#eusoucharlie

O atentado terrorista na França representa grande perda para os Direitos Animais

Por Alex Avancini (da Redação)

Charge: "Eu tenho um sonho", Autor: Charbonnier, Bernard (Tignous)
Charge: “Eu tenho um sonho”, Autor: Bernard (Tignous)

O mundo todo recebeu com grande tristeza as duras notícias vindas da França, quando no último 7 de janeiro atiradores invadiram a sede do jornal Charlie Hebdo em Paris, deixando 12 mortos, entre eles, os cartunistas John Cabut (Cabu), Stéphane Charbonnier (Charb), Bernard (Tignous) e Georges Wolinski, 4 grandes ativistas e colaboradores da causa animal.

Poucas horas depois da tragédia, o fundador, ativista e Capitão da ONG Sea Shepherd, Paul Watson, declarou nas redes sociais: “A perda da Charlie Hebdo é também um golpe para os direitos dos animais”, destacando os importantes trabalhos dedicados ao movimento animalista.

“Ainda na terça-feira, dia do ataque, Charlie Hebdo tinha contribuído com um de seus cartoons para a organização ativista L214 que faz campanha na França pelos direitos animais. Conhecendo o povo francês, eu duvido que eles agora irão deixar Charlie Hebdo morrer. A liberdade de expressão se tornará mais forte. A liberdade nunca deve submeter-se à tirania da intolerância religiosa fanática. Além de não existir nenhuma justificativa para este ataque violento, ele terá consequências muito negativas para os muçulmanos na França e na Europa. Esses assassinos são bandidos intolerantes simplesmente ignorantes que fizeram um desserviço para os muçulmanos franceses”, completa ainda o Capitão.

Ricamente ilustrado, o jornalismo de Charlie Hebdo se diferencia das outras publicações francesas precisamente pela sua forma de satirizar e fazer humor.

Desde a sua fundação na década 1970, o editorial se define como libertário e publica crônicas e relatórios sobre política, economia e a sociedade francesa, além de reportagens estrangeiras sobre a extrema-direita, o Catolicismo, Islamismo, Judaísmo, cultura e etc. Temas que atraíram a fúria do radicalismo religioso.

O atentado que chocou o mundo logo nos primeiros dias de 2015 levou além de seus colegas, Jean Cabut, um protetor dos animais e vegetariano. Entre os seus trabalhos estavam assuntos sobre causas de justiça social, incluindo a dificil situação que vivem os animais. É importante lembrar que o Charlie Hebdo é o único jornal francês que dedica uma coluna semanal para os direitos animais, abordando questões como as touradas e foie gras.

Na sua página oficial do facebook, a ONG Francesa Code Animal prestou homenagem aos jornalistas mortos escrevendo: “Pensamentos e apoio aos nossos amigos de Charlie Hebdo, que sempre nos apoiaram em nossas campanhas contra animais em cativeiro”. Poucos minutos depois ainda em agradecimento, a ONG posta um dos desenhos oferecidos pelo jornal, produzido por Charb onde um personagem Elefante diz em francês “Não somos palhaços”, uma denúncia que convida à reflexão sobre o confinamento animal pela espécie humana.

A organização ativista francesa L214 também postou um comunicado: “Acabamos de ouvir a terrível notícia do ataque que ocorreu nas instalações da Charlie Hebdo. Pelo menos 12 pessoas morreram, incluindo artistas como Wolinski, Charb, Tignous e Cabu que tinha feito de presente um desenho ao L214 ontem. Luce Lapin, uma jornalista e ativista pelos animais, colega dos cartunistas assassinados está em choque, mas sem ferimentos. Nós não temos palavras para expressar nossa consternação e tristeza. Nada pode justificar o ódio e os atos de tal violência, Charlie Hebdo é o único jornal francês que dedica uma de suas colunas a cada semana para os direitos dos animais.”

Sobre o trabalho da equipe é possível facilmente observar o posicionamento referente à liberdade dos animais. Vivissecção, touradas, cativeiro, testes em animais e o uso de peles são alguns dos mais abordados. Sua relação com os grupos locais é uma forte evidência disto, e mostra que mais do que desenhos, representa toda sua contribuição para o movimento animalista mundial.

Após o ataque, François Hollande, presidente da França, decretou a quinta-feira “dia de luto nacional” e renovou seu pedido de união ao país.

“Nossa melhor arma é nossa união. Nada pode nos dividir, nada deve nos separar”, declarou o chefe de Estado, durante discurso curto e solene à Nação, transmitido por emissoras de televisão.

É inaceitável a violência sofrida pelo jornal francês, a liberdade de opinião não se discute. As notícias que somos obrigados a assistir na França nesta semana é um sério ataque à liberdade de expressão e nós, equipe de jornalismo da Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA), prestamos toda a nossa solidariedade às doze pessoas mortas e as outras 11 que ficaram feridas na sede da publicação, onde homens armados realizaram o ataque, antes de fugir.

Aos colegas jornalistas oferecemos nossos sentimentos, neste momento gostaríamos dizer a todos que sim, certamente, #EuSouCharlie, #JeSuisCharlie !

Confira abaixo alguns trabalhos realizados pelos cartunistas assassinados:

 

66
Charge: Touradas – Autor: Stéphane (Charb)

 

44
Charge: Touradas – Autor: Bernard (Tignous)

 

33
Charge: Vivissecção – “Graças à ciência, eu vou mudar a cabeça deste camundongo.”
“Pare a vivissecção!” Autor: Georges Wolinski

 

22
Charge: foie gras – “Nos Estados Unidos, um debate sobre a CIA e tortura …”
“Aqui, na véspera de Ano Novo, será um debate sobre foie gras!” Autor: John Cabut (Cabu)

 

Charge: Touradas - Autor: Stéphane (Carb)
Charge: Touradas – “A tourada é uma arte”. Autor: Stéphane (Charb)

 

Charge: Experimentação - Autor: Stéphane (Carb)
Charge: Experimentação – “Bem-vindo ao planeta dos macacos!” “O quê !? Eu não estou mais no planeta dos idiotas ?! ” Autor: Stéphane (Charb)

 

Charge: Peles - Autor: Stéphane (Carb)
Charge: Peles – “Uso ético de casaco de pele – Estou usando Max Havelaar”. Autor: Stéphane (Charb)

 

Charge: Alimentação - Autor: Stéphane (Carb)
Charge: Alimentação – “Garganta barbaramente cortada, comido por idiotas.”
“Nós somos contra a rotulagem!”. Autor: Stéphane (Charb)

 

Charge: Cativeiro - Autor: Bernard (Tignous)
Charge: Cativeiro – “Pequeno e desmatado … o zoológico recriou meu habitat natural.” Autor: Bernard (Tignous)

 

Charge: Teste em Animais - Autor: Stéphane (Carb)
Charge: Teste em Animais – “Deveríamos testar nossos medicamentos em pombos – Sim, eles são os mais parecidos com nossos clientes”. Autor: Stéphane (Carb)

 

Charge: Circos - Autor: Stéphane (Carb)
Charge: Circos – “Não somos palhaços”.  Autor: Stéphane (Charb)

 

1 COMENTÁRIO

  1. PARABÉNS ANDA PELA EXCELENTE REPORTAGEM! VALE A PENA LEMBRAR QUE NOSSA “LIBERDADE” É TÃO PRECIOSA QUANTO A DOS ANIMAIS. LAMENTÁVEL QUE O SER HUMANO QUEIRA IMPOR NA BASE DO MEDO E DA VINGANÇA VALORES E CONCEITOS QUE PODERIAM MUITO BEM SER COMPARTILHADOS COM ENTENDIMENTO, INTELIGÊNCIA E AMIZADE!

  2. Mais do que nunca o planeta conhecerá agora a motivação desses mártires pela Causa Animal, procurando seguir seus nobres ideais de proteção e respeito aos mais fracos, procurando fazer o mesmo que eles fariam se não fossem impedidos, como a mais pura homenagem post mortem àqueles que morreram sem abdicar disso.

  3. Deus tendo relação anal com Jesus foi um dos cartuns e demonstra uma intolerância religiosa tremendamente agressiva. Charges de proteção aos animais não deveria isentar esses cartunistas do nosso repúdio

    • “Intolerância religiosa tremendamente agressiva” [sic]

      Agressiva contra quem, cara pálida? Deus? Acho que ele saberia se defender sozinho. Ou contra suas crenças? Mas quem disse que crenças devem ser respeitadas? Indivíduos devem ser respeitados. O direito à crença deve ser respeitado. Mas isso não significa que as crenças não possam ser questionadas. Além do mais, quando um sujeito, em seu discurso, classifica um desenho como algo “tremendamente agressivo”, mas faz vista grossa à assassinatos, significa que este tem um grave problema moral. Qual é mesmo a origem da sua moral?
      Ética ou religiosa?

      Tolerância religiosa não é o mesmo que aceitar a religião. O que eles fizeram, por mais grosseiro que possa parecer, foi uma crítica de idéias. Eles não impediram ninguém de acreditar no que quiser. Não propuseram leis discriminatórias, não atiraram em ninguém. Ou seja, não atacaram o direito de ninguém.

      Pode espernear o quanto quiser, ninguém é obrigado a venerar o que você venera. E se você tivesse confiança na existência de Deus, supremamente poderoso como lhe é inerente, não cometeria a estupidez de se ofender por ele, (ou ser conivente com fanáticos assassinos que agem em seu nome) pois ele deve saber se defender sozinho. A menos que ele exista apenas na tua imaginação, não é? Parece que isso explica seu repúdio…

      “Charges de proteção aos animais não deveria isentar esses cartunistas do nosso repúdio” [sic]

      Essas pessoas dedicavam seu trabalho por causas REAIS, e você as repudia apenas por contrariarem suas CRENÇAS, desconsiderando seu empenho em prol da justiça e o fato de terem sido covardemente assassinadas exatamente por contrariar crenças alheias…

      Nesses momentos que eu penso: Como é lindo o “amor cristão”…

      E tem mais: Tira esse “Nosso” daí. Fale por você. Apesar que eu entendo, que para alguém que quer falar por Deus, deve ser difícil falar apenas por si mesmo.

    • Nesse aspecto estou de acordo com você, Luís. Também não gosto dos cartoons a gozar com as religiões dos outros. Há muito por onde mexer, mesmo nas religiões: pedofília, extremismos, etc. Agora, o que aconteceu em Paris é verdadeiramente inadmissível.
      Gosto dos cartoons a defender os animais, disso gosto e muito.

  4. Pela defesa dos direitos dos animais, o Charlie Hebdo merece nota 1000! Por ter provocado, sistematicamente, extremistas islâmicos com seus cartuns, nota 0! Deu no que deu; é nisso que dá “cutucar a onça com a vara curta”. Muitos vão discordar e me xingar, mas é o que eu penso.

    • Concordo totalmente com vc Fernanda, para termos respeito devemos respeitar as diferenças, assim viveremos em paz…pois quem planta vento, colhe tempestade!

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