Louise Wallis explica como criou o Dia Mundial do Veganismo


(da Redação)

Nesse ano, o Dia Mundial do Vegano faz 21 anos. (Créditos: Louisewallis.net)
Nesse ano, o Dia Mundial do Vegano faz 21 anos. (Créditos: Louisewallis.net)

Louise Wallis, famosa ativista dos direitos animais, conta, em seu site, como ela criou o Dia Mundial do Veganismo:

“É o aniversário de 21 anos do Dia Mundial do Veganismo neste ano, como fui eu que criei, me sinto como uma mãe orgulhosa.

Faz tempo que ele nasceu e está realmente crescendo bem. Em 2015, o Dia é fortemente comemorado, um evento internacionalmente reconhecido e está no calendário da mídia.

Mas então, onde foi que eu consegui a ideia do Dia Mundial do Veganismo? Não sei dizer exatamente, mas veio em um flash: em um desses momentos clássicos de “Aha!”

Eu era Presidente da Vegan Society (Sociedade Vegana) no momento, eleita em 1991 principalmente por causa da investigação encoberta que fiz em dois laboratórios animais. Foi um momento empolgante. A Sociedade estava chegando ao seu aniversário de 50 anos e estávamos pensando como poderíamos marcar essa ocasião.

Eu já tinha pensado na ideia de fazer um filme, e em 1992, em um dos primeiros exemplos de crowdfunding, eu criei o Vegan Video Fund. Convidei meu companheiro Frank e meus amigos Franny e Boo Armtrong para filmar e Benjamin Zephaniah para apresentar. Depois de um ano emergimos, cansados mas triunfantes com o filme Truth or Dairy (Verdade ou laticínios), um filme alegre, com um tom humorístico focado no veganismo.

Minha segunda ideia foi o Dia Mundial do Veganismo. Esse foi mais fácil: apenas tínhamos que anunciá-lo. Mas em que data seria? Sabíamos que a Sociedade tinha sido fundada pelo Donald Watson e amigos em novembro de 1944, mas não sabíamos a data exata. O primeiro dia de novembro parecia ser uma boa escolha, afinal, é fácil de lembrar e, como expliquei em 2011: Eu gostei da ideia de que essa data coincide com o Samhain/Halloween, e o Dia dos Mortos – tempos tradicionais para comer e celebrar. Ambos aptos e prometedores.”

Culturalmente, esse é o tempo do ano em que lembramos de nossos ancestrais e desses pioneiros que nunca estão longe da minha memória. Como escrevi em um editorial no The Vegan em 1994 (ao lado anúncio formal do World Vegan Day):

“É difícil imaginar como as pessoas se “inventavam” veganas. Nos anos 40, não comer produtos derivados de animais era algo desconhecido, ou considerado uma loucura inimaginável! Todo mundo realmente acreditava que eles iam morrer. Essa história me fascina. Como era possível que alguns poucos indivíduos espalhados pelo mundo simultaneamente se juntaram à essa visão revolucionaria para um futuro mais sano? O que nesse mundo os levou a restringir suas opções alimentícias em um momento de racionamento forte, enquanto a maioria das pessoas estavam simplesmente procurando algo para comer? E como que eles instintivamente sabiam o que fazer, quando ninguém havia feito isso antes?

Devemos tudo a esses sonhadores ousados, e no Dia Mundial do Veganismo fazemos um brinde a eles.

É tempo também de alegria, de banquetes e de conscientização. Sempre que eu procuro no Google “Dia Mundial do Veganismo” fico encantada com a criatividade: de festivais, provas de comida, amostra de filmes a jogos de futebol profissionais, flash mobs nuas e protestos comoventes.

Até hoje não caiu a ficha de que houve um debate no Parlamento ingês sobre o Dia. Foi conduzido pela vegana Kerry McCarthy, membro do Parlamento.

Às vezes, as pessoas me contatam para falar o que farão no Dia. A minha anedota preferida é do Jordan Wyatt, da Invercargill Vegan Society, na Nova Zelândia, “a organização de direitos animais mais ao Sul do mundo”. O DMV tem uma importância especial para o Jordan, como ele explica:

“No Dia Mundial do Veganismo de 2011, plantamos uma arvore memorial. Em 2012, fiz algo grande, coloquei posters, convoquei a mídicia, etc… Minha companheira viajou 200km para participar. Em 2013 já tínhamos nos apaixonado e ela veio morar comigo. No DMV em 2014, instalamos arte pública, posters, mídia, E nos casamos, no aniversário de 70 anos do veganismo.

Wow. Um casamento no Dia Mundial do Veganismo de um casal que se apaixonou do Dia Mundial do Veganismo, em uma cerimônia do lado de uma arvore plantada no Dia Mundial do Veganismo. Não há nada melhor do que isso.

De certa forma, a história de Jordan e Jen resume o propósito do Dia: Juntar pessoas. Demonstra quão poderosas as ideias podem ser.

Um tópico quente do momento é a teoria de “O possível adjacente”. Em termos simples, é o potencial (e a serendipidade) criados quando você percebe e junta o improvável.

Steve Johnson, é um líder exponente do assunto, ele escreveu o livro “best-seller”, Where Good Ideas Come From (De onde vêm as boas ideias?). Ele descreve:

“O Possível Adjacente é um tipo de futuro sombra, sobrevoando no estado presente das coisas, um mapa de todas as maneiras em que o presento pode se reinventar”.

Eu amo isso: “um futuro sombra” é como penso no Dia Mundial do Veganismo. O dia do ano em que podemos imaginar que nossos sonhos são reais. Temos um vislumbre de como um mundo vegano poderia ser. Quando podemos nos conectar com outros e influenciar o caminho das nossas vidas.

“A sorte favorece as mentes conectadas” diz Johnson. Criatividade, ele sugere, não vem de contemplações introspectivas e solitárias, mas da nossa pro atividade – vem de interações, de compartilhamentos, de trocas. A inovação é essencialmente social, ele argumenta, prosperar em espaços caóticos como em Coffee Houses, que famosamente levaram à criação do Iluminismo.

Como proprietária do Kabaret, uma casa de café que serve um café excelente no coração da comunidade artística do Nordeste de Londres, isso me agrada imensamente.

Tomar conta de estabelecimento vegano não era algo que eu previa. Veio por sorte por causa de uma conexão no Facebook.

O nosso slogan é: “Criando uma Cultura Vegana”. O conceito é tão novo que nem nós sabemos o que é! Estamos fazendo ele de qualquer jeito.

Nos anfitriamos vários eventos veganos, incluindo as Noites de Comédia Vegana, Drinks Veganos de Londres, e a Disco Vegana LGBT. Nesse ano, pro Dia Mundial do Veganismo, tomei todas as previdências e fiz uma inovação organizando a ExtraVeganza.

Vamos relaxar, zombar do Sunday Roast, tomar Prosecco, assistir um filme e ouvir as minhas duas pessoas preferidas discursasr: Jasmin De Boo, CEO da Sociedade Vegana e colunista da Huffington Post; e Fiona Oakes, uma verdadeira mulher-maravilha, corredora de maratonas, quebradora de recordes. Vamos arrecadar dinheiro para o santuário animal da Fiona, o Tower Hil Stables, que abriga 400 animais.

Feliz Dia do Veganismo, independemente do que você for fazer.

Isso foi dedicado a todos os sonhadores que andam por aí, e especialmente a Mat Swinn.”


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