Outro olhar para os outros animais - ana maria aboglio

Relações entre veganismo e justiça

Quando consideramos que o veganismo é uma prática de justiça e igualdade, estamos descrevendo claramente uma postura muito diferente da que surgiria ao considerá-lo como uma forma de reduzir o...

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07/08/2015 às 15:40
Por Redação

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Quando consideramos que o veganismo é uma prática de justiça e igualdade, estamos descrevendo claramente uma postura muito diferente da que surgiria ao considerá-lo como uma forma de reduzir o sofrimento. Se entendemos esta diferente em nível teórico, é fácil entender porque alguns grupos ou pessoas podem difundir o veganismo quando, por exemplo, matam e promovem a morte dos animais sem lugar.

Assim, quando Temple Grandin projeta um matadouro para “enganar” as vacas e garantir que vão com menos resistência até a mão inicial do processo de seu assassinato, tenta reduzir o sofrimento psicológico que redundará, diz, em maiores benefícios para a indústria. Quando visitou o país em 2000, com o apoio da indústria carnista para a exposição no 46º Congresso Internacional de Ciência e Tecnologia de Carnes realizado em Entre Ríos, Grandin se pronunciou:

“Comecei projetando currais e instalações, que já são um clássico, ao ponto em que um terço dos currais do meu país são feitos com desenhos meus. Logo, me especializei no manejo dos animais em feedlots e plantas de operação. Atualmente, estou assessorando o McDonald’s em assuntos de bem-estar animal. Esta empresa estipulou como meta constituir o benchmark, o padrão global nesta matéria, e impôs a seus fornecedores de matérias-primas de origem animal – carne, ovos – padrões rigorosos para erradicar os maus-tratos.

Para quem pensa em números, o animal é mais uma coisa que pode ser somada ou subtraída e, por fim, só interessa ter mais animais por m², hora, curral, etc. É um pensamento industrial, quantitativo. Por isso mesmo me dediquei a quantificar os resultados de minhas propostas, para que o gerenciamento entenda as vantagens de trabalhar o gado com estes métodos.

Outra meta a que me atenho é não propor coisas antieconômicas: as melhoras devem adaptar-se à forma em que as empresas trabalham hoje em dia, sem impor revoluções nem grandes custos. No fundo, trabalhar bem não custa mais que fazê-lo mal.

A chave é que a picana (aparelho de dar choque) esteja ali, mas não permanentemente à mão do operador (caminhoneiro, operário), de modo que não se converta em um instrumento de rotina. Deve-se tê-la à mão caso fizer falta, mas pendurada na parede. Isto corta o hábito de tocar os animais a choques, o que é muito difícil de evitar. Apenas deve-se usar a picana no animal que corta o fluxo, deixando que o resto se mova sem tomar choque”.

Essa postura é sustentada por organizações como a PETA, que concedeu um prêmio a Grandin. Em minha opinião, não apenas segue promovendo o uso “humanitário”, como também reforça a forma de humilhá-los através de um engano. Dirão que a vaca “não sabe”. Mas por acaso a ética não é a questão de que os humanos “sabem o que fazem”? Essa velha pergunta pelo mal, que afeta a filosofia, passa em primeiro plano quando leio Grandin.

Assim, enquanto a ex-presidente da PETA pega a pata de um cão em frente às câmeras, em “I am an animal”, para matá-lo e diz que o melhor que pode acontecer a um animal enquanto não encontra um lar é “coloca-lo para dormir”, não se contradiz com uma política determinada, como é a do bem-estar anima Trabalhar para a regulamentação da escravidão ou controle dos animais abandonados por meio de sua matança, implica em concentrar recursos, semear pensamentos/sentimentos e produzir mobilizações para manter e reproduzir socialmente um estado de situação de dominação sobre os outros animais e da entrega sistemática de morte.

Mas os animais não humanos não estão apenas interessados em não sofrer, mas também em continuar vivendo. Por isso disse que o veganismo é o mínimo que devemos aos animais, assim como também é uma prática de justiça e igualdade. Muitas das atuais divergências entre defensores dos animais são consequências da mesma história de um movimento que acaba em duas vertentes relacionadas com animais não humanos: a luta “contra a extinção das espécies” por um lado, e a “proteção dos animais”, que se traduz pela proteção de alguma espécie em particular, usualmente aquela com quem mantemos vínculos afetivos, e nem sempre ajudando a resolver o problema a fundo.

Enquanto isso, o Direito avança.

Mas avançar é uma maneira de falar. Por exemplo, lemos que o Código Civil da França passou a considerar os “animais de estimação” como “seres vivos dotados de sensibilidade”, os quais já não serão bens móveis, podendo ser protegidos dos maus-tratos e do abandono. Esta modificação legal preparará discussões no que tange aos que tem “donos”, podendo-se estabelecer certas disposições contratuais levando em conta que seguem sob o regime de propriedade. O Direito, neste caso, junta em uma norma o reconhecimento de que as pessoas têm animais que “querem muito” e que necessitam ter uma proteção legal.
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Isto é o que o direito reconhece: uma realidade. Outro avanço ocorrerá quando se rejeitar massivamente o uso de outros animais.

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