Faixa em portão pede para não envenenar cachorros em Campinas (SP)


O casal Josiane Bull e Emerson Schuede com seus cães e gatos, no bairro São Bernardo; na faixa bem-humorada, cães pedem perdão por latir
O casal Josiane Bull e Emerson Schuede com seus cães e gatos, no bairro São Bernardo; na faixa bem-humorada, cães pedem perdão por latir

Preocupado com a saúde dos seis “filhos caninos”, um casal de moradores do bairro São Bernardo, em Campinas, decidiu fazer um protesto silencioso, colocando uma faixa no portão da casa com um pedido para que os vizinhos não envenenem os animais. O texto está escrito em primeira pessoa, como se o autor fosse um cão que pede desculpas pelos latidos. A medida foi adotada após dois deles ingerirem soda cáustica provocando ferimentos graves na boca e no trato gastrointestinal. Segundo os tutores dos animais, o bairro tem vários casos de envenenamento e eles esperam com a medida sensibilizar a vizinhança e os envenenadores.

Além dos seis cães, a analista de vendas Josiane Bull, de 32 anos, e o analista de sistemas, Emerson Schuede, de 27 anos, cuidam de sete gatos e mais alguns apadrinhados. “Com exceção de dois, todos os demais a gente resgatou da rua e ficou. Tem adultos e filhotes que foram abandonados”, diz Josiane. Os animais, de tamanhos e raças diferentes, vivem no quintal da casa. Eles são dóceis, mas não deixam de fazer o que todo o cachorro normal faz: latir. Essa característica inerente aos animais, associada ao fato de estarem em grupo, teria sido responsável por despertar a fúria de algum vizinho em novembro passado.

“Dois deles foram envenenados por soda cáustica. Jogaram bolinho de carne com soda e eles comeram. Um deles teve ferimentos graves na boca e no trato gástrico. Gastamos bastante com veterinário e conseguimos salvá-lo”. O casal fez um Boletim de Ocorrência de envenenamento, mas afirma que “a polícia não deu bola, apesar de ser um crime”. Eles então decidiram fazer, poucos dias depois, um protesto silencioso e criativo, que despertou a solidariedade da vizinhança. “Fizemos a faixa, porque não sabíamos quem era. Alguns vizinhos se comoveram e vieram prestar solidariedade”, afirma Josiane.

A ação, entretanto, não comoveu os inimigos dos animais. “Um mês depois voltaram e abriram o meu portão, soltando todos os cães à noite. Corri atrás deles à noite e embaixo de chuva para trazê-los de volta. São meus filhos e vou atrás deles onde for preciso”. Josiane e Schuede, que vão se casar em fevereiro, são apaixonados por animais e afirmam que nem pretendem ter filhos para poderem cuidar melhor dos cães. “Para nós, os nossos animais são como filhos. Vivemos por eles. Deixamos de viajar para festas de final de ano, nos privamos de fazer muitas atividades para cuidar deles”, conta ela.

Josiane relata que os envenenamentos de animais são comuns no bairro e que dois vizinhos também tiveram os animais envenenados recentemente. “Aqui perto tem uma casa onde mataram quatro cães por envenenamento. Tenho uma outra vizinha que perdeu a conta dos animais mortos por envenenamento”, diz. O casal conta que é um crime rotineiro no bairro, mas antes não tinham pessoas para lutar contra. “Para mim é um crime tão hediondo quanto torturar uma criança, porque eles também são indefesos. A única forma que tem para reclamar é o latido”, diz Josiane.

Após a tentativa de envenenamento e de soltura dos cães, os tutores adotaram medidas como fechar as grades do portão com telas e também mudaram os hábitos, evitando, sempre que possível deixar os animais sozinhos. “Eles costumam latir quando o lixeiro passa de madrugada e quanto se aproximam do portão. Quando estamos em casa, eles ficam tranquilos, mas se é o barulho que incomoda, não precisam fazer isso. A gente vai tentar acalmá-los”, afirma Emerson.

Fonte: Correio Popular


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