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Exposição de museu lembra os cem anos de extinção do pombo-passageiro

25 de junho de 2014
5 min. de leitura
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Por Patricia Tai (da Redação)

Esta foto de 1896 mostra um pombo-passageiro cativo, em seu ninho. Foto: Wikimedia Commons
Esta foto de 1896 mostra um pombo-passageiro cativo, em seu ninho. Foto: Wikimedia Commons

O pombo-passageiro já foi a espécie de ave supostamente mais abundante sobre a Terra. Essas aves povoaram a América do Norte durante o século XIX, com bandos ostentando milhões de pássaros que levavam horas para passar pelo céu e formavam quilômetros de extensão.

 No dia 1 de Setembro de 1914, há cem anos, o último pombo-passageiro vivo que se chamava Martha faleceu no Zoológico de Cincinnati, causando comoção no público e surpreendendo a comunidade científica que passou a buscar entender como um animal tão abundante pudesse desaparecer tão rápido. O legado do pássaro tem ajudado a estabelecer a legislação moderna de preservação, como a Lei de Espécies Ameaçadas, e a espécie agora permanece entre o topo da lista de candidatos para “desextinção”, nome dado ao polêmico esforço científico para trazer espécies extintas de volta à vida. As informações são da Mother Nature Network.
Primos dos pombos que vivem nas cidades atualmente, os pombos-passageiros foram impiedosa e amplamente caçados para alimentação humana e por suas penas durante todo o século XIX. Caçadores de pombos lançavam redes e capturavam centenas, às vezes milhares de pombos de uma só vez, quando os bandos migravam de áreas de reprodução no centro-oeste e nordeste dos Estados Unidos até os estados do sul, durante o inverno.

“Devido ao tamanho dos bandos de aves, os caçadores podem não ter percebido que poderiam causar impacto à população”, disse Janis Sacco, diretora de exposições do Museu de Ciência e Cultura de Harvard, que ajudou a coordenar uma exposição em lembrança do centenário da extinção do pássaro no Museu de História Natural de Harvard.

A exposição chama-se “Final Flight: The Extinction of the Passenger Pigeon”. Não é sem razão que a mostra traz o nome de “O último vôo”, expressão que não se pode deixar de ler com muita tristeza .

O museu rememora a história da ave quando seus bandos enchiam os céus da América do Norte, e relata a sua extinção. Um painel da exposição traz a mensagem: “O pombo era uma tempestade biológica…Anualmente, a tempestade de penas vibrava para cima e para baixo, em todo o continente…uma explosão viajante de vida”, do escritor e ambientalista Aldo Leopold.

Exposição "Final Flight", relembrando cem anos de extinção da ave. Foto: Museu de História Natural de Harvard
Exposição “Final Flight”, relembrando cem anos de extinção da ave. Foto: Museu de História Natural de Harvard
“A tendência de acúmulo em imensos bandos trouxe a ilusão de que eles eram infinitamente abundantes”, explica Janis ao Live Science.
Diferente de outras aves de colônia que formam numerosos bandos, os pombos-passageiros formavam somente um pequeno número de imensos bandos.
“Eles eram muito únicos, comparados a qualquer pássaro que nós vemos hoje”, conta Kevin Johnson, ornitologista da Universidade de Illinois, ao Live Science. “Não há realmente nada equivalente ao pombo-passageiro”.

Os caçadores podem não ter se dado conta de que os bandos que eles dizimavam estavam entre os poucos bandos existentes pelo continente.

No meio dos anos 1800, rodovias ajudaram a levar os caçadores ainda mais perto dos territórios de reprodução das aves, no norte do país. Entre 1850 e 1870, lacunas na população tornaram-se visíveis e causaram preocupação, mas a caça continuou, segundo conta Johnson.
 
Caminho para a extinção                                                                                                    

Corpo de pombo-passageiro taxidermizado. A ave dizimada pelos humanos tornou-se peça de museu. Foto: Mother Nature Network
Corpo de pombo-passageiro taxidermizado. A ave dizimada pelos humanos tornou-se peça de museu. Foto: Mother Nature Network

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os pássaros dependem primariamente de seus números para lutar contra predadores naturais, e nunca desenvolvem quaisquer defesas mais sofisticadas.

Então, conforme os humanos destruíram ninhos e mataram milhares desses pássaros ano após ano, a forma primária de defesa dos pombos-passageiros enfraqueceu, e eles tornaram-se mais expostos a outros tipos de ofensores, esgotando-se assim a sua população até que se tornaram extintos, disse Johnson.

Ele lembra que os americanos tinham conhecimento de extinções anteriores induzidas por humanos, tais como a do pássaro dodo no século XVII, mas nenhuma nesta escala. Pode-se afirmar, de acordo com o cientista, que o fim do pombo-passageiro repercutiu no país de tal forma que ajudou a acender o movimento moderno de preservação.

“Pela primeira vez, tomou-se a consciência de que mesmo um pássaro super abundante como o pombo-passageiro teve sua extinção promovida pelas pessoas”, explica John, que acredita que o fato ajudou a elevar a conscientização pública de que humanos podem causar a extinção de animais em uma escala nunca antes vista.

O legado vive

Após a morte de Martha, foi estabelecido em 1918 o Ato para o tratado de aves migratórias (“Migratory Bird Treaty Act”), para proteger bandos de certas espécies  migratórias de caçadores “sem permissão”. Esse foi o primeiro de uma série de movimentos legais para proteger animais de ações humanas, que posteriormente levaram ao estabelecimento da Lei de Espécies Ameaçadas, em 1973.

Atualmente, diversos grupos de pesquisadores em todo o território americano estão trabalhando sobre o material de DNA retirado de patas de indivíduos da espécie para tentar trazer de volta o pombo-passageiro.

Segundo Ross MacPhee, zoologista do Museu Americano de História Natural, afirma que a pesquisa genética avançou significativamente nos últimos anos, e pode ser que os cientistas consigam o feito. No entanto, de acordo com o pesquisador, até que ponto esses animais, se recriados, deverão conseguir realizar novamente os espetáculos massivos de seus bandos no céu, é uma questão que permanece sem resposta.

 

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