Projeto da Universidade Federal Fluminense realiza operações em cães de focinho curto com o preço até 80% menor


Cachorrinho Oto RJ
Divulgação

Fica difícil ignorar tanta fofura quando se trata de algumas raças de cães de focinho curto como pug, shih-tzu, boxer, bulldog frânces ou inglês, entre outras. Mas, uma das característica mais marcantes, o “nariz” pequeno traz problemas aos cães. Muitos sofrem com a chamada Síndrome Braquiocefálica; alterações na anatomia dos animais que acabam dificultando a respiração.

A saída é a mesa de cirurgia. O Projeto Narizinho, da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, Região Metropolitana do Rio, faz a operação com valor até 80% abaixo do que é feito em clínicas particulares.

“O preço é quase simbólico. Não cobramos a cirurgia, e sim o exames. O tutor entra em contato com a gente e agendamos uma consulta. O procedimento se chama rinoplastia, e consiste na abertura da narina dos cães. A operação sai em torno de R$ 500”, conta um dos coordenadores do projeto, o veterinário Aguinaldo Mendes Júnior, de 25 anos. De acordo com ele, em outros lugares, como clínicas particulares, o preço da operação chega a R$ 2 mil, ou R$ 2,5 mil.

Desde que teve início, há quatro anos, aproximadamente 50 cachorros já passaram pela intervenção cirúrgica no hospital veterinário da universidade e mudaram de vida. É o caso de Oto, um bulldog francês de um ano operado há um mês. Atualmente, para desespero da tutora e empresária Lilian dos Santos, 51, o recém-operado Oto virou o “terror” da casa.

“Estou quase pedindo para que ele volte a ser o que era antes! Está impossível! E olha que ele tirou os pontos neste domingo (24). A personalidade dele mudou totalmente. Ele costumava andar pouco e parava sempre. Tinha até que ficar no colo para subir escada. E na hora de dormir roncava muito, parecia um dragão! Eu ficava assustada porque parecia que ele parava de respirar”, conta Lilian.

Mas ela está feliz com a nova hiperatividade do cachorrinho. Como ela diz, o amor por Oto foi à primeira vista. Lilian saiu de casa à noite para ir à farmácia e, ao lado, tinha um petshop, onde viu o cão. “Saí de casa para comprar remédio e me apaixonei”, revela. Além da letargia e roncos na hora de dormir, os problemas da síndrome em Oto faziam com que ele engasgasse na hora de comer e beber.

Lilian achava que a qualquer momento Oto poderia morrer. E alguns cães, de fato, morrem. Segundo a idealizadora do Projeto Narizinho e professora da UFF, Ana Soares, um dos motivos para a iniciativa  foi o aumento do número de casos de cães que morreram no Rio devido à síndrome.

Cachorrinho Sushi RJ
Divulgação

“Queríamos chamar atenção para número de mortes desses animais no Rio de Janeiro, que são vítimas principalmente do calor. E mesmo que o cão não morra, a qualidade de vida dele é baixa. Por exemplo, ele só pode sair para passear em locais específicos e em horários pré-definidos. E isso é péssimo.”

O veterinário Aguinaldo trabalha junto com a professora Ana no projeto e explica os ganhos que os animais têm a partir da cirurgia. “Vemos um ganho muito grande na qualidade de vida desses animais. Agora eles brincam e conseguem respirar. Com as alterações no trato respiratório [característicos da síndrome], o animal ronca muito, engasga, tem dificuldade de comer. Tudo isso melhora com a cirurgia.”

O perigo também está no acúmulo de calor no corpo, que pode levar o cachorro à morte, ensina Aguinaldo. “Cachorros, na verdade, não suam, como os humanos. É pela respiração que eles dissipam o calor. A cirurgia diminui os riscos dessa intermação [aumento da temperatura corporal]”, diz.

Os sintomas descritos pelo veterinário se encaixam no quadro de saúde de Sushi, outro Bulldog Francês e completa quatro anos em abril. A tutora, Renata Freitas, também é veterinária, mas quando soube que o cachorrinho era o paciente ideal para a rinoplastia, disse preferia estar em qualquer outro curso.

“Sempre bate aquela apreensão com a cirurgia, né? Inscrevi o Sushi porque, se melhorasse a qualidade de vida dele, já seria ótimo. Percebi que ele  seria um bom candidato. Ele fez ecocardiograma, radiografia. A cirurgia é super simples. Ele só vem com um pontinhos no nariz, bem fininhos. Só não gostou de ficar com o colar elisabetano [aquele cone que os cachorros odeiam]”, contou Renata.

Fila de espera
A fila para realizar a cirurgia é longa, mas os veterinários prometem avaliar caso a caso. Para entrar em contato, basta ligar para o número (21) 98025-6745. A agenda para as cirurgias já está cheia até março, mas os exames ainda estão sendo marcados.

Fonte: G1


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