Moradores domesticam jacarés em Paulista (PE)


 Foto: Ivan Melo/Esp. DP/D.A Press
Foto: Ivan Melo/Esp. DP/D.A Press

A Rua Catolé Novo, no bairro de Arthur Lundgren II, em Paulista, virou cenário de uma inusitada convivência entre animais selvagens e seres humanos. Jacarés que vivem no Rio Paratibe foram “adotados” pela comunidade e, de tão queridos, ganharam nomes e são tratados como animais domésticos pelos moradores. Mas essa relação aparentemente inofensiva oferece riscos para répteis e humanos.

Os jacarés, da espécie papo-amarelo, começaram a aparecer na comunidade há pouco mais de dois anos, segundo a dona de casa Ana Maria de Santos, 60. Desde então, todas as tardes a senhora oferece carne aos animais. Foi ela quem batizou dois deles, Nego e Chico. “Quando chamo, eles atendem”, garante. A reportagem acompanhou um desses momentos. Ao ouvir a voz de Ana, Nego apareceu boiando sobre o rio.

Às margens da PE 15, os répteis parecem adaptados à rotina urbana. Tomam banho de sol, dividem terreno com cachorros, gatos e crianças da comunidade. O convívio é facilitado pela proximidade do rio com a praça onde os moradores se reúnem. Segundo o professor Sérgio Alves, 40, que mora na área há 18 anos, cerca de dez animais de tamanhos diversos – o maior deles com dois metros – vivem naquele trecho do rio.

Até quem não é da comunidade faz questão de cuidar dos animais. Severino Lopes, 48, mora no Centro, mas vai todos os dias ao Matadouro de Paulista, localizado próximo à comunidade, em busca de carcaças para vender na feira. Na volta, faz uma parada para alimentar os jacarés com bofe de boi, vísceras de galinhas ou carne. “Só tenho um pouco de receio dos menores, porque são mais rápidos e já me deram um bote”, diz.

Apesar da aparente harmonia, a relação deveria ser motivo de preocupação, afirma a professora do departamento de biologia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Jozelia Correia. “Eles foram condicionados pelos moradores”, disse ela. “Associam o chamado ao momento de serem alimentados. Apesar da boa vontade, esse tipo de ação não está beneficiando os animais”, declarou.

Segundo a professora, a interferência humana faz com que o jacaré deixe de exercer sua função no ambiente. “Ele tem um papel importante no controle de outras populações. Quando são alimentados, deixam de caçar.”. Ela lembra que os acidentes podem ser fatais, e o fato de os répteis serem alimentados não anula as chances de ataques. Basta que se sintam ameaçados”, explica.

Os moradores planejam construir um muro para impedir a passagem dos jacarés, mas acreditam que, como estão sempre alimentados, eles não oferecem perigo.

“Nunca acionamos o poder público porque não queremos que saiam daqui”, disse Sérgio Alves. Ele acredita ser possível a convivência entre humanos e jacarés sem que haja danos para nenhum dos lados. A única maneira disso acontecer, afirma a professora da UFRPE, é deixando que o animal exerça sua função na natureza.

Fonte: Diário de Pernambuco


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