Cães sobreviventes de massacre não serão despejados


Moça loira de cabelos longos, muito sorridente, está abraçando um cachorro branco que também parece sorrir.
Raquel Viana no abrigo Au Family. Mobilização popular impediu despejo dos mais de 400 animais. Foto: Divulgação

Fátima ChuEcco/Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

A população de Belém (Pará) se mobilizou e a Au Family, ONG que cuida dos cães sobreviventes do caso que ficou conhecido como “O massacre de Arari”, ganhou permissão para reformar os quatro abrigos que, ao todo, reúnem pouco mais de 400 animais, incluindo 180 gatos. A Delegacia do Meio Ambiente de Belém, há pouco mais de uma semana e num primeiro momento, quis que os quatro abrigos da ONG fossem transferidos para outro local e que uma densa documentação de funcionamento fosse apresentada em 72 horas, mas a ONG terá também agora mais tempo para providenciar as exigências.

Um possível despejo, conforme relatado em matéria da ANDA levou voluntários da ONG e população ao pânico, afinal, sem condições de abrigar tantos animais em outro lugar, qual seria o destino deles? Além do mais, boa parte dos cães que estão hoje na Au Family já tinham sobrevivido a uma verdadeira caçada em 2013 quando foram capturados brutalmente nas ruas de Santa Cruz do Arari e jogados ao mar para se afogarem. Vários conseguiram nadar até uma ilha de população muito carente e estavam morrendo de fome. Depois de um resgate de tirar o fôlego realizado pelo grupo Resgate Sem Fronteiras (de SP), que incluiu viagem de barco abarrotado de cachorros que mal conseguiam se manter em pé, eles finalmente chegaram à Au Family.

Interior de um barco cheio de cachorros deitados. São tantos que nem se pode ver quase o piso.
O resgate dos cães em uma ilha foi ousado e incluiu um barco lotado de animais cansados e famintos. Foto: Resgate sem Fronteiras

“Muita gente escreveu para a Delegacia de Meio Ambiente de Belém pedindo a permanência dos animais nos nossos abrigos, afinal, estamos precisando de reformas urgentes, mas pelo menos temos espaço próprio para esses cães e gatos. Vamos trabalhar em conjunto com a prefeitura que reconheceu nosso trabalho como essencial no município. Inclusive, publicou até nota dizendo que deseja que o nosso trabalho continue. De imediato irão disponibilizar um castramóvel para os animais dos moradores em torno dos abrigos da Au Family porque eles acabam jogando as crias na nossa porta e nosso problema só aumenta. Estamos lotados. Não podemos receber mais animais”, diz Raquel Viana, fundadora da ONG.

“Além disso, engenheiros da prefeitura também virão analisar as reformas que precisamos fazer e serão dadas palestras sobre posse responsável em pontos da comunidade. Para as reformas vamos precisar de todo tipo de ajuda, de material de construção à mão de obra. Um gatil é uma das coisas mais urgentes porque atualmente os gatos estão ficando em gaiolas fazendo revezamento para poderem sair um pouco dentro da casa onde estão alojados. Em breve faremos também uma vakinha”, complementa. Quem puder ajudar deve entrar em contato com a Raquel pelo seu Facebook onde é possível acompanhar um pouco o trabalho da Au Family. A ONG também vende almofadas, canecas, camisetas e chinelos com estampas de cães e gatos para arrecadar renda.

A mesma moça loira da foto anterior está segurando um cachorrinho marrom com uma mão e com a outra uma caneca estampada com a foto do mesmo cão.
A Au Family vende canecas, almofadas, chinelos e outros itens para ajudar a pagar as despesas. Foto: Divulgação

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