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Corujas raras são achadas em troca de poste em Mogi das Cruzes (SP)

25 de julho de 2015
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Filhote machucado foi encaminhado para tratamen- to (Foto: Jefferson Leite/Arquivo Pessoal)
Filhote machucado foi encaminhado para tratamen-
to (Foto: Jefferson Leite/Arquivo Pessoal)

Ao substituir um poste no bairro do Cocuera, em Mogi das Cruzes (SP), o eletricista Roberto Rodrigo Ribeiro da Luz encontrou três filhotes de corujas. Dentro da estrutura de madeira estava o ninho de uma ‘família’. Ao descer o poste, uma das aves caiu e outras duas ficaram dentro do ninho. O animal que caiu estava bem, mas uma das corujas que havia ficado dentro do ninho estava muito fragilizada e machucada.
Morador de Guaratinguetá e sem conhecer muita gente em Mogi, Roberto Ribeiro começou uma saga na tentativa de salvar o animal ferido. “Eu gosto muito de animais, inclusive participo de ONGs que cuidam de animais e me comovi. Eu comecei a chorar e pedi para os meus amigos que estavam trabalhando comigo que me ajudassem. Ela não conseguia nem ficar em pé. Como eu fiquei com medo de ela morrer, levei a pequena”, comenta.
Sem saber o que fazer com o filhote, Ribeiro fez uma pesquisa no G1 e encontrou uma matéria com Gustavo Pinto que é um defensor de aves de Americana. “Eu fui pesquisar na internet como poderia tratar do animal: quais eram os horários para se alimentar e qual era a comida ideal para aquela espécie”, completa.
A solução encontrada foi acionar a ajuda mais próxima. Gustavo Pinto entrou em contato com o veterinário de Mogi Jefferson Leite, mas não foi fácil localizar a coruja e seu novo protetor.
“Começou uma aventura até acharmos o Roberto Ribeiro. Ele estava trabalhando e não via nossas mensagens [do veterinário e de Gustavo]. Passei a manhã atrás do Roberto até que o encontrei em Guararema”, contou Leite.
O veterinário explicou que os filhotes são da raça Caburé-acanelado (Aegolius harrisii). “A corujá é rara. Eu sabia da ocorrência dela aqui, mas é difícil vê-la. Pouco estudada, com poucas informações. Fui com o Roberto até o ninho procurar os outros dois filhotes, mas não os achamos.”
Leite então recolheu o filhote machucado na casa de Roberto e ficou aliviado ao perceber que ele estava bem. A ave foi levada para a sua clínica em Mogi das Cruzes. “Eu não tinha a menor ideia que se tratava de uma espécie rara. Para mim, todos os animais são raros. Confesso que fiquei com medo quando o Jefferson foi me procurar. Pensei que alguém tinha me denunciado para o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).”
“Ontem à noite voltei ao local e encontrei os outros filhotes, que estavam com os pais. Quando tiver condições a intenção é soltar perto da família”, diz o veterinário.
“O Jefferson foi muito valente. Ele voltou à noite com a equipe dele e encontrou as outras duas corujas”, diz Roberto, acrescentando que quer reencontrar os animais que ajudou a salvar. “Eu estou de volta para Mogi na semana que vem e quero acompanhar a história. Eu fiquei contente em ver que existem pessoas que ainda se preocupam com os animais. Foi uma sorte para a mim e para a coruja também a gente ter se encontrado. Ela tocou o meu coração”.
A ave foi levada para um centro de tratamento de animais silvestres em Cubatão. Depois de recuperada, a coruja deverá ser solta no mesmo local onde foi capturada e ficar junto com a família
Fonte: G1

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