Clínica veterinária local tem o primeiro banco de sangue animal de Manaus (AM)


Giba, da raça husky siberiano, tem a ‘honra’ de ser o primeiro cão doador de sangue do Amazonas, mas a vida dele como doador já está encerrando e novos cachorros solidários serão necessários (Márcio Silva)
Giba, da raça husky siberiano, tem a ‘honra’ de ser o primeiro cão doador de sangue do Amazonas, mas a vida dele como doador já está encerrando e novos cachorros solidários serão necessários (Márcio Silva)

Giba é um husky siberiano de sete anos que carrega a “honra” de ser o primeiro cão doador de sangue do Amazonas. Dócil, ele chega no “Hemovet” sem pestanejar, é colocado em cima de uma maca e como um assíduo doador, inicia o procedimento de doação, semelhante ao processo de doação de sangue humano.

Daqui a um ano ele não poderá mais doar, pois atingirá a idade máxima de um cão doador. Embora o número de doadores seja baixo, por se tratar de uma prática pouco conhecida, outros 34 cães estão cadastrados no programa de doação de sangue veterinária do Estado.

“Começamos a trabalhar em uma clínica de pequenos animais e nos deparamos com a necessidade de pacientes que precisavam de transfusão de sangue com urgência e não tínhamos o recurso disponível”, conta o médico-veterinário Shirlley das Chagas, que com o auxílio da colega veterinária Solange Maia, fundou o primeiro banco de sangue veterinário da região Norte, há sete anos.

O médico conta que o número de doadores ainda é baixo e, assim como acontece com o banco de sangue humano, o Hemovet também sofre com estoque baixos. “Nossos estoques estão sempre baixos e por isso é preciso divulgar que a doação de sangue pode salvar vidas de outros animais. Mas também é importante frisar que a transfusão não é a cura para a doença, mas é um tempo a mais que a gente ganha pra tratar o paciente”, alerta.

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Amazonas (CRMV-AM), Carlos Carneiro, ainda não existe uma regulamentação formal para a instalação de bancos de sangue animal. Mas a atividade precisa ser registrada junto ao CRMV-AM.

O Hemovet é registrado e ao longo destes sete anos de funcionamento disponibilizou 500 bolsas de sangue. Shirlley explica que há oito tipos de sangue caninos, e que, apesar de correr o risco de não haver compatibilidade com o receptor, a raça do animal não influencia na transfusão.

“Existe o exame de compatibilidade, mas geralmente não dá tempo de o paciente fazer e o doador fazer, pois são situações de emergência, cujos minutos fazem a diferença”, ressalta o médico.

Os casos mais comuns de transfusão são aqueles onde ocorre uma perda de sangue muito grande em pouco tempo, como atropelamentos. Em procedimentos cirúrgicos, com risco de hemorragia, a bolsa de sangue também pode ser necessária. Mas, 80% das transfusões acontecem por causa de hemoparasitoses, como erliquiose canina, conhecida como ‘doença do carrapato’.

“É um parasita do sangue que destrói as células sanguíneas do animal. Quando o tutor percebe, o cão já está quase sem sangue”. O mesmo procedimento também pode ser feito entre gatos, mas durante os sete anos de funcionamento do Hemovet, apenas um caso foi registrado.

Como doar?

Para doação, os interessados devem procurar o Banco de Sangue do Amazonas (Hemovet), que funciona na avenida Timbiras, 48, bairro Cidade Nova 2, Zona Norte, em frente à Escola Estadual Dom João de Souza Lima. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (92) 993060809.

Requisitos para ser um doador

Antes de ser um doador, o cão passa por uma triagem;

Ele precisa ser dócil, ter necessariamente entre 1 e 8 anos e pesar mais de 23 quilos;

Os cães tem um metabolismo mais rápido que o dos humanos, então a doação pode ser feita uma vez no mês;

O animal precisa doar entre 400 e 450ml de sangue para completar uma bolsa;

Apesar de no Brasil ser crime a comercialização de sangue, ainda não há uma regulamentação para bancos de sangue veterinários;

As bolsas de sangue são disponibilizadas para as clínicas veterinárias, que cobram um valor determinado por elas;

O preço pode variar entre R$ 500 até mais R$ 1,5 mil, dependendo da necessidade do animal.

Benefícios

Em contrapartida, o cão cadastrado no programa de doação passa por exames periódicos de acompanhamento, a cada três meses, para analisar a saúde e recebem todas as vacinas necessárias.

“O benefício para o doador é que ele vai ter praticamente um plano de saúde animal. Esse cão é acompanhado para ver se está tudo bem com a saúde, e se tiver risco de alguma doença, a gente detecta precocemente”, explica o médico-veterinário Shirlley das Chagas, fundador do Hemovet.

Fonte: Portal A Crítica


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