Casal de urubu-rei, espécie quase extinta, é fotografado em Atibaia (SP)


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O casal de Urubu-rei, registrado pela primeira vez em Atibaia, tem usado a Pedra Grande e a Grota Funda como local de pouso, descanso e acasalamento. A presença desta espécie, classificada como “Em Perigo” no Estado de São Paulo, reflete a qualidade ambiental da área e também sua relevância como um importante remanescente de Mata Atlântica na região.

A corte realizada pelo casal é digna dos reis e rainhas, macho e fêmea “dançam” ostentando as cores vivas da cabeça e do pescoço, mantendo as asas entreabertas e o papo inflado, um espetáculo encantador que termina com o par alinhando-se para a cópula, usando como pano de fundo a beleza cênica das rochas milenares da Pedra Grande.

O registro do acasalamento é um indício de possível nidificação na área, o que seria outro fato inédito para região, que já apresenta considerável avifauna. Em Atibaia já foram registradas 315 espécies de aves, compiladas por Julio Guedes em Janeiro, sendo que 277 já foram fotografadas e publicadas no WikiAves. A área antropizadatambém tem sua expressividade, em 2015 Alexandre Luis Silva Teixeira publicou estudo sobre 5 praças urbanas da cidade registrando 64 espécies. Do mesmo autor com Flavio de Barros Molina, em 2014, consta a publicação das aves do acervo do Museu de História Natural Professor Antônio Pergola, atualmente sobre a curadoria de Ricardo Finco Pergola, onde é possível observar 108 espécies de aves oriundas de Atibaia.

Descrito pelo notável sueco Linnaeusem 1758, esta espécie da família dos Urubus e do Condor (Cathartidae) destaca-se por sua majestade. A cabeça e pescoço nus chamam a atenção pelo colorido, bem como sua íris branca. Apresenta uma carúncula amarela alaranjada sobre o bico e sua plumagem branca com penas da cauda e rêmiges pretas são marcantes durante o voo. O papo em forma de uma bola é vermelho nos adultos e cinza nos imaturos. São maiores que as outras espécies da família, somente sendo sobrepujado pelo Condor (Vultur gryphus) que é encontrado na Cordilheira dos Andes e muito raramente avistado no Brasil. Apresenta de 71 a 81 cm de comprimento e cerca de 3kg, sua envergadura pode chegar a 1,80 m (o macho é um pouco maior que a fêmea), sendo pouco perceptível a cabeça e o pescoço colorido durante o voo.

Nidificam em escarpas rochosas, ninhos abandonados de gaviões, em cavidades nas árvores ou diretamente no solo, na FLONA Ipanema – SP foi registrado um ninho a 8 metros do solo em um paredão rochoso de 20 metros de altura. Na Estação Biológica de Canudos – BA os casais podem ser potenciais competidores das cavidades para nidificação da Arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) ou exercer possível predação de ovos e ninhegos. Incubam 1 a 2 ovos brancos (com média de 5,7 x 8,6 cm de tamanho) por 53 a 58 dias. Os filhotes nascem cobertos de penugem branca, exceto a cabeça, permanecendo no ninho por cerca de 3 meses. Os jovens apresentam plumagem negra que vai sendo substituída, em até 4 anos, pelas penas brancas.

É um saneador do ambiente, alimentando-se de carcaças, inclusive de animais atropelados, acompanha o Urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura) que possui olfato mais apurado. Com seu bico forte rasga a pele de cadáveres maiores, auxiliando a alimentação de diversas espécies. Normalmente se alimenta primeiro o que rendeu muitas histórias e o título de “Rei”, é subjugado pelo Urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus) quando o mesmo se apresenta em grande quantidade disputando a mesma carcaça.

Como a maioria das espécies da família Cathartidae o Urubu-rei defeca nas pernas para a termorregulação, função também exercida pelas partes nuas da cabeça e pescoço.

O Urubu-rei é uma espécie que vive preferencialmente aos casais, as vezes tolerando a presença de imaturos. Podem ser observados em maior número quando se alimentam de alguma carcaça ou eventualmente em dormitórios como no Raso da Catarina (Jeremoabo) BA, onde já foram computados cerca de 80 indivíduos em um só dormitório. O primeiro registro para Atibaia ocorreu em Setembro de 2014, e posteriormente em Agosto de 2015. Já se ouvia relatos na região sobre a presença desta espécie, em especial de Danianderson Rodrigues Carvalho que observou um indivíduo sobrevoando a cidade de Atibaia e do Luiz Pereira Bueno (Seu Luiz) que comentou com o ornitólogo Willian Zaca sobre um casal de “duas aves grandes, com penas pretas e brancas” que pousaram no Parque Municipal da Grota Funda.

A espécie apresenta média sensibilidade a perturbações antrópicas sendo registrada em cidades próximas de Atibaia como: Franco da Rocha (PE Juquery), Jundiaí (Serra do Japi) e Guarulhos. Para o município de São Paulo existe um registro de 1898 de Rodolpho von Ihering. Registros fotográficos publicados no WikiAves constam para as cidades de Cajamar, Joanópolis, São Paulo, entre outras.

Sua distribuição vai além das nossas fronteiras nacionais, ocorrendo do sul do México até o norte da Argentina e Uruguai, no Brasil é mais comum nas áreas de Cerrado e formações florestais que apresentem áreas rochosas.

Frequentemente caçado como troféu em tempos não muito remotos o Urubu-rei sofre atualmente com o desaparecimento de áreas para sua sobrevivência Na FLONA Ipanema constatou-se a utilização de um fundo buraco nas rochas para nidificação, tal comportamento foi sugestionado como preventivo para a ocorrência de incêndios florestais comuns naquela área. Apesar de não ser considerado internacionalmente e nacionalmente como ameaçado de extinção a espécie consta “Em Perigo” para o Estado de São Paulo, estudos sobre diretrizes para a conservação e restauração da biodiversidade no Estado configuraram o Urubu-rei como “Espécie-alvo”, sendo um bioindicador da qualidade das áreas no Estado. No Plano de Ação Nacional das Aves de Rapina o fomento de pesquisas sobre a espécie é indicado como de alta prioridade.

Fonte: Atibaia News


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