Avistadas em 20 ocasiões, baleias-de-bryde encantam litoral carioca


Foto: Liliane Lodi e Bia Hetzel / Projeto Ilhas do Rio
Foto: Liliane Lodi e Bia Hetzel / Projeto Ilhas do Rio

Elas passam o ano inteiro nas regiões tropicais, se alimentando de pequenos peixes e crustáceos, mas nunca estiveram tão próximas dos cariocas. Atraídas por cardumes que chegam ao litoral a reboque da ressurgência, um fenômeno que trouxe massas de águas frias, ricas em nutrientes, as baleias-de-bryde (Balaenoptera brydei) viraram a sensação do verão e ainda devem ser avistadas próximas a praias como Urca, Copacabana e Ipanema neste outono. Desde janeiro, pesquisadores do Projeto Ilhas do Rio, programa patrocinado pela Petrobras Ambiental, já avistaram 20 ocorrências do mamífero no litoral.

Cosmopolitas, rápidas e discretas — raramente fazem malabarismos para fora da água —, as brydes já são um sucesso na Tailândia e na Austrália, onde há turismo específico para avistá-las. Agora, atraem os olhares tupiniquins e encantam pesquisadores. A bióloga Liliane Lodi, chefe da equipe responsável pelo monitoramento e levantamento de cetáceos do Projeto Ilhas do Rio, se surpreendeu com as visitas praticamente semanais das baleias em território carioca.

” Em janeiro, nossa equipe avistou indivíduos na costa do Rio semanalmente. Na semana passada, encontramos uma mãe e filhote na entrada da Baía de Guanabara. Eles foram vistos nos dias 14, 17, 18 e 19 de março. O filhote, de 4 metros, é um carioca genuíno. Como são animais vulneráveis, pedimos cuidados aos pilotos de embarcações. São como recém-nascidos”, compara a bióloga.

Caracterizadas por possuírem três quilhas no topo da cabeça e pelo corpo fino, que permite um nado ágil, as Balaenoptera brydei não são mamíferos migratórios. Enquanto a baleia jubarte percorre até dez mil quilômetros anualmente, por exemplo, a bryde prefere evitar longos deslocamentos. Chega a 15 metros de comprimento e tem um hábito curioso: o jeito desregrado, irregular, de nadar.

“A jubarte é previsível: traça uma reta e se desloca de forma retilínea. A bryde, não. Do nada, ela muda a direção em 90 graus”,  diz o pesquisador Salvatore Siciliano, da Escola Nacional da Saúde Pública (ENSP) da Fiocruz, e coordenador do Grupo de Estudos de Mamíferos Marinhos da Região dos Lagos. — É um animal ainda pouco conhecido pelos biólogos. Sabemos que são atraídas por águas ricas em peixes e crustáceos. E que é a única das grandes baleias que não faz longas migrações. Não temos, porém, a mais vaga noção da quantidade populacional.

Fonte: Globo


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