Veja como foi hoje o resgate dos cães de Viçosa


Resgate de 15 cães feitos de cobaias foi realizado na tarde do dia 4 de dezembro. Descrição: Foto reunindo os rostos de todos os cães mantidos em experiências até a tarde de hoje. Foto: ONG Cão Sem Dono
Resgate de 15 cães feitos de cobaias foi realizado na tarde do dia 4 de dezembro. Descrição: Foto reunindo os rostos de todos os cães mantidos em experiências até a tarde de hoje. Foto: ONG Cão Sem Dono

Fátima ChuEcco/Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Salvos pelo gongo! Por um triz! Em mais alguns dias, talvez horas, todos os 15 cães que estavam na UFV – Universidade Federal de Viçosa (MG) teriam sido mortos porque constava da pesquisa induzí-los à morte ao final do experimento de dois meses. Depois de quase vencido esse prazo de dolorosas experiências que implicavam, inclusive, em cirurgias nas patas, os cães foram finalmente adotados na tarde de hoje por protetores locais e de SP.

Entre os adotantes, um dos mais radiantes era o historiador Francisco José Mendes Duarte que manifestou seu desejo de adotar um dos cães, de nome Doug, meses atrás. Já passava das 18h desta sexta-feira, quando Francisco contou diretamente da porta da UFV: “Estamos retirando os últimos dois cães agora e correu tudo bem. Foi demorado, levou o dia todo por questões burocráticas. Alguns cães estão mais quietinhos que outros, mas todos aceitaram nossa presença e carinho. Todos estão com pequenas incisões nas patas e sabemos que serão animais que precisarão de tratamento, pois, embora fossem saudáveis, agora estão com lesões e doenças causadas pela pesquisa”. Francisco não via a hora de levar Doug para casa: “Ele já foi tomar banho e depois vamos juntos para minha casa. Ele vai receber comida e carinho. Estou muito feliz”.

Cão recém-resgatado da UFV pela ONG Cão Sem Dono que será levado para SP. Descrição: Imagem mostra cão de cor caramelada esfregando as costas na grama logo depois de ser retirado da UFV. Foto: ONG Cão Sem Dono
Cão recém-resgatado da UFV pela ONG Cão Sem Dono que será levado para SP. Descrição: Imagem mostra cão de cor caramelada esfregando as costas na grama logo depois de ser retirado da UFV. Foto: ONG Cão Sem Dono

Inicialmente pensou-se que eram 16 cães saudáveis do CCZ de Viçosa para as pesquisas, mas segundo um dos protetores, um deles conseguiu ser adotado antes de entrar nas sessões de tortura. O resgate foi possível graças a uma ordem judicial expedida no dia 3 de dezembro pelo juiz federal Gustavo Moreira Mazzilli. Ele determinou que os cães fossem imediatamente colocados à disposição das ONGs interessadas em adotá-los, incluindo os em precário estado de saúde – o que era esperado depois de experiências tão invasivas. Veja matéria completa da ANDA largamente curtida e compartilhada.

A Sociedade Viçosense de Proteção aos Animais (Sovipa) e outras ONGs como a Cão Sem Dono e Bendita Adoção se prontificaram a ficar com parte dos cães. A Cão Sem Dono está, nesse momento, levando oito dos cães de Viçosa para SP. Eles serão devidamente examinados para se ter uma ideia dos prejuízos causados pelas experiências que, segundo uma das participantes da pesquisa, Emily Correa Carlo Reis, são danos permanentes e irreversíveis nas patas. Depois disso serão colocados para adoção.

O que dizem os especialistas

As demais pesquisas da UFV em andamento, cuja líder é a veterinária Andrea Pacheco Batista Borges, que há 15 anos realiza experimentos com animais vivos na universidade, somam o valor de R$ 584.042,80 em financiamento por Órgãos públicos e empresas privadas. A consulta desses projetos é pública e na descrição dos mesmos cita-se a utilização de cães SRD.

Procurado pela ANDA, Sérgio Greif, um dos pesquisadores e ativistas da causa animal mais respeitados do Brasil, comentou: “As pesquisas consistem, basicamente, de procedimentos dolorosos que visam induzir em animais saudáveis sintomas de doenças que eles possivelmente jamais poderiam ter naturalmente, para realizar procedimentos desnecessários que poderiam ser verificados em animais que realmente padecem dessas doenças ou mesmo mediante simulações in vitro”.

Cães em momento em que ainda estavam dentro da UFV sendo submetidos à pesquisa. Descrição: Cão pequeno e marrom ao lado de outro de porte grande e marrom claro no qual se pode ver patas raspadas e incisão. Foto: Divulgação
Cães em momento em que ainda estavam dentro da UFV sendo submetidos à pesquisa. Descrição: Cão pequeno e marrom ao lado de outro de porte grande e marrom claro no qual se pode ver patas raspadas e incisão. Foto: Divulgação

Ele explica também que a displasia coxofemoral, alvo de uma das pesquisas, é uma doença genética, com prevalência sobretudo em cães de raça cuja variação genética é pequena e cães de grande porte com tendência à obesidade: “ Os cães recolhidos do CCZ de Viçosa não possuem displasia coxofemoral, são cães com grande variação genética, geralmente de porte médio ou pequeno, e pouquíssima massa gorda. Não há nenhuma justificativa técnica para seu uso em pesquisas dessa natureza”.

“Se estamos lidando com uma doença hereditária, com alta prevalência em cães de raças grandes, porque não utilizar esta população para a realização dos procedimentos? Esses cães não seriam assim cobaias de laboratório, mas pacientes reais sofrendo procedimentos experimentais cujo objetivo seria seu próprio benefício. Nada mais óbvio”, diz o pesquisador.

Daniela Lopes, veterinária homeopata e especialista em Saúde Quântica aplicada aos Animais, conhecida também como “Medicina do Futuro”, é categórica: “Sou contra o sofrimento sob qualquer alegação científica”. Daniela comenta que já existem inúmeras métodos substitutivos eficazes que podem e já estão sendo usados nessa área. “Isso sem falar dos modernos processos de análise genômica e sistemas biológicos in vitro, que vêm sendo muito bem utilizados por pesquisadores brasileiros. Existem culturas de tecidos, provenientes de biópsia, cordões umbilicais ou placentas descartadas que dispensam o uso de animais. Vacinas também podem ser fabricadas a partir da cultura de células do próprio homem”.

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