SeaWorld lança nova campanha publicitária que não consegue responder às críticas


(da Redação)

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A SeaWorld lançou uma nova campanha publicitária, na tentativa de ganhar de volta os visitantes desiludidos com o péssimo tratamento que a empresa dispensa aos animais.

Às vésperas do lançamento do livro de um ex-treinador do parque que revela tudo sobre os bastidores do cativeiro de orcas, a SeaWorld inicia sua a campanha “Conheça os animais”, que foca em alguns dos indivíduos sob seus cuidados. As informações são do The Dodo.

O primeiro deles é Leon, um leão marinho de 9 anos de idade:

O vídeo esquece de dizer que, assim como baleias orcas e golfinhos, leões marinhos se adaptam muito mal ao cativeiro, enfrentando problemas nos olhos e sofrimento psicológico e acabam privados de expressar seus comportamentos naturais. Entenda os motivos pelos quais a campanha está toda errada:

1. A SeaWorld não tem um bom histórico com os leões marinhos

A empresa realiza esforços para o resgate de leões marinhos na costa da Califórnia, mas isso disfarça as atitudes menos bonitas que o parque mantêm com os animais da mesma espécie que já estão em seus tanques.

Em 2013, a SeaWorld San Antonio foi acusada pela justiça americana de violação das leis de bem estar animal ao permitir que uma leoa marinha sob seus cuidados se afogasse. A jovem leoa, chamada Singer, foi encontrada morta porque os funcionários não fecharam o ralo do tanque com força suficiente para “minimizar o risco do animal ficar preso”.

Os treinadores de mamíferos marinhos que aparecem no documentário Blackfish também disseram ao portal TakePart, em 2013, que a empresa não trata seus leões marinhos melhor do que trata suas orcas. John Jett, doutor em biologia, pesquisador da Universidade Stetson e que já trabalhou na SeaWorld Orlando, afirma:

“É nojento e deprimente. Você vê leões marinhos, morsas e lontras comendo, dormindo e nadando de um lado pra outro em cima dos próprios excrementos e urina. A água nas piscinas pequenas era preta de fezes e havia fezes espalhadas nos animais, nas paredes e nos portões.”

2. O vídeo não tem nenhum valor educacional

Apesar de se pretender um parque educativo sobre a vida marinha, eles estão bem longe disso e o vídeo deixa evidente. Os leões marinhos usam suas barbatanas para muitas coisas, mas dificilmente para expressar felicidade por estarem presos num tanque. Como importantes reguladores de temperatura corporal, as nadadeiras, quando balançadas, podem ajudar esses animais a absorverem o calor do sol ou perder calor para a água.

As nadadeiras também os ajudam a manobrar mais rápido em terra e os impulsionam dentro da água a velocidades de até 21 km/h. Ao passarem o vídeo todo antropoformizando Leon, a SeaWorld esqueceu de incluir qualquer informação sobre os leões marinhos, ou sobre os problemas que essa espécie enfrenta, como mudança climática, doenças e redes de pesca.

3. Na natureza, leões marinhos tem espaço pra respirar

Leões marinhos naturalmente nadam por mais de 6 mil e 400 quilômetros de praias do oceano Pacífico, do centro do México até a gelada província de British Columbia, no Canadá. Alguns leões marinhos machos migram uma vez por ano até o norte da área que sua espécie navega para se alimentarem. No SeaWorld, leões marinhos vivem em pequenos tanques cheios de cloro. Um visitante já flagrou um desses animais brincado com um iPhone que caíra em seu tanque.

4. Leões marinhos têm maiores riscos de problemas de saúde quando em cativeiro

Leões marinhos são passíveis de apresentar comportamento estereotipado ou padrões de comportamento obsessivo, cuja origem está no tédio e na falta de enriquecimento ambiental. Leões cativos apresentam incidência muito maior de catarata, cegueira e problemas oculares, provavelmente devido às substâncias químicas na água, excesso de exposição ao sol e falta de acesso a áreas com sombra, de acordo com um estudo de 2011.

5. E, por fim, é assim que os leões marinhos devem viver: livres!


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