Araraquara (SP) pretende castrar dois animais por dia, gratuitamente


A dona de casa Fátima Lopes (48) cuida de 14 gatos que vivem num terreno baldio no Vale do Sol
A dona de casa Fátima Lopes (48) cuida de 14 gatos que vivem num terreno baldio no Vale do Sol

Em um terreno baldio no bairro Vale do Sol ‘moram’ 14 gatos, em sua maioria fêmeas, que são cuidados pela dona de casa Fátima Lopes, de 48 anos. Ela não deixa faltar-lhes ração nem água, mas reclama que não consegue castrá-los e, assim, evitar que procriem. São dois os motivos: o primeiro é que são ariscos e difíceis de capturar; o segundo é que ela teria de pagar, no mínimo, R$ 50 por cada castração. “No início, eram apenas três fêmeas, mas acabaram procriando e, hoje, já são 14. Imagine o quanto esse número não pode aumentar se eles não forem castrados?”, questiona.

Sem custeio público – Fátima enfrenta o mesmo problema de muitos cuidadores e tutores de animais na cidade. Nos últimos dois anos, a Prefeitura não investiu em campanhas de castração de animais. A última delas foi realizada em 2013 e resultou em 919 animais castrados.

De lá para cá, a única contribuição do Município tem sido cumprir com o pagamento do contrato com o canil da Clínica Siciliano, que tem por dever castrar os animais que são abrigados pelo canil.

Fora isso, a empresa doa castrações gratuitas. “Fazemos esse trabalho por amor aos animais, mas não recebemos a mais por isso”, explica Alessandra Siciliano, proprietária da clínica. Entre as castrações doadas e as que foram feitas nos animais abrigados pelo canil, foram realizadas 1.181 em 2014 e, neste ano, até o momento, 1.395.

Novo contrato-
Amanhã deve ser renovado o contrato entre a Clínica Siciliano e a Prefeitura para que a empresa mantenha a operação do canil. Neste novo acordo consta a realização de 80 castrações gratuitas por mês — 960 ao ano.

O critério para a escolha de qual animal poderá ser castrado será a renda do tutor. “Serão privilegiados os moradores que estão inscritos no CadÚnico, cadastro que identifica famílias de baixa renda”, informa Alessandra.

Com isso, o caso de Fátima também não será resolvido, já que ela não é a dona dos 14 gatos, mas apenas cuida deles na rua.

Faltam instrumentos
– O secretário de Meio Ambiente, José Antônio Delle Piage, garantiu que iria analisar o caso da dona de casa Fátima e seus 14 gatos. Contudo, revelou que, além do custeio da castração dos felinos, também falta ao Município ‘gatoeiras’ e profissionais para capturá-los.

A dona de casa conta que também pediu ajuda à Aapa (Associação Araraquarense de Proteção aos Animais), mas também não teve êxito pelos mesmos motivos.

Adriana Matos, presidente da entidade, diz que também não possui hoje gatoeiras disponíveis para capturar os felinos. “Vou entrar em contato com ela para ver em que podemos ajudar”, garantiu.

Município precisa olhar mais para a causa animal – A presidente da Aapa (Associação Araraquarense de Proteção aos Animais) afirma que a Prefeitura de Araraquara precisa investir mais na castração dos animais, já que é um problema de saúde pública.

“Podemos organizar mutirões, convidar os veterinários e fazer uma castração em massa, mas o Município precisa colaborar, até porque não é um procedimento barato”, diz.

Adriana conta que, nos próximos dias, serão feitas 200 castrações gratuitas nos bairros Jardim Maria Luíza e São Rafael. “Nesse trabalho, faremos somente o atendimento à população de baixa renda, que não tem condição de arcar com o valor da castração”, explica.

No entanto, ela comenta que a procriação dos animais é muito rápida, por isso é necessário um trabalho feito de forma constante em toda a cidade.

Baixo custo- Um modelo aplicado em Araraquara estabelece a castração a baixo custo. O preço é de R$ 50 para gatos e R$ 80 para cães até dez quilos. Acima desse tamanho, sobe R$ 10 para cada cinco quilos.

‘Preciso castrá-los’ – A dona de casa Fátima Lopes (48) cuida de 14 gatos que vivem num terreno baldio no Vale do Sol. “Já gasto R$ 200 por mês em comida. Eu também terei de pagar para castrar um por um?”, questiona. “Preciso de ajuda. Nem capturá-los eu consigo.”

Fonte: Tribuna de Araraquara


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