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ONG de Jundiaí recebe onça-pintada após viagem de 3,3 mil quilômetros

12 de julho de 2015
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Onça terá atendimento em ONG de Jundiaí (Foto: Reprodução/TV TEM)
Onça terá atendimento em ONG de Jundiaí
(Foto: Reprodução/TV TEM)

A ONG Mata Ciliar, de Jundiaí (SP), tem um novo morador: uma onça-pintada que era criada como animal doméstico em Porto Novo, no Pará. O animal, que recebeu o nome de Felipe, viajou cerca de 3,3 mil quilômetros até chegar – na noite da última quarta-feira (8) – ao novo lar, onde passará por um tratamento visando a sua reabilitação e retorno ao seu habitat.
A onça é um macho jovem, de aproximadamente um e meio, que pesa 55 quilos. Ela foi encontrada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) perto de um garimpo no Pará, onde era criada como um animal doméstico e, inclusive, usava coleira. A denúncia chegou até o órgão depois que uma foto, que mostra o animal preso, foi postada em uma rede social.
De acordo com a coordenadora de fauna da ONG, Cristina Harumi Adania, o animal foi levado para Jundiaí por conta do trabalho que a associação realiza, há anos, com felinos. “Foi uma surpresa saber que um animal tão grande era criado desde o seu nascimento como doméstico. Se um gato, que tem um porte muito menor, pode machucar o tutor durante uma ‘brincadeira’, imagina uma onça”, pondera.
Cristina conta que durante a viagem até Jundiaí o animal chegou a destruir, por duas vezes, as caixas de madeiras a qual era colocado para facilitar o seu transporte. “Isso significa que ele estava muito estressado”, frisa. Apesar disso, a coordenadora da ONG garante que Felipe apresenta boas condições de saúde. “Ele tem musculatura de um animal que fazia muito exercício, bem diferente dos demais animais que a gente costuma ver em cativeiro”. Porém, a equipe veterinária da Mata Ciliar só irá realizar exames com o felino após ele passar pela fase de adaptação ao novo lar. “Não queremos anestesiá-lo e acabar deixando ele mais estressado neste momento”.
Felipe não foi solto imediatamente ao seu habitat natural por apresentar hábitos de um animal semi-domesticado. “Ele se alimentava, muitas vezes, sem ter a necessidade de caçar e tinha um contato muito próximo com o homem. Na natureza, isso poderia prejudicá-lo, podendo ser abatido facilmente por caçadores ou até mesmo poderia causar graves acidentes ao se aproximar de alguma residência”, frisa a coordenadora da ONG.
Reabilitação
Já na Mata Ciliar Felipe passa por uma fase de adaptação ao novo lar. “Ele está com muito medo e se apresenta bastante agressivo, mas ao mesmo tempo calmo. Se alimentou e descansa da longa viagem. Passada essa primeira fase, nós vamos impor alguns desafios para ele, visando avaliar se ele terá condições de voltar ao seu habitat”, explica Cristina.
Um dos principais critérios a serem avaliados é se ele conseguirá viver sem o contato humano. “Ele vai ficar em um recinto muito grande e será monitorado por câmeras. Ele precisa ter medo do homem para ser solto. Porque imagina se a gente solta ele assim e depois ele dá de encontro com o ser humano querendo comida ou até mesmo carinho, seria irresponsabilidade”.
Só depois de três meses, segundo Cristina, será possível avaliar se a onça poderá voltar à natureza. “Nós vamos observar o comportamento dela e depois deste período eu poderei dizer se o animal fica condenado ao cativeiro ou se ele pode voltar à sua origem, apesar da agressão que ele sofreu. Porque manter um animal em cativeiro é, além de crime, uma agressão”.
Uma pessoa que mantém um animal silvestre em cativeiro pode pegar pena de seis meses a um ano de detenção, além de pagar uma multa de R$ 5 mil. Apesar do animal ter sido entregue de forma voluntária ao Ibama, a pessoa foi multada em Porto Novo e o órgão continua investigando o caso.
Fonte: G1

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