Psicóloga explica como carnismo atua no cotidiano


Por Helena Barradas Sá (da Redação)

Melanie Joy, psicóloga norte-americana, acredita que o consumo de carne se pauta na cultura equivocada de que isso é “natural, normal e necessário” (3 N’s) e se pergunta que diferença existe entre comer um animal considerado de estimação e outro de uma granja, por exemplo. A resposta a essa pergunta pode ser encontrada em seu livro “Por qué amamos a los perros, nos comemos a los cerdos y nos vestimos con las vacas” (Por que amamos cachorros, comemos porcos e usamos pele de vacas – tradução livre), traduzido para nove idiomas e apresentado em um restaurante vegetariano. As informações são do El Correo.

Foto: El Correo
Foto: El Correo

O termo “carnismo” consiste no sistema de crenças que condiciona o homem a comer determinados animais, explicou Joy, amparada pela opinião de Javier Moreno, co-fundador da ONG Igualdade Animal, à qual será destinada a arrecadação da venda do livro. De acordo com Melanie, depois de “lenta” evolução pessoal, atualmente, a visão de um hambúrguer produz nela a mesma sensação de ver um bife de cachorro, e tomar um copo de leite de vaca é o mesmo que ter de beber leite de porco.

Tudo começou com uma experiência pessoal. A psicóloga precisou ser internada depois de consumir um hambúrguer estragado, foi então que decidiu abandonar a carne, ainda sem considerar o lado ético. Mais tarde, percebeu que participava de “um sistema que cometia atrocidades globais”, cujos valores eram contrários aos seus. Assim, enfocou este tema em sua tese de doutorado. Para tanto, entrevistou médicos, vegetarianos, cientistas, membros da indústria do setor… Descobriu que havia um ponto em comum entre eles: uma separação entre os animais que amavam e os animais que comiam. Ela percebeu que eles não estabeleciam uma conexão entre os fatos.

Por causa disso, resolveu dar mais notoriedade a “esse sistema invisível”, que bloqueia os pensamentos e sentimentos do ser humano e distorce o verdadeiro significado de animais. “Comer animais não é uma decisão individual, mas o resultado de um sistema opressivo. A pergunta que precisamos fazer não é por que não devemos comer animais, e sim por que os comemos”.

A resposta a essa pergunta está nos 3 N’s: normal, natural e necessário, acrescentando-se a isso o “mito” da necessidade de ingerir proteínas animais. Segundo Joy, essa mentalidade (relacionada à ingestão de proteínas animais) já tem mudado em países como Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido.

Durante os últimos anos, os Estados Unidos reduziram seu consumo de carne e, cada vez mais, surge um número maior de pessoas que substituem a proteína animal pela vegetal, com suporte médico e científico, explica. De fato, “um dos animais mais fortes do planeta, o elefante, não é carnívoro”. Ainda que esse mito permaneça, Melanie Joy assegurou que há um número maior de estudos que advogam em prol do uso da proteína vegetal, livre de problemas como o colesterol ou gorduras saturadas.

A solução, de acordo com a psicóloga, se dará individualmente, não comendo ou reduzindo a quantidade de carne na dieta. Cada um, “por ser testemunha dessa realidade, não deve silenciá-la”. Em sua opinião, muitos cidadãos têm de fazer verdadeiras “acrobacias mentais para continuar comendo animais”.

Melanie Joy é vegana: primeiro deixou a carne e os ovos, em seguida os lácteos e, depois, os produtos de vestuário com origem animal. Para ela, não é admissível o consumo de carne procedente de animais que viveram em liberdade e em boas condições; isso é ainda mais cruel, porque são seres que experimentaram a felicidade na vida e para quem seria ideal continuar assim.

“Se não nos sentimos à vontade matando um cachorro para comer, por que não vemos problema para matar um porco ou vaca com o objetivo de desfrutar de seu sabor?”, conclui.


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