pomba ‘fogo apagou’, porque a hora que ela canta é assim: ‘fogo apagou, fogo apagou'”, explica o empresário Mirched Jafar, de 80 anos. No momento em que o portal de notícias da região foi visitar o ninho e a rotina de quem cuida dele, a pomba mãe fez só uma passagem, para alimentar o filhote.

“Como ele está crescendo, a mãe sai mais vezes para buscar alimento”, explica Mirched. Os cuidados já têm dois meses e são intensos. De quem fica à espera do predador para defender a ninhada. Na chave que fecha a cristaleira ao lado da janela, ficam as “artimanhas” usadas pelo simpático senhor. São borrachinhas, elásticos que ele garante que não machucam, apenas espantam quem quiser tirar o sono do filhote.

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“Esses dias um tucano chegou num outro ninho, ele é carnívoro, mas pouca gente sabe. Ele jogava o passarinho para o alto e comia. Não é para machucar, só para espantar”, reafirma. Ele segue a explicação dizendo que seu papel ali é o de cuidar. “Eu sei que a gente não deve interferir na natureza, que é a lei do mais forte, mas ela está cuidando do filhote e não quero que aconteça o que aconteceu com o outro pássaro”, completa.

Nem a pomba nem o cuidador parecem se importar com a movimentação intensa de carros e obra que a rua tem. Do lado de lá da via, uma construção martela manhã e tarde, um barulho que reveza entre as buzinas e freadas do trânsito. A paz que existe no segundo andar, janela adentro e janela fora, parecem poesia para quem acompanha.

“Hoje ela está demorando para voltar…” seu Mirched sabe até o tempo, o intervalo entre um passeio e outro da mãe. “Ele já está grande, então não cabem mais os dois no ninho, ela alimenta ele, mas depois fica no galho”, conta sobre as observações.
Quando a mãe não está, o filhote mal levanta a cabecinha. Fica o tempo todo encolhido no ninho de tal forma que até é difícil enxergá-lo. Só quem conhece, como seu Mirched, que consegue saber. “Quando ela chega, ele se mexe, se alonga, se exercita”, diz.

Ele se defende sabendo que não o alimenta porque tem consciência das doenças que podem transmitir, mas não deixa de ter o cuidado. Na chuva forte dos últimos dias, a preocupação foi com o balançar dos galhos. “Eu fiquei com medo, mas ela estava ali, ficou em cima dele e os dois abaixadinhos”, conta.

O tempo está passando e seu Mirched sabe disso. Pelas contas, ele acredita que em uma semana, o filhote já deve estar voando e o ninho será desfeito. “Gostar eu gosto muito. Gosto de natureza, e não faço nada predatório, pelo contrário, até combato. Sempre convivi com a natureza, é onde eu me sinto melhor”, narra. Se vai fazer falta quando o filhote voar? E como!” Eesponde seu Mirched.

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Fonte: Campo Grande News


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