Documentário não levou o Oscar, mas a luta de Virunga continua


Por Fátima ChuEcco (da Redação)

Andre Bauma com um dos gorilas órfãos (Foto: Divulgação)
Orfanato de gorilas na RDC (Foto: Divulgação)

Do Congo para o tapete vermelho e do tapete vermelho para o mundo. Virunga, que concorreu ao Oscar de melhor documentário no dia 22 de fevereiro, não levou a estatueta, mas é graças a esse filme que pessoas do mundo todo estão tendo ciência do perigo de extinção que correm os gorilas das montanhas. Só restam cerca de 800 gorilas dessa espécie no planeta e todos habitam as Montanhas de Virunga numa área fronteiriça entre Ruanda, Uganda e República Democrática do Congo (RDC), sendo nesse último país a maior concentração deles.

Para se ter uma dimensão da gravidade da situação imagine que o prédio onde você trabalha ou estuda, possivelmente tem mais mais gente que gorilas no mundo. Virunga não levou o Oscar, mas já recebeu três prêmios em festivais de cinema internacionais. O documentário mostra a mais recente ameaça aos gorilas na RDC: a SOCO International, uma empresa britânica ávida para explorar petróleo justamente no Parque Nacional de Virunga, declarado oficialmente Patrimônio da Humanidade. Caçadores, agricultores e rebeldes (o país vive mergulhado em violenta guerra civil há décadas) já tornam a sobrevivência dos gorilas das montanhas um verdadeiro milagre, mas agora o inimigo chega de forma mais ameçadora ainda porque pode destruir o último refúgio dessa espécie que, ao contrário do que muitos pensam, é totalmente pacífica e, inclusive, vegetariana.

 (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)
 (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

No filme estão personagens reais, ou seja, pessoas de fato envolvidas com os gorilas como os corajosos guardas florestais. Para a festa de entrega do Oscar a escolha não poderia ser mais justa: passaram pelo tapete vermelho Andre Bauma, um carismático congolês que cuida noite e dia dos gorilas orfãos, e Rodrigue Katembo, gerente do Parque Nacional de Virunga que foi capturado e torturado por 17 dias, mas sobreviveu. Aliás, desde que as investigações em cima da empresa SOCO começaram, os defensores dos gorilas também passaram a ser alvo de violência. O diretor do Parque, Emmanuel De Merode, levou vários tiros em abril do ano passado e quase morreu.

Você deve justificar porque está nessa Terra 

Andre Bauma com os gorilas órfãos (Foto: Divulgação)
Andre Bauma com os gorilas órfãos (Foto: Divulgação)

Andre e Rodrigue, merecidamente, levaram até o evento de cinema mais importante do mundo, um pouco de suas vidas, na verdade, missões que abraçaram. “Você deve justificar por que está nesta terra. Gorilas justificam porque estou aqui. Eles são a minha vida”, diz Andre Bauma que protagoniza algumas das cenas mais encantadoras do filme ao lado de seus “meninos” ou gorilas orfãos, sendo dois deles, Ndakasi e Ndeze, sobreviventes de um massacre ocorrido em 2007, quando uma família inteira de gorilas foi executada na RDC.

“Virunga é uma força vital para a esperança no Congo. O Parque oferece as comunidades a possibilidade de paz e prosperidade por meio do turismo e agricultura sustentáveis. Não podemos deixar que este símbolo de esperança caia em face de interesses petrolíferos. Peço que todos se juntem a nós e tomem atitudes para defender o Parque para as futuras gerações”, declarou Rodrigue Katembo.

Leonardo Di Caprio se encantou com a causa 

Virunga é uma história narrada de forma tão emocionante que não deixa ninguém indiferente à trágica situação que enfrentam hoje os gorilas, os ambientalistas e a população da RDC – país que, inclusive, muita gente sequer sabe que existe. Na produção executiva do documentário, idealizado e dirigido por Orlando von Einsiedel (da Grain Media), tem as mãos de Leonardo Di Caprio. “Ficamos muito orgulhosos por esta nomeação ao Oscar. Esse filme conta a história de incríveis guardas que protegem o Parque Nacional de Virunga. O trabalho que eles fazem é verdadeiramente heróico e a indicação ao Oscar é um reconhecimento, uma saudação à sua bravura”, comentou o ator.

 (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

A destemida jornalista que gravou tudo

A jovem jornalista Melaine Gouby foi para a RDC disposta a fazer algo grande para a sua carreira, mas acabou fazendo algo muito grande para os congoleses, para os gorilas e até para o planeta. Ela conseguiu isso gravando entrevistas com câmera escondida. Falou com gerentes da SOCO e descobriu corrupção e claros propósitos de não se poupar a vida selvagem. Esse material inspirou o diretor do filme e foi levado para autoridades britânicas, internacionais e para inúmeras entidades preocupadas com o meio ambiente. Uma faísca que virou uma fogueira e tem, até agora, impedido o avanço da SOCO no Parque.

Porém, é necessário ressaltar que o futuro de Virunga ainda é muito questionável, até mesmo frágil, e a proposta do filme é manter a pressão para garantir que as reais intenções da empresa SOCO não sejam esquecidas. “Meu grande medo é que as pessoas sigam com suas vidas e nada seja feito a respeito disso tudo que há no filme”, disse Melaine. “O Parque pertence a todos, então minha esperança é que o documentário mostre ao mundo inteiro as ameaças que esse lugar enfrenta e que nos ajude a encontrar uma solução para melhor protegê-lo. Então, para mim, o documentário é uma fonte de esperança”, salientou Orlando.

Todos podem ajudar Virunga

Participantes do documentário Virunga na festa do Oscar (Foto: Divulgação)
Participantes do documentário Virunga na festa do Oscar (Foto: Divulgação)

Existe uma campanha para que as pessoas ajudem Virunga. É possível, por exemplo, fazer uma doação para os gorilas orfãos. Mas divulgar o filme (que só pode ser visto no NetFlix), compartilhar essa matéria, o que acontece na RDC e especialmenmte o risco de extinção que correm os gorilas das montanhas é também uma ajuda muito importante. Para saber como agir basta acessar:

http://virunga.org/donate/

http://virungamovie.com/takeaction

 (Foto: Divulgação)
Andre e Ndakasi (Foto: Divulgação)

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