(da Redação)

O caçador Corey Knowlton, e o rinoceronte Ronnie, morto por ele em Maio deste ano. Foto: The Dodo
O caçador Corey Knowlton e o rinoceronte Ronnie, morto por ele em Maio deste ano. Foto: The Dodo

Um homem que pagou 350 mil dólares para atirar em um rinoceronte negro está processando uma companhia aérea que se recusou transportar o seu “troféu”.

Corey Knowlton, que obteve uma permissão para a caça no Dallas Safari Club em 2014 e fez a viagem em maio deste ano, ficou conhecido quando a CNN decidiu acompanhar a sua caça por um rinoceronte ameaçado de extinção na Namíbia.

Foto: Facebook
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“Eu senti desde o primeiro dia que estavam beneficiando o rinoceronte”, disse Knowlton à CNN após ter atirado no rinoceronte, que se chamava Ronnie. “E eu acharei isso até o dia em que eu morrer”.

Agora ele está movendo uma ação contra a Delta Air Lines, que anunciou que iria parar de transportar troféus de caça em agosto, tornando mais difícil para caçadores levarem para as suas casas partes de corpos de animais. “O embargo da Delta ameaça toda a indústria de turismo de caça, que tem base em um paradigma de preservação sustentável”, diz o texto da ação:

“Seria catastrófico para as pessoas e para a vida selvagem eliminar a caça e o que ela traz de equilíbrio no ecossistema, bem como a receita operacional e incentivos à comunidade que ela promove. Os números de animais selvagens irão se desequilibrar. Mas isso irá ocorrer se a Delta continuar a discriminar os caçadores norte-americanos. Ao invés de celebrar a contribuição dos caçadores à indústria do turismo, a empresa está difamando-os ao se recusar a transportar os frutos da caça: os troféus dos premiados ‘Big Five’. A Delta está tratando esses troféus legalmente adquiridos como se fossem contrabando”.

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“Não posso pensar em alguém menos simpático para desafiar a política da Delta Air Lines que Corey Knowlton – o texano que pagou para matar um dos rinocerontes negros mais raros da África”, disse Chris Green, da Harvard Law School, ao The Dodo. “Nenhuma companhia aérea racional desejaria ter seu nome associado ao transporte do corpo assassinado desse animal ameaçado apenas para que ele possa ser pendurado na parede de algum rico americano”.

Knowlton afirma que a nova política da Delta sugere que “negócios americanos, profissionais, feitos por pessoas civilizadas” estejam relacionados ao tráfico. Os caçadores “legalizados”, ou seja, com permissão para matar, dizem que é o dinheiro que justifica as suas matanças, em comparação com traficantes de vida selvagem e caçadores clandestinos. O argumento de que o dinheiro que é pago para se atirar em animais ameaçados é comumente usado pelos caçadores para justificar a morte de animais que já estão sendo mortos a taxas incrivelmente alarmantes.

Foto: Facebook
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Mas esse argumento ignora os efeitos devastadores que a morte de um indivíduo pode ter sobre a linhagem e sobre os membros da família do animal. Além disso, com as populações animais despencando devido a fatores desde a perda do habitat até a caça, os caçadores de troféus ainda matam cerca de 105 mil animais na África a cada ano, quando cada indivíduo é crucial para a sobrevivência da espécie.

“Contendas como estas somente atraem ainda mais atenção negativa para uma causa já controversa. A resposta pública à ação de Knowlton irá confirmar que a Delta Air Lines fez exatamente a coisa certa ao ouvir a maioria de seus clientes e se recusar a participar da matança recreativa dos preciosos animais selvagens da África”, disse Green.

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Ele acrescentou: “Um número sem fim de pessoas podem viajar para visitar um raro animal africano durante o seu tempo de vida – criando uma fonte renovável de dólares que circularão na economia local continuamente. Por outro lado, não importa quão alto o preço, apenas uma pessoa pode matar um rinoceronte negro e então ele se vai para sempre, exatamente como o leão Cecil”.

Em 40 anos, a população de rinocerontes negros foi dizimada por causa da caça. Atualmente, de acordo com a cobertura da CNN da caçada de Knowlton, há exatos 5.000 rinocerontes restantes no mundo. No entanto, segundo outras estimativas, há menos da metade: restam somente 2.500 rinocerontes negros sobre a Terra.

1 COMENTÁRIO

  1. Esse está só fazendo peso sobre a terra. Uma pessoa imprestável em todos os sentidos da palavra.
    Quanto a companhia aérea, deveríamos enviar emails parabenizando – os pela decisão e apoia-los, mostrando que tomaram a decisão certa e que devem manter essa decisão, mesmo com toda a dor de cabeça que esse verme está causando a eles.

  2. “Seria catastrófico para as pessoas e para a vida selvagem eliminar a caça e o que ela traz de equilíbrio no ecossistema …” O que traz desequilíbrio é ter de conviver com psicopatas. Isso traz desequilibrio a nós, pessoas que fazemos diferença nesta Terra. Enquanto isso, inúteis como esse ainda respiram o mesmo ar que nós. Eca!!! Que nojo!!! Estou falando: temos de começar a boicotar esses países que EXPLORAM a caça como “turismo”. Que vão capinar uma roça!!! Ativistas da causa animal: comecem campanhas de turismo ao contrário, desestimulem viagens a países que mantém a caça como “diversão”. Essa gentalha tem de começar a sentir no bolso que as pessoas não estão mais aceitando isso. Não viagem pra nenhum país da África, por exemplo. Vão passear em outro lugar!!!

  3. Fica muito claro como os especistas e os antropocêntricos tentam ignorar o valor intrínseco de cada indivíduo senciente de outra espécie, torcendo a verdade e colocando o foco no que não é o principal, apenas na tentativa de justificar o que não tem justificativa! Matar qualquer animal é um crime hediondo… ponto final… qualquer discussão fora disso não tem sentido!