Novas diretrizes alimentares do governo dos EUA estimulam diminuição de consumo de carne


(da Redação)

2015-Dietary-Guidelines-Advisory-Committee-issues-report_strict_xxlOs congressistas americanos de estados com importante produção agropecuária estão pra lá de irritados depois de lerem um relatório do governo federal. O documento de 571 páginas encoraja os cidadãos estadunidenses a pensarem no meio ambiente na hora de montar o prato, o que pode prejudicar a indústria de produção de carne. A matéria é da Fox News.

Um painel de especialistas em nutrição recrutados pelo governo do presidente Barack Obama (Democrats) para construir as novas diretrizes alimentares sugeriu na semana passada que o governo deveria levar em consideração os impactos ambientais na hora de influenciar o que a população come.

O relatório, que foi entregue ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, se pretende uma maneira de “transformar o sistema alimentar”, o que enfureceu muitas pessoas na interior do país, assim como seus representantes em Washington.

“Gerações e gerações de pecuaristas e fazendeiros eram e continuam sendo conscienciosos em relação à preservação dos limitados recursos naturais”, afirmou o senador republicano Chuck Grassley, de Iowa. “Eles dependem da terra e do meio ambiente para viverem. Isso é esquecido em Washington e pelo argumento de que a carne vermelha prejudica o meio ambiente.”

O documento, que está aberto para consultas públicas pelos próximos 45 dias, será usado pelo governo não só para montar as diretrizes dietéticas mas também como base para os programas de assistência alimentar do governo e merendas escolares, estimados em 16 bilhões de dólares anuais.

O Instituto Norte-Americano da Carne atacou o relatório, que classificou de “falho” e “nonsense”. Membros da indústria da carne e de refrigerantes acreditam que o painel foi “além do seu escopo de trabalho”.

O dr. Richard Thorpe, médico do Texas e pecuarista, afirmou que está decepcionado com as recomendações do grupo de especialistas e que “é um absurdo que o comitê sugira a redução da carne ou da carne vermelha na dieta americana”.

Thorpe afirma que a ciência da nutrição está “em evolução constante” e que relatórios como o que foi publicado semana passada são um “insulto” que “podem matar uma indústria”.

As diretrizes federais, que são atualizadas a cada cinco anos, aconselham os americanos sobre escolhas saudáveis de alimentação. Mas críticos dizem que o último relatório ultrapassou seus próprios limites e está atendendo a uma campanha para acabar com os produtos de carne vermelha.

Parte do problema, segundo Thorpe, é que o governo está dizendo aos norte-americanos que eles devem considerar a sustentabilidade da própria comida. E para alguns, isso significa menos carne e mais vegetais.

“Grãos deveriam ser o carro-chefe de uma dieta americana?”, indaga Thorpe. Ele diz que seria preciso um carrinho de mão cheio de espinafre para se conseguir a mesma quantidade de ferro que tem uma porção de bife. Ainda segundo o pecuarista, o ferro do bife e do espinafre são diferentes e o primeiro seria mais facilmente absorvível.

De acordo com um estudo de junho de 2014 publicado no periódico Climatic Change, o onívoro médio nos Estados Unidos é responsável por quase duas vezes a proporção de aquecimento global causado pelo ovolactovegetariano médio e quase três quando comparado ao vegetariano estrito médio.

A Universidade de Oxford dissecou a dieta de 60 mil indíviduos – 2 mil vegetarianos estridos, 15 mil ovolactos, 8 mil onívoros que comiam carne de peixe, e quase 30 mil onívoros “tradicionais” – e descobriu que a diferença da pegada de carbono é considerável. Segundo o estudo, tirar a carne do cardápio reduziria em 35% a pegada de carbono. Virando vegano, a pegada do onívoro seria reduzida em 60%.

Mas alguns dizem que isso não deveria estar em discussão. Outros, como Thorpe, afirmam que há grandes benefícios na carne.

Miriam Nelson, professora da Universidade de Tufts, afirma que o painel não está dizendo a todos os americanos para virarem veganos. “Nós estamos dizendo que as pessoas precisam comer menos carne. Precisamos começar a pensar no que é sustentável. (…) Outros países já começaram a fazer isso, a incluir a sustentabilidade em suas recomendações. Nós também devemos”.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

Você viu?

AVANÇO

COMPORTAMENTO

'SAVE RALPH'

ÍNDIA

REVOLTA

AÇÃO SOCIAL

MÉXICO


LEIA EM PRIMEIRA MÃO AS NOTÍCIAS MAIS ANIMAIS DO MUNDO

>