Juiz ordena soltura imediata dos cães da Universidade de Viçosa


Pressão de ONGs e popular conseguiu soltura dos cães. Descrição: Imagem dos rostos de 16 cães mantidos em experiência da UFV
Pressão de ONGs e popular conseguiu soltura dos cães. Descrição: Imagem dos rostos de 16 cães mantidos em experiência da UFV

Fátima ChuEcco/Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Na manhã de hoje, 3 de dezembro, o juiz federal Gustavo Moreira Mazzilli ordenou que os cães mantidos em experiências no centro veterinário da UFV – Universidade Federal de Viçosa sejam imediatamente colocados à disposição das ONGs interessadas em adotá-los. Segundo o documento, a própria universidade deve notificar que os cães podem ser adotados incluindo aqueles que estejam em péssimas condições de saúde – o que é previsível depois de experiências invasivas que incluem cirurgias. A Sociedade Viçosense de Proteção aos Animais (Sovipa) e outras ONGs como a Cão Sem Dono estão nesse momento se organizando para conseguir resgatar os animais ainda hoje. A conquista foi obtida graças à denúncia e pressão de protetores e populares.

No primeiro documento o juiz permitiu a adoção por qualquer pessoa, mas na manhã de hoje alterou a ordem para adoção apenas por parte de ONGs, a pedido de protetores que temiam que os cães fossem entregues a alunos de veterinária da UFV interessados em mantê-los nas pesquisas ou por pessoas movidas por impulso. Conforme matéria publicada ontem pela ANDA, e largamente compartilhada nas redes sociais, os cães, que inclusive já tinham adoção confirmada por três ONGs empenhadas no resgate deles, continuaram sob dolorosos experimentos sob a coordenação da veterinária Andrea Pacheco Batista Borges, que há 15 anos faz experiências com animais vivos, especialmente vira-latas, patrocinada pela CNPq e outros Órgãos reguladores de pesquisa.

No entanto, lamentavelmente, os experimentos já prejudicaram de forma definitiva a saúde dos animais que estavam em perfeitas condições quando submetidos à tamanha tortura. Emily Correa Carlo Reis, uma das veterinárias participante da pesquisa, alegou ao juiz que “não há tratamento curativo para a osteoartrite e que, portanto, os animais induzidos a essa doença enfrentarão sofrimento maior do que aos que foram submetidos na pesquisa porque os sintomas são progressivos”. Sim! Dá vontade de gritar: então por que fizeram essa crueldade com animais que podiam ter uma vida plena e saudável? À luz da ética isso é crime contra a integridade física. Esses cães foram condenados a uma doença incurável. E os veterinários ainda ganharam dinheiro para promover isso. Por que não testaram tratamentos em cães que já possuem a doença?

Doug, um dos cães mantidos na pesquisa, poderá reencontrar o estudante que quis adotá-lo e foi impedido. Descrição: Cachorro preto e branco, pelo liso, com olhar singelo, de pé, na baia da universidade. Foto: Divulgação
Doug, um dos cães mantidos na pesquisa, poderá reencontrar o estudante que quis adotá-lo e foi impedido. Descrição: Cachorro preto e branco, pelo liso, com olhar singelo, de pé, na baia da universidade. Foto: Divulgação

O historiador e aluno da UFV, Francisco José Mendes Duarte, está esperançoso em reencontrar o cão Doug e levá-lo para casa. Ele não se importa com as condições em que Doug pode estar. Francisco tentou adotar o cão logo depois dele ser levado para pesquisas, mas a universidade se negou a entregar o animal alegando que ele já estava inserido nos experimentos. Segundo Francisco, o documento garante um grande alívio: “Estou muito feliz em conseguir salvar a vida de Doug. Tenho certeza que seremos grandes amigos e ele receberá muito carinho. Também quero motivar as pessoas a salvarem a vida dos outros animais que tanto sofreram nessas experiências. Já é a quarta vez que a UFV se vê envolvida em escândalos com experiências em animais. Está na hora do departamento de veterinária mudar de postura e se modernizar acompanhando o ritmo de outras disciplinas da universidade”.

Procurado pela ANDA, Sérgio Greif, um dos pesquisadores e ativistas da causa animal mais respeitados do Brasil, comentou as pesquisas da UFV: “A displasia coxofemoral, alvo de uma das pesquisas, é uma doença genética, com prevalência sobretudo em cães de raça cuja variabilidade genética é pequena e sobretudo cães de grande porte e com tendência à obesidade. Os cães recolhidos do CCZ não possuem displasia coxofemoral, são cães com grande variabilidade genética, geralmente de porte médio ou pequeno e pouquíssima massa gorda. Não há nenhuma justificativa técnica para seu uso em pesquisas dessa natureza”.

Os experimentos incluem cirurgias nas patas de cães saudáveis. Descrição: Dois cães, um pequeno e marrom olha para a câmara. O maior, marrom claro, tem protetor no pescoço para não coçar as partes onde sofreu intervenção. Vê-se claramente nas patas dele pelo raspado e corte. Foto: Divulgação
Os experimentos incluem cirurgias nas patas de cães saudáveis. Descrição: Dois cães, um pequeno e marrom olha para a câmara. O maior, marrom claro, tem protetor no pescoço para não coçar as partes onde sofreu intervenção. Vê-se claramente nas patas dele pelo raspado e corte. Foto: Divulgação

Segundo ele, os demais projetos da UFV, cuja consulta é pública e somam o valor de R$ 584.042,80 em financiamento por Orgãos públicos e empresas privadas, consistem basicamente de procedimentos dolorosos que visam induzir em animais saudáveis sintomas de doenças que eles possivelmente jamais poderiam ter naturalmente, para realizar procedimentos desnecessários que poderiam ser verificados em animais que realmente padecem dessas doenças ou mesmo mediante simulações in vitro.

“Se estamos lidando com uma doença hereditária, com alta prevalência em cães de raças grandes, porque não utilizar esta população para a realização dos procedimentos? Esses cães não seriam assim cobaias de laboratório, mas pacientes reais sofrendo procedimentos experimentais cujo objetivo seria seu próprio benefício. Nada mais óbvio”, diz o pesquisador.

Daniela Lopes, veterinária homeopata e especialista em Saúde Quântica aplicada aos Animais, conhecida também como “Medicina do Futuro”, é categórica: “Sou contra o sofrimento sob qualquer alegação científica”. Daniela comenta que já existem inúmeras métodos substitutivos eficazes que podem e já estão sendo usados nessa área. “Isso sem falar dos modernos processos de análise genômica e sistemas biológicos in vitro, que vêm sendo muito bem utilizados por pesquisadores brasileiros. Existem culturas de tecidos, provenientes de biópsia, cordões umbilicais ou placentas descartadas que dispensam o uso de animais. Vacinas também podem ser fabricadas a partir da cultura de células do próprio homem. Eu, particularmente, dispensei o uso de ratos em meu experimento que testava uma substância homeopática para câncer, mantendo minha postura profissional, usando apenas cultura de células e proporcionou um excelente parâmetro de resultados e, o mais importante, minha consciência livre de ter que induzir à morte inúmeros ratos saudáveis!”.

Com a contribuição da Veg News a ANDA teve acesso à ordem judicial expedida hoje em primeira mão
Com a contribuição da Veg News a ANDA teve acesso à ordem judicial expedida hoje em primeira mão

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