Rússia organiza censo de ursos polares no Ártico


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Pela primeira vez em dez anos, no Ártico Russo será realizado o censo de ursos polares. A contagem, que será realizada em conjunto com pesquisadores noruegueses, está planejada para agosto de 2015. Os resultados, na opinião dos especialistas, poderão ser decepcionantes.

Os especialistas realizaram o último censo em 2004. Eles contaram os ursos polares a partir de helicóptero na Nova Zembla, na Terra de Francisco José e nas ilhas entre a Chukotka e o Alasca. Nessa altura a população era de 3000 exemplares. Contudo, desde então a situação na região sofreu grandes alterações devido ao aquecimento global.

Os gelos derretem e é precisamente no gelo que o urso caça sua presa principal – a foca. Ele se tornou o símbolo do Ártico precisamente por ser o único mamífero terrestre que é capaz de viver sobre os gelos. Agora a “terra” está literalmente fugindo-lhe debaixo das patas, deixando-o não só sem casa, como também sem almoço – as focas migram para outros lugares e as presas maiores, as morsas, são demasiado grandes para os ursos, explicou a vice-diretora científica do parque nacional Ártico russo Maria Gavrilo:

“A morsa é mais difícil de caçar porque um espécime adulto é bastante grande. Eles estão em categorias de peso incompatíveis. Mas no leste do seu habitat, na península da Chukotka e na ilha de Wrangel, os ursos se sentem bem e podem se manter caçando morsas – animais doentes ou crias. Isso é um bom suplemento alimentar quando comparado com algas e aves.”

Na Terra de Francisco José os ursos conseguem obter alimento de carcaças de baleias polares que por vezes encalham na costa. No norte da Nova Zembla, segundo a especialista, a situação é ao contrário muito penosa – os ursos aí passam fome e são obrigados a migrar atrás das focas para outros territórios. Os cientistas, porém, não se apressam a fazer prognósticos categóricos sobre o número de ursos até obterem dados do censo, continua Maria Gavrilo:

“Eles serão contados nos sítios onde se concentra a população do mar de Barents, que habita um território muito grande. Pelos vistos, as regiões ocidentais apresentam condições mais difíceis para o urso, no leste podem se ter conservado melhores condições para essa população. Ela pode se ter redistribuído. Por isso eu não quero fazer previsões sem ter bases para isso.”

No total, no Ártico é habitual distinguir 19 populações de ursos polares. De acordo com a especialista, nas diferentes partes do habitat as alterações no número de animais também serão diferentes. Para se falar de uma tendência global, temos de esclarecer as particularidades regionais de cada um desses grupos árticos. “As contagens de ursos serão realizadas de acordo com um algoritmo matemático complexo e está excluída a probabilidade de existirem grandes margens de erro dos números”, disse a vice-diretora do parque nacional Ártico russo.

Segundo dados do serviço de geologia dos EUA e do Ministério do Ambiente do Canadá, no território desses países a população desse símbolo do Ártico se reduziu de 1,6 mil para 900 exemplares: quase para metade em uma década. Os especialistas supõem que esses predadores têm alimento insuficiente. Parece que para proteger esse animal ameaçado não bastam as medidas tomadas pela comunidade internacional. Em 1973, os países do Ártico assinaram o Acordo para a Conservação dos Ursos Polares. Na Rússia a sua caça generalizada é proibida desde 1938 e desde 2011 também o é para os povos nativos do Norte. Mas os receios se mantêm: segundo alguns prognósticos, dentro de quarenta anos dois terços de todos os ursos polares terão desaparecido.

Fonte: Voz da Rússia


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