Conteúdo ANDA

Cães sobrevivem à massacre no Pará e correm novo perigo

Momento do resgate de mais de 80 cães da Ilha do Francês onde vários conseguiram chegar depois de serem lançados pra morrerem no mar. Descrição para deficientes visuais: Um barco de madeira  está lotado de cães esqueléticos de várias cores e tamanhos. Foto: ONG Resgates sem Fronteiras
Momento do resgate de mais de 80 cães da Ilha do Francês onde vários conseguiram chegar depois de serem lançados pra morrerem no mar. Descrição para deficientes visuais: Um barco de madeira está lotado de cães esqueléticos de várias cores e tamanhos. Foto: ONG Resgates sem Fronteiras

Fátima ChuEcco/Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Depois de “renascerem” das trevas e serem levados para abrigos, mais de 100 cães de Santa Cruz do Arari, de Belém (Pará), correm agora outro perigo: novo extermínio e, dessa vez, junto com outros 300 animais resgatados das ruas. É que corre risco de fechar o abrigo Au Family, que acolheu os sobreviventes de um terrível massacre comandado pelo prefeito de Santa Cruz do Arari em 2013. O caso comoveu o Brasil e foi parar em jornais e TVs.

Na época, a matéria publicada na Anda, com mais de 22 mil curtidas e 300 comentários https://www.anda.jor.br/19/06/2013/grupo-resgata-caes-sobreviventes-em-santa-cruz-do-arari-pa dizia que os cães, com o audacioso resgate feito pelo grupo “Resgates sem Fronteiras” que incluiu transporte de 82 animais de barco e sob forte correnteza, literalmente, deixaram o inferno para entrarem no céu. Eles foram caçados pelas ruas de Santa Cruz, mortos de diferentes formas e também jogados ao mar para se afogarem. Como havia pagamento pela captura dos animais, não só cães de rua, mas também os que tinham lares foram roubados de suas casas para um dos mais cruéis destinos.

FAÇA PARTE DO #DiaDeDoarAgora EM 5 DE MAIO
O resgate foi audacioso com cães exaustos empilhados num barco e enfrentando a correnteza antes de chegarem ao abrigo da Au Family. Descrição: Interior de um barco onde dezenas de cães estão deitados. São tantos que cobrem quase que completamente o piso do barco. Foto: ONG Resgates sem Fronteiras
O resgate foi audacioso com cães exaustos empilhados num barco e enfrentando a correnteza antes de chegarem ao abrigo da Au Family. Descrição: Interior de um barco onde dezenas de cães estão deitados. São tantos que cobrem quase que completamente o piso do barco. Foto: ONG Resgates sem Fronteiras

Calcula-se que cerca de 300 animais foram mortos. Alguns conseguiram nadar até a Ilha do Francês, mas lá ficaram exaustos, feridos e passando fome. Com toda a exposição da situação na mídia, conseguiu-se organizar um resgate. A operação consistiu em atravessar um rio por quase três horas de lancha e depois mais um trecho de água até a Ilha do Francês num barco menor. Feito isso, os cães andaram de barco em duas etapas no caminho de volta. “Devido à correnteza, a embarcação começou a balançar muito. Foi um sufoco de mais de uma hora. Poucos animais resistiram porque a maioria, em virtude da fraqueza, não conseguia nem ficar em pé”, diz a matéria da ANDA.

Finalmente em terra firme foram transferidos para um caminhão com destino ao abrigo da Au Family onde estão até hoje, salvo alguns que conseguiram ser adotados. Agora eles correm o risco de fazer o trajeto contrário, ou seja do ceú ao inferno novamente e, quem sabe, serem alvo de novo extermínio se forem adotadas medidas de controle animal semelhantes as aplicadas pela prefeitura naquela ocasião.

Os abrigos da Au Family são espaçosos, mas necessitam de reformas urgentes que a ONG não tem condições de realizar sem ajuda do governo e doações. Descrição: Cães estão dentro de baias num terreno grande. Há três cães em uma baia e um porco em outra. Foto: Au Family
Os abrigos da Au Family são espaçosos, mas necessitam de reformas urgentes que a ONG não tem condições de realizar sem ajuda do governo e doações. Descrição: Cães estão dentro de baias num terreno grande. Há três cães em uma baia e um porco em outra. Foto: Au Family

A Delegacia de Meio Ambiente de Belém deu ao abrigo 72 hs para apresentar uma série de documentos que a ONG não tem como providenciar em tão pouco tempo, segundo a fundadora Raquel Viana que cedeu quatro propriedades suas para alojar os animais: “Foi feita ontem uma grande manifestação pelo facebook. Várias pessoas enviaram mensagens à Delegacia do Meio Ambiente explicando a importância da Au Family. Precisamos que reconheçam nosso trabalho e nos ajudem. Temos espaço e terreno. Precisamos de ajuda para as reformas. A prefeitura diz que somos o melhor abrigo da região, principalmente em termos de cuidados veterinários, mas não tem intenção de arcar com esses animais, então o que será feito deles se os tirarem dos abrigos onde estão hoje?”, comenta Raquel.

Ela acredita que, sem espaço para abrigar os 400 animais, a prefeitura decida induzir todos à morte. Isso seria o fim de um trabalho árduo de resgate que envolveu pessoas de todo o Brasil e o fim de outro trabalho duro que vem sendo realizado pela Au Family para manter esses animais. Frustrante. Cruel. Injusto. Quantas palavras caberiam numa situação como essa?

Além dos cães há 180 gatos. Uma das quatro casas da ONG poderia ser transformada em gatil com uma boa reforma. No momento os gatos precisam ficar em baias ou caixas de transporte. Descrição: A foto mostra várias baias sendo algumas com cães e outras com gatos. O interior das baias é limpo, de azulejo, mas a parte externa está degradada. Foto: Au Family
Além dos cães há 180 gatos. Uma das quatro casas da ONG poderia ser transformada em gatil com uma boa reforma. No momento os gatos precisam ficar em baias ou caixas de transporte. Descrição: A foto mostra várias baias sendo algumas com cães e outras com gatos. O interior das baias é limpo, de azulejo, mas a parte externa está degradada. Foto: Au Family

“Temos uma despesa de 20 mil reais por mês. São consumidos 75 kg de ração para cães por dia e 25 kg de ração para gatos. Pagamos sete funcionários e um veterinário. Além disso, estamos com 70% dos animais castrados. Eles recebem alimento e cuidados. O que mais precisamos é de ajuda para a construção de canis e de um gatil. Isso seria uma forma de resolver o problema. Todo mundo ganharia com isso, os animais e a população”, comenta a protetora que é formada em Advocacia mas preferiu se dedicar integralmente aos animais carentes.

A Au Family foi fundada em 2007 com 50 animais resgatados das ruas de Belém. Na época do massacre de Arari já tinha 300 e a população passou de 400 com o recebimento de mais 104 animais sobreviventes em estado de desnutrição, feridos e doentes. “Isso nos impediu de investir em reforma porque as despesas aumentaram muito. Entre os mais de 400 animais há 180 gatos que, devido ao pouco espaço na casa onde foram alojados, precisam passar parte do tempo engaiolados ou em caixas de transporte. Uns são soltos nos quartos da casa durante o dia e outros à noite num revezamento estressante para funcionários e animais. É muito triste. Temos um grande terreno para fazer um gatil. Só nos falta apoio para concretizar esse sonho”.

Raquel Viana, fundadora da Au Family, pede doação de material de construção, pois, os terrenos para construção de canis e gatil ela já tem. Descrição: Um terreno com material de construção espalhado pelo chão de terra. Ao fundo se vô o começo da construção de baias espaçosas. Foto: Au Family
Raquel Viana, fundadora da Au Family, pede doação de material de construção, pois, os terrenos para construção de canis e gatil ela já tem. Descrição: Um terreno com material de construção espalhado pelo chão de terra. Ao fundo se vô o começo da construção de baias espaçosas. Foto: Au Family

Raquel assinala ainda que os abrigos viraram local de desova de animais. O índice de abandono na porta dos abrigos é “gigante”, segundo ela. “E a vizinhança costuma envenenar os animais que às vezes escapam, principalmente, os gatos. Temos 15 filhotes largados aqui que estão em lar temporário porque não há mais espaço para abrigá-los. E a adoção de gatos está muito difícil. Temos 25 filhotes pretos que ninguém quer adotar”, explica.

Ela também cita os materiais de que necessita para fazer as reformas: “Precisamos de doação de ferros, tijolos, telhas, areia, seixo, kimikal, madeira, lajotas, argamassa e o que mais for essencial para construção dos canis e gatil”. Outra forma de ajudar é doando ração e adquirindo produtos da ONG como camisetas, chinelos e canecas com estampas de cães e gatos que podem ser vistos no site.

Além dos 400 animais que a Au Family já abriga, a população acostumou-se a desovar principalmente filhotes de gato no local, agravando o problema da ONG. Descrição: Três filhotes de gato estão em uma gaiola. São dois pretos e brancos e um siamês. Eles olham para a câmera. Foto: Au Family
Além dos 400 animais que a Au Family já abriga, a população acostumou-se a desovar principalmente filhotes de gato no local, agravando o problema da ONG. Descrição: Três filhotes de gato estão em uma gaiola. São dois pretos e brancos e um siamês. Eles olham para a câmera. Foto: Au Family

Raquel, num esforço sobrehumano para manter os quatro abrigos/casas, ainda faz ainda bolos e doces para arrecadar dinheiro. Mais notícias sobre o Au Family e formas de ajudar podem ser vistas no Intagram ou Facebook.

É permitida a reprodução total ou parcial desta matéria desde que citada a fonte ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais com o link. Assim você valoriza o trabalho da equipe ANDA formada por jornalistas e profissionais de diversas áreas engajados na causa animal e contribui para um mundo melhor e mais justo.

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui