Câmeras mostrando animais morrendo sem ajuda revoltam espectadores


(da Redação)

Webcam mostra águia alimentando filhote. Espectadores viram outra águia morrer no mesmo ninho no mês passado. Foto: Associated Press
Webcam mostra águia alimentando filhote. Espectadores viram outra águia morrer no mesmo ninho no mês passado (Foto: Associated Press)

Operadores de câmeras (webcam) que monitoram vida selvagem ao redor do planeta estão enfrentando um problema: os espectadores não querem ver nenhum dano às criaturas que eles aprenderam a amar. As informações são do Huffington Post.

Eles receberam protestos no final do mês passado em Minnesota (EUA), por não terem ajudado a resgatar um filhote de águia que estava com a asa quebrada, na costa do Maine. A ave faleceu após os especialistas em vida selvagem terem decidido que a natureza devia seguir o seu curso, o que provocou a indignação de espectadores de todo o país.

Tais reações são compreensíveis, mas equivocadas, segundo os especialistas.

“As câmeras em ninhos são mais um espelho para refletir o que está acontecendo em ninhos de águias. Não são para serem usadas como monitores de bebês para intervenção quando se vê algo que nos deixa triste, enquanto humanos”, disse Erynn Call, especialista em aves de rapina do estado do Maine.

A empatia com os animais é desencadeada, especialmente a situação de uma única criatura em oposição a um grande grupo que está sofrendo, declarou Nicholas Epley, professor de ciência comportamental da Universidade de Chicago.

No entanto, os especialistas são relutantes em se deixar envolver.

“A orientação geral é não intervir”, disse Patrick Keenan do Instituto de Pesquisa em Biodiversidade de Maine. “Eles são animais selvagens. Não são animais de ‘estimação’ (sic)”.

Ao todo, há centenas de câmeras colocadas para monitorar a vida selvagem, mostrando desde ursos polares até falcões peregrinos e aves raras chamadas puffins. Os espectadores vêem coisas notáveis, como ursos apanhando salmão e águias eclodindo de ovos.

Mas nem sempre as cenas são agradáveis.

Há dois verões atrás, as câmeras mostraram “Petey”, filhote de ave puffin, morrer de fome em uma ilha de Maine porque o único peixe disponível era muito grande para o seu bico. Espectadores imploraram nesta primavera para que alguém fizesse algo por uma ave de rapina (osprey) que sofria de uma doença que lhe causava um sangramento debaixo dos seus olhos.

“Todos os anos, nós mostramos ursos polares passando fome enquanto esperam pelo gelo se formar. Pessoas dizem, ‘Alimentem os ursos!’. Não, nós não vamos alimentar os ursos”, contou Jason Damata da explore.org, que tem aproximadamente cinquenta webcams operando na observação da vida selvagem.

Espectadores de uma câmera patrocinada pelo Instituto de Pesquisa em Biodiversidade pediram que os especialistas fizessem alguma coisa quando pareceu que os pais tinham abandonado um par de águias no condado de Hancock.

Os que assistiram uma das duas águias morrer no mês passado testemunharam o que está acontecendo em muitos dos mais de 600 ninhos de águias ao redor de Maine, disse Call, que trabalha para o Departamento de Pesca e Vida Selvagem. Em geral, é um sucesso quando uma das duas águias sobrevive para deixar o ninho, disse ela.

Segundo a reportagem, algumas vezes a pressão para intervir é muito grande. Em um caso recente de Minnesota, oficiais da vida selvagem foram pressionados a tentar salvar um filhote de águia que estava com uma asa quebrada. No finaI, o animal teve de ter sua morte induzida.

Portia Reid, de Dallas, que assistiu a um ninho de águias em Maine por três estações, disse que ela teria enviado alguém para subir na árvore e salvar uma águia sobrevivente da inanição, se os seus pais não tivessem retornado para o ninho.

“Quando você convida humanos para participar, esteja preparado para emoções humanas. A grande maioria dos espectadores de pássaros aceita a política de não intervenção. Contudo, há casos em que a intervenção é necessária”, diz ela.


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