Você conhece Inhamelete?


Foto: Arquivo Pessoal.
Foto: Arquivo Pessoal.

A nossa seção culinária vegetariana de hoje é com a advogada e ativistas pelos direitos animais Natasha Mauerberg, que nos conta como foi seu processo de adoção da dieta vegetariana e do modo de vida vegano, além de nos agraciar com duas receitas bem legais, uma de Inhamelete (acompanhado de suas propriedades nutricionais) e a outra de Trufa de Tâmaras com Cacau.

“Quando parei de comer carnes, foi exclusivamente pensando no sofrimento dos animais. Não como ovos in natura há uns 15 anos e não bebo leite roubado das vacas há uns 10 anos. Mas, de qualquer modo, acabava consumindo queijos e ovos (quando estavam escondidos em receitas). No ano de 2012 fui viajar com uma turma e me perguntaram se eu era vegetariana; eu falei que era ovolactovegetariana. Todos afirmaram que eu já fazia demais, porque, afinal de contas, nem as vacas e nem as galinhas sofriam na produção de leite e ovos. Tive uma epifania. Algo na minha consciência despertou e me fez pensar: será que não há exploração e nem sofrimento?”, relata a advogada.

Não satisfeita com sua prática, Natasha começa a pesquisar sobre o assunto e tem contato com a obra “Galactolatria – mau deleite”, da filósofa Sônia Felipe. Uma leitura transformadora.

“Senti-me vivendo uma das maiores incoerências da minha vida. A cada página que eu lia, ocorria simultaneamente uma desconstrução do que eu havia engessado como certo. Sonhava com bezerros sendo afastados de suas mães, com pintinhos sendo esmagados vivos, com vacas sendo estupradas e forçadas a produzir leite. Meu mundo estava desmoronando, mas, ao mesmo tempo, um novo mundo estava sendo construído.”

O ano de 2012 estava para terminar e a decisão estava tomada – e a meta para o ano seguinte era viver plenamente o ideal ético –, tornar-se vegana.

Segundo a advogada a virada se deu a partir da seguinte experiência: “o fim do ano passou e no dia 5 de Janeiro de 2013 saí para comer pizza com amigos. Naquela noite eu passei muito, mas muito mal e com dores de cabeça muito fortes. No outro dia eu acordei e pensei que poderia ter sido uma alergia alimentar, mas também pensei que o que estava doendo, na verdade, não era minha cabeça, mas sim a minha consciência. Eu não poderia mais me enganar. A Verdade sempre está na nossa consciência e cabe a nós fazer o que é certo. Naquele 6 de Janeiro eu decidi me tornar vegana para nunca mais voltar atrás.”

Inhamelete

inhamelete
Foto: Arquivo Pessoal.

Ingredientes:

– 2 Inhames médios – serve muito bem 2 pessoas
-1 cebola pequena
– Sal
– Cúrcuma
– Cheiro verde
– 1 colher de chá de Óleo de Coco

Modo de preparo: Descasque o inhame, pique em pedaços pequenos e leve ao fogo numa panela com água e pouco sal até amolecer. Pique o cheiro verde e a cebola em pedaços pequenos. Quando o inhame estiver bem molinho, retire-o da água e amasse-o com um garfo até ficar uma massinha (tipo purê). Adicione a cúrcuma e vá mexendo para misturar bem.
Numa frigideira ANTIADERENTE adicione o óleo de coco e a cebola e deixe dourar. Em seguida adicione a massa do inhame e o cheiro verde na frigideira e vá misturando até a massa ficar homogênea. Com uma colher de madeira eu divido a massa em quatro partes para ficar mais fácil de manejar. Vá modelando cada parte até ficar redondo. Deixo dourar um lado e viro cada parte para que doure do outro lado. Fica crocante por fora e cremoso por dentro.

* Pode ser servido diariamente nas refeições, pode ser um pré treino, pode ser servido de modo mais sofisticado (dependendo dos acompanhamentos).
Eu servi na foto com legumes brevemente salteados, arroz integral com amêndoas e brócolis.

* O inhame é um ótimo alimento para a saúde e para os esportistas. Como eu não sou muito fã de batata doce e pratico atividades físicas, resolvi adicionar esse magnífico alimento na minha dieta. Segundo Woolfe (1992) o inhame possui menos carboidrato, mais proteína, menos lipídio, mais cálcio, mais fósforo (que por sinal, quantidades bem significativas), mais ferro e mais fibras que a batata doce.

Trufa de Tâmaras com Cacau

Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Ingredientes:

-1 xícara de tâmaras sem caroço, picadas
-1/2 xícara de castanhas de caju
-2 colheres de sopa de cacau
-1 colher de sopa de melado ou óleo de coco

Modo de preparo:
Em um processador, bater as tâmaras e castanhas por 1 minuto, até ficarem bem incorporadas. Adicionar o cacau, o melado/óleo de coco e bater até obter uma massa boa para moldar bolinhas. Moldar em formato de bolinhas e, se quiser, passar no cacau, ou no coco ralado ou em castanhas trituradas e guardar na geladeira.

Você também pode participar

A ANDA começa uma fase com novas seções em seu portal. Uma delas é essa aqui, com receitas vegetarianas envidas por convidados que estão de alguma forma engajados na causa animal ou são simpatizantes. Essas pessoas estarão também contando por que optaram pelo veganismo e como se sentem hoje com uma alimentação sem sofrimento animal. E os leitores da ANDA também poderão participar enviando suas receitas vegetarianas com boas fotos, nome completo, cidade, profissão e contando como foi a trajetória para o vegetarianismo ou veganismo por meio do faleconosco@anda.jor.br

Nota da Redação: Como a seção é sobre culinária e a dieta da pessoa vegana é o vegetarianismo, se utilizará sempre os termos: “culinária vegetariana”, “dieta vegetariana” e “receitas vegetarianas”, no sentido de não conter nada de origem animal (ovos, mel, leites e derivados, todos os tipos de carnes, cochonilha, gelatina, etc.).


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

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