Ibama realiza projeto pioneiro de soltura de macacos-prego


Foto: Divulgação
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Um pedaço de mata atlântica em regeneração recheada de araucárias que chegam a ser centenárias e próximo a um vale cinematográfico é o cenário ideal para a vida em liberdade. Pelo menos para uma família de nove macacos-prego (S. nigritus) que foram soltos no último dia 10 pelo Ibama, em Canela, no Rio Grande do Sul.

Por algum tempo, será uma liberdade monitorada. Em parceria com o Ibama, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) estão realizando estudo sobre a adaptabilidade dos primatas para, com isso, possibilitar um melhor retorno à natureza de indivíduos nas próximas solturas.

Canela é uma cidade da serra gaúcha muito conhecida pelo chocolate. Por ser próxima a Gramado, o turismo é o carro-chefe da região. Cidade de frio intenso no inverno (pelo menos para os parâmetros brasileiros), abriga, atualmente, mais um motivo de orgulho: a vocação ambiental. “Este é o primeiro projeto de soltura em área contínua no Brasil”, informou o analista ambiental do Ibama Paulo Wagner. Como chefe do Centro de Triagem (Cetas) do instituto no Rio Grande do Sul, o veterinário já fez voltar à natureza outros 270 macacos-prego, em diversos lugares do país. Segundo ele, dos nove desta última soltura, sete foram apreendidos em cativeiros irregulares. “Apenas dois não estavam tão acostumados aos humanos”, falou Paulo.

Para o retorno à liberdade, foi necessário um intenso trabalho de preparação e recuperação de algumas capacidades perdidas em cativeiro para que conseguissem se manter no ambiente da soltura. Há dois anos, eles estão sendo preparados no mantenedor de vida silvestre São Braz, parceiro do Ibama localizado em Santa Maria. Nos últimos oito meses, a aluna de mestrado da UFRN Silvana Sita foi até lá e tem ajudado os animais a se readaptarem. “Os macacos-prego foram preparados física e comportamentalmente e foi trocada a alimentação para uma mais próxima da vida livre”, informou a aluna.

Silvana tem como orientadora a doutora e pesquisadora Renata Ferreira, professora da UFRN que tem estudado o comportamento de macacos-prego desde 2004. A professora já reintroduziu 71 indivíduos e observou outros 160 com dados comportamentais e hormonais. Segundo ela, viver preso em celas pode ser considerada a base biológica da loucura. “Animais em cativeiro têm uma tendência maior a depressão, hiperatividade, bulimia e hipersexualidade, demonstrando desvios de comportamento que não se encontram quando estão em vida livre”, revelou. Para Paulo Wagner, esse tipo de comportamento gera um grande preconceito contra a espécie. “Os bichos são vistos como praga, quando, na verdade, não escolheram ser capturados da natureza filhotes para viverem cativos nas casas das pessoas. É preciso reverter esse preconceito”.

A pesquisa prevê um período de estudo que avaliará o sucesso quanto à adaptabilidade dos macacos-prego na área de soltura. “Iremos permanecer três meses no local e observar se os primatas estão conseguindo alimentação, como interagem entre eles e se irão conviver com outros grupos de macacos-prego da região”, disse Silvana. Com isso, espera-se que os centros de triagem do Ibama possam reconhecer qual a melhor forma de reintroduzir esse tipo de animal na natureza. Foram colocados microchips e rádios-colares nos macacos-prego soltos. Com uma antena, fazendo-se a observação direta, pode-se saber qual a localização dos indivíduos soltos na mata.

Segundo o superintendente do Ibama no Rio Grande do Sul, João Pessoa Moreira, o instituto precisa, cada vez mais, de estudos para comprovar o sucesso das reintroduções. “A lei 13.052, promulgada no ano passado, prevê para a sociedade o que o Ibama já realiza: que os animais apreendidos sejam soltos, prioritariamente, em seu habitat de origem”, disse.

A soltura foi realizada em soft release, ou seja, os macacos-pregos foram colocados em uma grande gaiola no ambiente em que seriam soltos alguns dias antes para que pudessem se ambientar. Além disso, durante algum tempo, será colocada comida em caixas próximas ao recinto para que os macacos se sintam seguros quanto à alimentação. Ao longo do tempo, quando os primatas começarem a explorar mais o local e encontrarem comida na região, essa alimentação começará a ser diminuída até que não seja mais necessária.

O Ibama também tem como parceiros no projeto de soltura a prefeitura de Canela e os proprietários das terras onde os macacos se encontram, Abel Branchini e Walter Bromberg. O projeto de pesquisa está sendo financiado pela Rufford Foundation, da Inglaterra. Existe um acordo de cooperação da UFRN com a também inglesa Universidade de Bristol para trazer alunos para observação dos macacos. Em breve, será lançado na região um projeto de educação ambiental.

Fonte: Ibama


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