TAM perde cão de passageiro e oferece outro no lugar


(da Redação)

Cadela Mel desapareceu durante transporte realizado pela TAM (Foto: Arquivo Pessoal)
Cadela Mel desapareceu durante transporte realizado pela TAM (Foto: Arquivo Pessoal)

Está se tornando cada vez maior o número de reclamações envolvendo transportes de animais pelas companhias aéreas brasileiras. Em janeiro deste ano a TAM perdeu a cadela Mel de uma tutora que usou o serviço da companhia saindo do Aeroporto de Guarulhos em São Paulo (SP) com destino a Salvador (BA).

Amanda dos Santos, estudante de administração, vivia com a cadela em Santo André (SP) e está revoltada: “Como um animal pode sair de dentro de um aeroporto internacional e não ser visto pela segurança, ou não terem visto nas câmeras? Ela não me respondeu. E se minha cachorra estiver dentro do aeroporto, a equipe não é capaz de encontrá-la dentro de 7 dias? Essas são perguntas que não foram respondidas pela empresa e nem pelo aeroporto”, diz Amanda.

A TAM, mesmo depois de ser responsabilizada pelo desaparecimento da cadela, insistiu com a cliente até o último momento do contrário, afirmando que a empresa não tem responsabilidade nenhuma pelo sumiço do animal e os responsáveis deveriam ser a administradora do aeroporto. A companhia aérea chegou a oferecer outra cadela no lugar a Amanda, como se a vida da Mel fosse uma mala ou qualquer outro objeto que pudesse ser substituído.

A cachorra viajava dentro de todas as normas exigidas pela companhia. A caixa transportadora cumpria com todos os requisitos de segurança e a tutora pagou por todas as taxas necessárias para o transporte do animal.

A tutora de Mel conta que até o momento a empresa negou vários dos seus pedidos para solucionar o caso e que definitivamente a TAM desrespeita os direitos dos consumidores e ainda pior, os direitos animais.

Os casos não param por aí

Anteriormente, outros casos envolvendo transporte de animais pelas companhias aéreas brasileiras mereceram destaques negativos. Em 2011 a Gol Linhas Aéreas foi negligente ao transportar o cão Santiago, que morreu vítima de parada cardiorrespiratória após ter ficado mais de 10 horas em um avião.

O esteticista de cães, Fábio Cesar dos Santos, tutor do cachorro da raça pug, perdeu seu cão durante um voo entre São Paulo e Vitória devido a um atraso no embarque.

A American Airlines, outra companhia aérea a oferecer o serviço de transporte para animais domésticos no Brasil também não ficou de fora. No Aeroporto Internacional de Cumbica, o gato do Biólogo Alexandre Zuntini desapareceu e o caso traumatizou a família.
“Se quiser ir pra fora do país, vai ter que ser de carro ou de navio. Alguma coisa que a gente possa levar ele com a gente”,  comentou o biólogo.

O site Reclame Aqui, plataforma gratuita para consulta e cadastro de empesas que desrespeitam os consumidores, soma centenas de casos envolvendo a irresponsabilidade do transporte dos animais, e a grande campeã de críticas é a TAM.

As reclamações são anônimas e um usuário de Recife (PE) que viajava para Belo Horizonte (MG), relata que pagou por um serviço especial para seus dois animais serem bem tratados durante o transporte e frequentarem ambientes climatizados durante o voo e as trocas de aeronaves, mas o que aconteceu foi que, na conexão em Brasília, os animais foram retirados do avião e colocadas na pista ao lado da aeronave. Estava chovendo e os animais ficaram embaixo de chuva até que as malas fossem retiradas. A tutora indignada chegou a gravar um vídeo do ocorrido.

As maiores reclamações são em relação à reserva dos animais quando o tutor compra a passagem. É necessário agendar com a companhia prestadora do serviço antecipadamente um voo compatível e pagar taxas adicionais. Algumas empresas tratam com total descaso a necessidade de alguns tutores precisarem viajar com seus animais e cancelam inesperadamente os agendamentos realizados.

Transporte de animais

Segundo a ANAC, a Agência Nacional de Aviação Civil, o transporte de animais vivos pode ser feito em aeronaves de transporte de passageiros, em compartimento destinado à carga e bagagem. Como o peso do animal não poderá ser incluído na franquia de bagagem do passageiro, um valor adicional é cobrado.

O transporte de animais domésticos (cães e gatos) na cabine de passageiros fica a critério da empresa. Caso seja aceito, o transporte deverá ser feito com segurança, em compartimento apropriado, sem causar desconforto aos passageiros. A agência pede para o usuário consultar a empresa aérea com antecedência.

É preciso apresentar atestado de sanidade do animal, fornecido pela Secretaria de Agricultura Estadual, Posto do Departamento de Defesa Animal ou por médico veterinário.

Nota da Redação: É vergonhoso e antes de tudo inadmissível o tratamento que os animais estão recebendo pelas companhias aéreas brasileiras. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) não pode permitir que as prestadoras deste serviço tratem com tamanho descaso esta situação. Constantemente casos como a perda de animais, mortes, calor excessivos, atrasos  e ambientes inapropriados são registrados em todo o Brasil. O atendimento é péssimo, a negligência é enorme e os tutores ficam sem saída quando precisam usar o transporte aéreo. É necessário que a ANAC de uma vez por todas regulamente o transporte de animais por avião no país, se omitir em relação a isto é ser conivente com o sofrimento a que os animais são submetidos e uma total desconsideração com os passageiros. Uma companhia oferecer outro animal para o cliente na esperança de resolver o problema é desanimador, além de ser um forte indicador do grave problema que estamos enfrentando. Alguns dirigentes simplesmente não conseguem entender que a vida de um animal para seu tutor é insubstituível. A formulação de uma regulamentação mais exigente para proteger os animais, que serão também passageiros, é urgente no país. Fiscalizações mais rígidas são necessárias. Não é possível que tenhamos que assistir mais casos bárbaros como este para que medidas de proteção à vida dos animais sejam atendidas.


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