Sea Shepherd brasileira realiza arrastão de limpeza em praias


 Por Alex Avancini (da Redação)

ff
Quase meia tonelada de lixo foi removido pelos ativistas da SS entre garrafas de vidro, plástico, barracas e outros resíduos abandonados na praia. – Foto: Sea Shepherd Paraíba

O Instituto Sea Shepherd brasileiro está empenhado na causa marítima no país. No primeiro mês do ano, investigações da organização no núcleo sul flagraram no Município de Santa Vitória do Palmar (RS), seis embarcações pesqueiras do tipo traineira praticando a pesca de emalhe, proibida, portanto denunciada aos órgãos responsáveis.

Em fevereiro, ativistas da ONG promoveram ações em defesa dos botos na cidade de Laguna em Santa Catarina. A atividade alertou sobre redes de pesca no rio Tubarão, jet skis em alta velocidade, poluição da água por coliformes fecais, resíduos de agrotóxicos e produtos químicos.

Desta vez duas outras ações aconteceram na Paraíba e em Santa Catarina. Ações de recolhimento de lixo nas praias de Jacumã, no município do Conde (PA) e Molhes, da Barra de Laguna (SC), foram executadas por ativistas brasileiros da instituição. Em ambas as atividades foi possível retirar quilos de lixo contido nas areias das praias. Com o material recolhido os núcleos brasileiros realizam trabalhos de conscientização sobre a irresponsabilidade ambiental dos banhistas e da sociedade.

Sessenta porcento da mortandade de tartarugas marinhas é causada pela ingestão de lixo. Segundo a organização somente de lixo plástico no mar são mais de 269 mil toneladas, sendo 92% na forma de micro plástico, uma vez que o plástico não é biodegradável, mas sim foto degradável, ele se “quebra” em micropartículas. Milhares de seres se alimentam dessas partículas, pois muitas vezes não há como diferenciá-las das demais substâncias das quais esses seres se nutrem. Então, além dos efeitos nefastos da pesca, da acidificação dos oceanos, do branqueamento de corais e da elevação do nível do mar, há um desafio enorme a ser enfrentado relacionado ao descarte de lixo.

Paraíba

Em entrevista para a ANDA, o ativista do núcleo paraibano, Igor José Trigueiro de Lima, acredita que o colapso na coleta de lixo promovida pela Prefeitura do Conde – que é alvo de um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público da Paraíba – é apenas um dos vários problemas sócio ambientais deste que pretende ser o centro de um novo polo cimenteiro do estado. Polo este, fomentado pelo governo local, que tem como matriz energética o Petcoke (ou coque de petróleo), um subproduto, resíduo da indústria petroquímica extremamente prejudicial ao meio ambiente e à saúde pública, proibido em vários países mas que na Paraíba é estocado e transportado de forma temerária. A sua utilização é tolerada até mesmo por um representante do Parquet Estadual que não vê problema no fato deste pó químico ser espalhado pelas ruas, avenidas, estradas do estado ou por ele afetar um estuário como o do Rio Paraíba na grande João Pessoa.

O movimento de limpeza das praias paraibanas integra o Dirty Sea Project que procura levar educação ambiental e promoção de limpeza da orla e ambientes subaquáticos. O ativista complementa: “O arrastão de limpeza promovido no último sábado foi o segundo do ano aqui na Paraíba. A praia escolhida foi a praia do Jacumã, no município do Conde. Jacumã é o destino de muitos turistas durante o carnaval e era quase certo que a quantidade de resíduos sólidos ao longo da costa ultrapassasse o ‘usual’ para aquela localidade que não tem cestas de lixo, cujo município sofre a pouco mais de um ano com uma crise na coleta do lixo doméstico e tampouco se observa quaisquer projetos que visem educar moradores ou turistas acerca do problema do lixo na praia. Em suma, o município no qual promovemos a ação do final de semana passado encontra-se (como a maioria dos municípios brasileiros) em desconformidade com a Lei que institui a política nacional de resíduos sólidos.”

seabrasil4

A Praia de Jacumã é uma das mais visitadas da Paraíba e também uma das mais poluídas. Destino de muitas pessoas durante o feriado de carnaval, o local sofre com a irresponsabilidade por parte de seus frequentadores e também com a omissão do poder público que não fiscaliza o descarte e nem recolhe o lixo deixado na praia.

Durante a ação, o grupo de voluntários da Paraíba, mesmo em pouco mais de 3 horas, conseguiu acumular aproximadamente meia tonelada de lixo entre garrafas de vidro, plástico, barracas abandonadas, uma quantidade incalculável de descartáveis, isopor, cordas, restos de redes de pesca e até mesmo partes de o que parecia ser uma geladeira usada.

Muito mais que apenas divulgar petições ou compartilhar notícias indignadas na internet, a Campanha Dirty Sea Project lançada pela Sea Shepherd está percorrendo o litoral brasileiro desenvolvendo Educação Ambiental e limpezas de orla e submersa.

ddd
Equipe de voluntários realizam arrastão de limpeza no litoral paraibano. Foto: Sea Shepherd núcleo Paraíba

Santa Catarina

seabrasil5Em Santa Catarina, os voluntários organizaram a limpeza nos Molhes da Barra de Laguna/SC em parceria com a Associação de Surf de Laguna. Até mesmo uma equipe de voluntários da CELESC (Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A) ajudaram na ação oferecendo sacos de lixo que vinham recolhendo após sua campanha de conscientização feito também próximo ao local.

Na ação, foram retirados garrafas, copos plásticos, preservativos, bitucas de cigarro, embalagem de salgadinhos, fraldas descartáveis, absorventes e até sobras de rituais religiosos. Ao todo, o núcleo catarinense anunciou o recolhimento de 8 sacos de lixo de 100 litros, numa extensão de 200 metros de praia a partir do canto esquerdo dos Molhes.

“Fizemos o que foi possível fazer, com o número de voluntários que tínhamos e nos orgulhamos muito disto”, comenta Hugo Malagoli, diretor voluntário do núcleo de Santa Catarina.

seabrasil6
Em Santa Catarina, 8 sacos de lixo de 100 litros foram retirados das areias numa extensão de 200 metros de praia a partir do canto esquerdo dos Molhes. – Foto: Sea Shepherd núcleo Santa Catarina

Sea Shepherd Internacional

Na Costa Rica, a Sea Shepherd Conservation Society junto a Latin American Sea Turtles (LAST), lançou a “Operação Pacuare”, uma campanha de combate à caça para proteger as tartarugas marinhas na praia de Pacuare, na pequena província de Limón.

No território australiano, a organização interceptou dois de três navios pesqueiros que zarparam da Nova Zelândia depois de terem sido surpreendidos pescando nas águas da Antártida. Os pesqueiros Yongding e Kunlun, alvo de notificações da Interpol, havia sido encontrado pelo barco Sam Simon dentro de águas australianas com equipamento de pesca proibido.

Na Antártica, uma pesca inteira foi interrompida em operação no oceano antártico. Uma rede de pesca de 25 km foi recuperada após ser abandonada pelo navio de caça chamado Thunder.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

Você viu?

DOÇURA

EXTINÇÃO

SONHO REALIZADO

CARIBE

POLÍTICA AMBIENTAL

SÃO PAULO

AÇÃO HUMANA

TRAGÉDIA

MASSACRE


LEIA EM PRIMEIRA MÃO AS NOTÍCIAS MAIS ANIMAIS DO MUNDO

>