Cresce o número de denúncias e animais abandonados em Penápolis (SP)


Por Alex Avancini (da Redação)

gato

Um grupo de protetores dos animais na cidade de Penápolis, no interior de São Paulo, está preocupado com a atual situação dos cães e gatos abandonados da região. Segundo o relato dos voluntários, o local não tem um canil municipal e as autoridades nem as ONGs que atuam no município conseguem suprir a demanda, que já chega a 2 mil animais.

Os ativistas exigem explicações por parte do poder público local sobre uma verba prometida pelo deputado Feliciano Filho em audiência realizada na Câmara de Vereadores em maio de 2013. Para receber o dinheiro o município deve apresentar um projeto aprovado, descrevendo como a verba será investida, com respaldo jurídico e pareceres técnicos dos serviços de vigilância e veterinária. O projeto nunca foi formalizado e encontra-se parado no departamento jurídico da prefeitura municipal há mais de 2 anos. Existe um prazo de até abril de 2015 para apresentação do projeto público de castração ou a verba será devolvida ao estado.

“Desde novembro de 2013, tentamos conseguir dinheiro com empresários, vereadores, prefeito e pessoas que apoiam a causa animal, mas a principal barreira é o comodismo. As pessoas sempre atribuem a responsabilidade à prefeitura (zoonoses), dizem que já existe a ONG e mesmo com a superpopulação de animais aumentando, não conseguimos nenhum recurso para construção do abrigo. Já pedimos doação de lote, doação de material de construção e mão de obra. Até o momento, só conseguimos alugar abrigos temporariamente, mas temos enfrentado problemas com a estrutura (residencial) que nem sempre é a ideal, vizinhos e pessoas que não gostam de animais, políticos e autoridades que perseguem o trabalho independente e outros”, afirma em entrevista à ANDA, Wilson dos Santos Feitoza, integrante do grupo Voluntários Amigos Protetores dos Animais de Penápolis.

A necessidade de um local para recolhimento dos casos mais graves é indiscutível no município. Todos os dias novas denúncias aparecem na cidade e nem o poder público nem as instituições conseguem atendê-las.

Desde nopenapolis2vembro de 2013, simpatizantes, ativistas e protetores independentes realizam campanhas para conseguir dinheiro para o financiamento de um abrigo para os animais. Até o momento só foi possível o aluguel de abrigos temporários para a resolução dos problemas.

 Denúncia

Segundo os moradores, existe uma matança de animais na cidade. Todos os dias são recolhidos corpos pelo DAEP (Departamento Autônomo de Água e Esgoto de Penápolis) e as queixas de fraude e irregularidades (públicas e privadas) são constantes, como a exploração de cavalos, criações clandestinas de animais para venda e muitos outros abusos que não são fiscalizados nem coibidos pela administração municipal.

O papel do estado recai aos protetores locais que resgatam das ruas animais violentados, procuram por conta própria veterinários que os ajudem solidariamente, buscam recursos financeiros para realizar exames, tratamentos e medicamentos e abrigam e monitoram cada caso. Tudo sem nenhuma ajuda do poder público contando apenas com pessoas que realmente querem fazer algo real pelos cães e gatos abandonados.

Penápolis precisa de um programa permanente de castração para que seja efetivamente amenizado o problema assim como a destinação de verbas publicitárias para conscientização quanto ao respeito aos animais pela guarda responsável. Protetores locais acreditam existir recursos públicos para implantação dos programas de castração no município, mesmo com o prefeito municipal declarando à imprensa não haver dinheiro em caixa.

penappolis4Pedido de ajuda à Promotoria de Justiça

Em carta ao promotor de justiça da cidade, Fernando César Burguetti, o grupo Amigos Protetores dos Animais na Cidade de Penápolis ressalta os problemas enfrentados pelo município, onde os projetos de saúde pública não estão sendo efetivamente cumpridos em sua totalidade pela atual administração, principalmente no que se refere à questão dos direitos animais. Há uma “descontinuidade progressiva” da prestação de serviços públicos de caráter essencial e preventivo no combate às zoonoses (doenças infecto contagiosas) em todos os bairros do município.

No documento, os protetores pedem o restabelecimento do atendimento no serviço veterinário municipal devido à demora na entrega dos resultados dos exames diagnósticos de doenças graves e contagiosas, de responsabilidade da Vigilância Sanitária, o que deixa a população em situação de pânico. As principais reclamações são a falta de espaço físico para acomodar os munícipes e seus animais enquanto aguardam atendimento no local, a total falta de estrutura adequada de higiene e isolamento dos animais doentes, além do difícil acesso da população ao serviço veterinário, que só atende uma vez por semana no Centro de Controle de Zoonoses, com no máximo 20 casos pré-agendados no dia anterior.

A carta dirigida à promotoria ainda solicita um projeto de medicação gratuita para a população, a abertura de processo licitatório para viabilizar o projeto de castração municipal, o cadastro único dos animais, a criação e elaboração de um termo de guarda responsável e o registro de todos os animais domésticos.

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