Gata sobrevive à câmara de gás e ao refrigerador


Andrea sobreviveu a duas doses de gás letal. Foto: Divulgação
Andrea sobreviveu a duas doses de gás letal. Foto: Divulgação

Fátima ChuEcco/Anda – Agência de Notícias de Direitos Animais

Aos oito anos de idade e em plena forma física, fica difícil imaginar que essa gatinha foi submetida duas vezes seguidas à câmara de gás (já que depois da primeira tentativa ela ainda respirava) e a quase uma hora dentro do refrigerador do abrigo West Valley City, em Utah, nos Estados Unidos. Esse caso tão inédito, ocorrido em 2011, foi noticiado em toda parte e botou fogo na discussão sobre a persistente utilização de câmaras de gás em vários abrigos públicos e privados dos EUA. Alguns animais parecem ter vindo a esse mundo para nos dar grandes lições de vida. A gata Andrea é, sem dúvida, um exemplo vivo.

A Anda procurou saber como está Andrea hoje, passados exatos quatro anos de sua “quase execução sumária” apenas por ser uma gata abandonada nas ruas. Ela já estava no abrigo há 30 dias e, embora fosse uma linda gata preta peluda, do tipo “smoking” (com todas as patinhas e peito brancos) e amorosa, não teve a sorte de ser adotada. Em muitos abrigos dos EUA os animais só podem permanecer por no máximo 30 dias. Em alguns o prazo é ainda menor: sete a nove dias. Em outros, à medida que a lotação se esgota, alguns animais seguem para o “corredor da morte” a fim de abrir espaço para animais recém-capturados.

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A gatinha ganhou um lar definitivo onde vive com outros felinos. Foto: Divulgação

Andrea resistiu à primeira dose de monóxido de carbono, gás utilizado nas câmaras. O funcionário então, percebendo que ela ainda estava viva, aplicou mais uma dose do gás mortal e, em seguida, a colocou dentro de um saco plástico e no refrigerador sem perceber que nem assim Andrea tinha morrido. Quase uma hora depois, quando ele voltou para colocar um cão no mesmo freezer, ouviu um miado e então rasgou o saco deparando-se com os olhos aterrorizados da gatinha. Andrea tinha resistido mais uma vez! O evento comoveu os funcionários que decidiram recolocar Andrea para adoção.

Com exclusividade, a Anda falou com Janita Coombs, funcionária do abrigo onde Andrea quase foi morta e que ficou com a gatinha até que ela fosse adotada dois meses depois, no início de 2012 – o mesmo lar onde ela continua até hoje. Andrea ficou em observação nesse período com Janita porque, no início, andava de forma alterada e podia ter consequências neurológicas ou mesmo comprometimento de órgãos por conta do gás que inalou. Mas ela se recuperou por completo.

“Andrea é uma garota incrível. Ela definitivamente demonstrou que tinha vontade de viver. Está maravilhosa e adora brincar com seus outros dois irmãos felinos. Ela gosta de ficar em uma cadeira específica da sala enquanto sua tutora assiste TV. Ela vive aqui mesmo em Utah e, surpreendentemente, apesar de tudo o que passou, não teve sequelas. Ela passou a ser catalisadora de uma série de mudanças positivas em abrigos dos EUA”, diz Janita que hoje trabalha para um pequeno grupo de resgate de animais em Utah.

A história de Andrea provocou a desativação de algumas câmaras de gás. Foto: Divulgação
A história de Andrea provocou a desativação de algumas câmaras de gás. Foto: Divulgação

Ela conta que alguns Estados americanos já proibiram o uso de câmaras de gás e passaram a usar injeção letal que pode induzir à morte em alguns minutos enquanto o animal cai em sono profundo. “São várias as campanhas para a desativação desse método”, diz ela. Em algumas cidades americanas as câmaras passaram a ser vistas como desumanas e caras, mas vários departamentos de controle animal e abrigos insistem nessa prática considerada uma das mais arcaicas. A castração, método comprovadamente mais eficaz e ético para controle populacional, ainda enfrenta resistência em boa parte dos EUA mas, felizmente, cresce o número de abrigos onde não é mais aceito o extermínio de animais ainda que não sejam adotados.

Andrea, com sua incrível história de sobrevivência, estampou capa de jornais e revistas entre 2011 e 2012, e motivou a desativação da câmara de gás do abrigo onde esteve à beira da morte. Ela foi adotada por uma apaixonada por gatos e protetora de animais, Kari Brown, que criou um álbum para os fãs da gatinha no Facebook da Caws – Community Animal Welfare Society, entidade onde ela atua.

Andrea no último Natal em Utah, EUA. Foto: Divulgação
Andrea no último Natal em Utah, EUA. Foto: Divulgação

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