derrubando preconceitos

Atleta vegano conquista primeiro lugar em campeonato de fisiculturismo no Brasil

Cresce cada vez mais o número de vitoriosos veganos dentro de competições esportivas nacionais e internacionais. A musculação e o fisiculturismo tem cada vez mais chamado atenção entre pessoas estritamente...

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11/03/2015 às 06:00
Por Redação

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Por Alex Avancini (da Redação)

Cresce cada vez mais o número de vitoriosos veganos dentro de competições esportivas nacionais e internacionais. A musculação e o fisiculturismo tem cada vez mais chamado atenção entre pessoas estritamente vegetarianas. Hoje, já é possível encontrar times de fisiculturistas veganos no mundo e no Brasil. Diversas marcas apostam na alimentação especializada dos atletas veganos e grupos nas redes socias ajudam as pessoas a tirarem suas dúvidas sobre praticar a atividade física mantendo a filosofia de apoio total à causa animal.

Recentemente, o atleta vegano Felipe Garcia do Carmo, conquistou o 1° lugar da categoria Class 1 (acima de 1.79m) no II Campeonato de Fitness e Musculação, realizado em Mairinque, no interior de São Paulo que ainda contou um outro vegano no palco, Paulo Victor Pinheiro, o Paru, que conquistou o 4ª lugar da competição. Com 8 participantes, Felipe se destacou entre todos os concorrentes e levou o troféu para casa. Uma grande vitória para ele e para veganismo.

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Felipe Garcia do Carmo, conquistou o 1° lugar da categoria Class 1 (acima de 1.79m) no II Campeonato de Fitness e Musculação – Foto: Antohy Bueno

Em entrevista para a ANDA, o atleta explica que o campeonato avalia o físico mais perfeito. Os critérios são: volume muscular, simetria, proporção e definição. O atleta que apresentar o melhor conjunto desses critérios é considerado o campeão. “Foram 4 meses de dieta extremamente calculada, ingerindo 7 refeições diárias. Os alimentos que usei nessa dieta são os mais simples, gosto de manter as refeições com alimentos saudáveis como frutas (banana, abacaxi), arroz integral, feijão, lentilha, aveia, linhaça, castanhas, carnes de soja, tofu , pasta de amendoim integral, legumes e verduras variados, em especial, berinjela, brócolis, couve, espinafre, e shakes de proteínas isoladas, como a proteína isolada do arroz, a proteína isolada da ervilha e a proteína isolada da soja.”

Felipe treina 5 vezes na semana, com 45 minutos de treino com pesos e 20 minutos de esteira ou bicicleta. “Levar a bandeira do veganismo ao palco foi maravilhoso. Minha maior motivação durante toda a dieta era essa, mostrar às pessoas, à mídia, e a todos os cantos desse Brasil que um atleta vegano possui as mesmas características em performance esportiva que um atleta onívoro, quebrando o mito de que as proteínas vegetais são inferiores às proteínas animais. E ficar em 1º lugar, competindo com atletas onívoros foi a prova que faltava para acabar de vez com a crença de que veganos são menos saudáveis, fracos ou incapazes de subir ao topo mais alto em uma competição, seja no fisiculturismo ou em qualquer outro esporte”, diz o atleta.

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Atleta vegano é 1ª lugar em campeonato de fisiculturismo no interior de São Paulo – Foto: Anthony Bueno

Questionados sobre o alto rendimento dentro do esporte, atletas que seguem uma dieta sem produtos de origem animal têm sua eficiência colocada em dúvida quando o assunto é a preparação alimentar. Sempre rodeada de mitos, a proteína é o assunto preferido quando os veganos são o alvo das discussões. Um tremendo desconhecimento das possibilidades de uma dieta rica neste e nos outros nutrientes.

Proteínas

Proteínas são macromoléculas compostas por ligações polipeptídicas, ou seja, ligações entre aminoácidos. Suas funções no organismo podem desempenhar diferentes papéis como, estruturais, mensageiras, catalizadoras (as enzimas), transportadoras, funcionais entre outras. Sintetizadas no interior da célula pela demanda do organismo, essa molécula precisa dos aminoácidos corretos para formação de cada tipo proteico a ser preparado e esses nutrientes podem ser adquiridos na fonte vegetal por veganos ou animal, pelos onívoros que desconsideram os direitos animais na alimentação. Os aminoácidos se dividem em essenciais e não essenciais. Os não-essenciais ou dispensáveis são aqueles que o corpo humano pode sintetizar. São eles: alanina, asparagina, ácido aspártico, ácido glutâmico, serina e taurina. Os aminoácidos essenciais são aqueles que não podem ser produzidos pelo corpo humano. Dessa forma, são somente adquiridos pela ingestão de alimentos vegetais ou animais. São eles: fenilalanina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, treonina, triptofano, histidina e valina. Todos os aminoácidos essenciais podem ser encontrados no reino vegetal, portanto, vegetarianos e veganos definitivamente não têm problemas com proteínas.
 

Preparação e veganismo

Felipe sempre foi apaixonado por fisiculturismo e musculação. Começou a treinar quando ainda era onívoro e tinha 19 anos de idade. Cursou uma faculdade de educação física de tanta paixão pelo esporte e passou a dar aula como personal trainer. Anos mais tarde fez bacharelado em educação física e nesta experiência conheceu quem é hoje o seu melhor amigo, companheiro de treino e técnico nos campeonatos, o responsável por levá-lo aos palcos.

“Nessa fase eu consumia aproximadamente 1kg de peito de frango por dia, sem contar ovos, queijos e suplementos à base de leite animal, que são as fontes proteicas para qualquer fisiculturista onívoro. Mas um dia, vi uma foto em uma rede social que mostrava a tristeza de um cão filhotinho e o olhar de desilusão de sua mãe presa a uma jaula, que posteriormente iria ser abatida. Aquela imagem me perturbou, me pegou de jeito. Chorei demais e refleti sobre aquilo, até que cheguei a conclusão que mudou minha vida para melhor: Se eu amo uns, por que como outros?. Desse dia em diante decidi não comer mais carne. E assim foi. Virei ovolacto vegetariano por apenas 3 semanas e logo parti para o veganismo, por amor aos animais, por sentimento!”, comenta o atleta.

Os fisiculturistas se preparam para a competição, cada um com seu planejamento e estratégia de treinos e dietas, com objetivo de perda de gordura e até água, para que os músculos se tornem mais densos e definidos. A alimentação de um fisiculturista deve conter quantidades adequadas de proteína, gordura, carboidratos, vitaminas, minerais e água, cada qual com determinada função, como fornecimento de energia, balanço eletrolítico, síntese de proteínas, entre outros.

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Foto: Anthony Bueno

Parú, outro atleta vegano premiado da noite, conta em entrevista à ANDA que o mercado de esportes consome toneladas de produtos oriundos de animais e que os competidores veganos querem mostrar que é possível ter um desempenho esportivo equiparável aos dos onívoros sem a necessidade de consumo de carne e derivados de animais. O atleta conta que para a produção do Whey Protein (proteína do soro do leite), o suplemento mais consumido pelos praticantes de atividades físicas de todas a modalidades, são necessários 2.200 litros de leite para se obter 1kg de suplemento de boa qualidade. Sem contar as dezenas de ovos consumidos diariamente e além de aproximadamente 1kg de carne.

“Eu estreei como competidor no ano passado, alguns meses depois conheci o Felipe Garcia pelas redes sociais e começamos a conversar, quando soube que ia competir falei com o pessoal da VeganWay para inclui-lo na equipe dos atletas patrocinados e também decidi ir até Mairinque para ajuda-lo nos bastidores (etapas de inscrição, pintura, aquecimento). Após comprar as passagens o meu treinador disse que eu poderia competir para ter mais experiência, já que estou me preparando para competir no campeonato estadual da Bahia que acontece em abril. Fiz uma preparação simples e fui ajudar o Felipe, a principio eu não compito na mesma categoria que ele, mas como nesse campeonato várias categorias foram unificadas acabei subindo para competir com ele. Fiquei duplamente surpreso por ele ter sido o campeão e por eu ter conseguido a 4º colocação. Felipe acabou sendo o irmão mais velho que nunca tive, o esporte e a compaixão pelos animais nos mostrou muitas coisas em comum”, comenta Parú, sobre a conquista na competição.

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Felipe Garcia do Carmo e Paulo Victor Pinheiro, 1º e 4º lugar na competição – Foto: Reprodução Facebook

“Não importa a maneira como cada um consegue expressar o ativismo por um mundo melhor a todas as raças, seja através do esporte ou fora dele. O importante é que cada um tenha a sensibilidade de expor a filosofia de vida vegana de maneira simples, sincera e não ofensiva! Só com amor na entonação de voz, gestos e palavras são suficientes para conseguirmos unir ainda mais adeptos para nossa causa, afinal, se queremos um mundo melhor, temos que ser melhores, temos que dar exemplos. E esses exemplos sutis e bem elaborados são as chaves que irão abrir as portas das mentes das pessoas que ainda não pararam para refletir sobre o assunto, dando a elas a oportunidade de uma reforma íntima na qual o despertar da consciência estimule pensamentos coerentes!”, afirma Felipe Garcia do Carmo.

Outros atletas veganos no Brasil e no mundo

Em janeiro deste ano, dois atletas da Equipe Multiesportista Força Vegana, participaram da prova BR135+, considerada entre os praticantes da modalidade como a prova contínua mais difícil do Brasil, na qual conquistaram importantes resultados. Com 100 atletas participantes, apenas 9 conseguiram completar todo o percurso e José Luiz Da Silva Neto e Éber Valentim foram os representantes veganos da competição, obtendo o quarto e sexto lugares respectivamente.

Dentro do atletismo, Carl Lewis é um dos atletas veganos mais conhecidos no mundo dos esportes. Conquistou 10 medalhas olímpicas, entre elas, nove de ouro e uma de prata. No Campeonato Mundial de Atletismo, obteve oito medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze. É vegano desde 1990 e mostrou ao mundo a possibilidade de se obter excelentes resultados não consumindo nenhum produto de origem animal.

Jim Morris, fisiculturista norte-americano, é mundialmente conhecido por ganhar competições ao longo de uma carreira de trinta anos.
Entre seus títulos estão: Mr. EUA (1972), AAU Mr. América (1973), Mr. Internacional (1974), e Mr. Olympia Master para atletas maiores de 60 anos (1996). Dedica ao veganismo sua excelente performance no esporte.

Outros nomes são Jack Linquvist no ciclismo, Keith Holmes no boxe, Fiona Oakes como maratonista, Georges Laraque no hockey de gelo, Patrik Baboumian no fisiculturismo, Patrick J. Neshek no baseball, Brendan Brazier no triathlon, Meagan Duhamel na patinação, Venus e Serena Williams no tênis entre muitos outros.

Em julho de 2009, a Academy of Nutrition and Dietetics, publicou parecer favorável ao vegetarianismo e ao veganismo referente a estas escolhas na alimentação, confiando a elas, o título de dietas saudáveis.

Parte da publicação diz: “A posição da American Dietetic Association em relação a dietas vegetarianas, incluindo as totalmente vegetarianas ou veganas é que, se apropriadamente planejadas, são saudáveis e nutricionalmente adequadas, podem fornecer benefícios de saúde na prevenção e no tratamento de certas doenças. Dietas vegetarianas bem planejadas são apropriadas para indivíduos durante todas as fases do ciclo de vida, incluindo a gravidez, lactação, infância, adolescência e para os atletas.”

Em família e muito emocionado, o atleta gravou um vídeo agradecendo todo apoio pela sua vitória:

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