Ursos confinados no Aquário de São Paulo já sofrem de exaustão


Por Fernanda Franco (da Redação)

Foto: Adriano Vizoni/Folhapress
Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

Embora a mídia comum continue a tratar como festa o drama vivido pelos ursos polares trazidos recentemente ao Brasil, a situação vivida pelos animais é bastante preocupante – e tende a piorar.

Recém-chegados de um zoológico na Rússia, os ursos Aurora e Peregrino, confinados no Aquário de São Paulo, já demonstram sinais de exaustão devido à condição de cativeiro, à hostilidade climática (pois artificialização nenhuma dá conta de devolver as condições naturais de vida a esses animais) e à constante exposição a que estão sendo submetidos – que varia desde a imprensa sensacionalista a visitantes curiosos.

Entre tantos outros casos conhecidos de animais sendo sequestrados da natureza e submetidos à tortura da existência reduzida ao cativeiro, temos o urso Taco, que comoveu o mundo na esperança de conseguir ser transferido para um santuário no Canadá, mas não resistiu à vida em confinamento e acabou morrendo recentemente no zoo do Chile.

De fato, enquanto condenados a uma vida de sofrimento em cativeiro – condição normalmente promovida por instituições voltadas para o lucro e não para a preservação da vida animal – infelizmente as perspectivas não são nada boas para nossos amigos Aurora e Peregrino.

Aquários e zoos não preservam a vida selvagem

É sabido que, ao serem mantidos em confinamento, os animais vão perdendo, a cada nova geração reproduzida em cativeiro, a memória que constitui sua natureza e seu modo próprio de viver. “Matamos o patrimônio genuinamente ‘animal’ dessas espécies. Temos apenas ‘organismos’ destituídos de ‘mente’ específica. Por esse motivo, reproduzir animais em zoos não garante que sua espécie de vida seja preservada”, alerta a filósofa abolicionista Sônia T. Felipe.

Promover e preservar a vida selvagem, portanto, dependem diretamente da proteção dos habitats e da criação de espaços naturais que permitam a vida em liberdade – o contrário do que defende o modelo de zoos e aquários, que confinam animais em jaulas e recintos artificiais.

Costa Rica: um exemplo a ser seguido

Na Costa Rica, os animais experimentam a vida em liberdade (Foto: Divulgação)
Na Costa Rica, os animais experimentam a vida em liberdade (Foto: Divulgação)

Enquanto países como a Costa Rica, que decidiu fechar seus dois zoológicos estatais e transformá-los em jardins botânicos, já se dão conta de que confinar animais atrás das grades não contribui para a preservação da vida selvagem, o Brasil ainda insiste nessa prática retrógrada de investir na vida em cativeiro.

Ao contrário do Brasil, a Costa Rica desistiu do modelo de confinamento em 2014, e inspirou o mundo ao decretar o fim dos zoos, investindo na criação de parques naturais, onde os animais possam viver mais perto de seu habitat e em liberdade.

Manifestações

Indignados com a condição dos ursos, grupos de ativistas em defesa dos animais começam a organizar manifestações no Aquário de São Paulo.

Uma delas, organizada pelo grupo Frente de Libertação Animal, está prevista para ocorrer no próximo sábado (25), às 10h, e já conta com a presença confirmada de mais de 400 participantes no Facebook.


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