Campanha alerta contra os maus-tratos a animais


(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Sensibilizadas ao ver animais sendo vítimas de maus-tratos e abandono, um grupo de amigas se uniu para promover ações em defesa dos animais na cidade do Crato. Criada em 30 de maio de 2009, a Associação de Proteção à Vida (Aprov), busca, através de palestras em escolas e faculdades, conscientizar as pessoas sobre a importância da proteção, controle de natalidade e zoonoses em animais. Em quatros anos de trabalho, o grupo conseguiu encaminhar mais de 800 animais vítimas de maus- tratos e abandono para adoção.

Uma comerciante, que prefere não se identificar, já cuida de 100 gatos e três cachorros com o apoio de familiares. Ela diz que presencia, nas ruas da cidade, o problema frequente de bichos que são jogados nas vias.

De acordo com Antônia Ferreira Lima, presidente da Aprov, muitos são os casos que resultam em abandono e maus-tratos. “Muitas pessoas agem por impulso na hora de comprar um cão ou gato. Elas não levam em conta que esses animais vivem, em média, 12 anos, que é necessário vacinar, levar ao veterinário regularmente, que eles precisam de amor e carinho. Cansados dos animais, muitas pessoas deixam seus animais presos a correntes, maltratam e abandonam em estradas, mercados e igrejas. O animal, ao contrário do ser humano, não sabe falar e muitas vezes sofre calado”, relata Antônia.

Diariamente, é possível presenciar, nos grandes centros urbanos, atos de crueldade contra seres vulneráveis que não têm a quem recorrer. Para tentar inibir essa ação, a Aprov lançou a campanha educativa “Movimento crueldade nunca mais”, que, através de folhetos distribuídos em palestras e em semáforos, apresenta à população exemplos de situações que podem ser caracterizadas como maus-tratos e de que forma a sociedade deve proceder perante situações como essas.

Praticar maus-tratos contra os animais é crime previsto no artigo 3º do Decreto Federal 24.645/34 e no artigo 32º da lei de crimes ambientais 9.605/98. Quem maltrata ou abandona um animal, pode ser condenado a multa e detenção, de três meses a um ano.

Quem presenciar cenas de maus-tratos ou abandono pode denunciar na delegacia mais próxima. A Aprov orienta a pessoa que presenciou o fato a encaminhar uma testemunha para registrar um boletim de ocorrência. “Além da testemunha, é interessante levar o maior número de provas possível, fotos, laudo veterinário. É interessante também pedir sigilo quanto à identificação do denunciante”, pontua Antônia.

Para tentar atender uma pequena parcela desses animais, a associação sem fins lucrativos, atualmente, dispõe de um lar temporário, para que animais capturados em situação de risco possam ser atendidos e aguardarem adoção. Os animais que chegam até a instituição recebem todo atendimento veterinário e são entregues para adoção histerectomizados e vermifugados.

Mas, segundo Antônia, o espaço não tem mais condições de receber animais, pois já encontra-se com a capacidade máxima. “O lar é rotativo. É preciso que pessoas adotem os animais que receberam tratamento para que tenhamos condições de atender animais em situação de risco. A demanda é muito grande e não temos condições de arcar com uma responsabilidade que é dever do estado”, diz ela. Segundo a presidente, falta bom senso da população, que simplesmente acha que a associação é obrigada a atender todos os animais abandonados ou em situação de risco.

“As pessoas precisam entender que nós não somos um depósito de animais. O trabalho da Aprov é de conscientização, de educação e não de recolhimento de animais. As pessoas, por saberem do nosso amor pelos animais, acabam se aproveitando e jogando nas nossas costas uma responsabilidade que deveria ser delas”, desabafa Antônia.

Para adotar um cão ou gato é necessário que o interessado entre em contato com o grupo, munido de documentos de identificação. Após uma conversa com o interessado o grupo decide se dará ou não a guarda do animal ao possível adotante. Se concedida a tutela, o adotante assina um termo de responsabilidade e se compromete a receber a visita da instituição para comprovar que o animal está sendo bem tratado. Para tentar arcar com as despesas, o grupo tem arrecadado doações com amigos e simpatizantes para realizar bazares. O evento acontece uma vez por mês, por trás da praça da Prefeitura do Crato.

Quem se interessou pelo trabalho desenvolvido pelo grupo e deseja contribuir, pode ajudar doando objetos de higiene animal, ração ou se tornar um associado, contribuindo mensalmente com a instituição.

Uma cadela e seus filhotes podem gerar em 6 anos até 73 mil cães. Uma gata e seus filhotes no mesmo período podem gerar até 240 mil gatos. Com isto, os protetores de animais recomendam procurar um veterinário, para castração do animal. É bom evitar crias indesejáveis e futuros abandonos.

Como é alto o índice de animais abandonados, além de associações, muitas pessoas têm trabalhado em prol da proteção animal. Uma comerciante que prefere não se identificar conta que há mais de 20 anos tem procurado, através de conversas com familiares e amigos, conscientizar sobre a importância do controle de natalidade e sobre a forma adequada de cuidar dos animais. Hoje, ela cuida de 100 gatos e três cachorros que foram abandonados e vítimas de maus-tratos. “Quando eu passo na rua que vejo um animal sofrendo fico muito triste porque sei que ele terá vida curta e de muito sofrimento. Muitos animais passando fome, sede, frio, sendo vítimas de atropelamento, mutilações. É muito triste”, diz a comerciante. Para cuidar de tantos animais, ela conta com a ajuda dos familiares. “Meus filhos e meu marido ajudam quando podem. Três vezes ao dia tenho que limpar o local onde os animais ficam e alimentá-los. A rotina é cansativa, mas faço tudo com muito amor”, relata.

Sobre o fato de não querer se identificar, a comerciante explica que a decisão se deve ao fato de muitas pessoas, ao saberem do seu amor pelos animais, acabarem deixando em sua casa animais para que ela possa cuidar. “Já tutelo muitos animais, preciso levar ao veterinário, comprar ração e cuidar deles da forma mais adequada. Não tenho condições de adotar mais animais. Infelizmente, algumas pessoas acham que abandonando ou deixando na minha porta estão fazendo muita coisa. Na verdade, essas pessoas sem responsabilidade só acabam jogando nas costas dos outros uma responsabilidade que deveria ser delas”, conclui a protetora.

Mais informações

Associação de Proteção à Vida
(Aprov) – grupo de voluntários do Crato que atuam na defesa dos animais www.souprotetor.blogspot.com

Fonte: Diário do Nordeste


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