Em resposta ao crítico da Folha, autor defende que dieta vegana é perfumada e saborosa


Os vegetarianos estão bem acompanhados. Contam entre seus pares com Sócrates, Darwin, Newton, Pitágoras, Rousseau, além de Voltaire, Ovídio, Albert Einstein, Leonardo da Vinci e multidões de famosos e anônimos pelo mundo afora e história adentro. É um elenco e tanto.

Mas isso parece nada significar diante das perguntas definitivas dos defensores da carne como item obrigatório do cardápio: “E as minhas proteínas? Vão me fazer falta, não vão? Como substituir?”. Com efeito!

Não há para os humanos necessidade de ingerir proteínas de origem animal em qualquer fase da vida, explica-nos o dr. Eric Slywitch, nutrólogo especializado em alimentação vegana. E vai além: todos os aminoácidos essenciais estão presentes nas proteínas vegetais e faz já um quarto de século que o erro de afirmar ser a carne necessária como provedora de proteína foi derrubado. O mesmo vale para leite e ovos.

Assim, causa espanto ler, na reportagem de Josimar Melo, explicação de nutricionista afirmando que “tirando os produtos animais da dieta normal causamos uma carência de nutrientes fundamentais: proteína, cálcio e vitamina B12, além de ferro e vitamina D”, na contramão do conhecimento científico mais comezinho -o de que é saudável a dieta vegana- e induzindo o crítico da Folha a erros, coisa grave por se tratar de formador de opinião com espaço certo na mídia.

Melo também escreveu que não se animou a transformar sua cozinha em farmácia, nem suas receitas culinárias em receitas médicas. Está certo ele, que eu também não gosto de “pharmácia”. Gosto de comida boa, perfumada, saborosa, colorida e requintada: sou vegano.

Desnutrido, eu?

Desnutrição eu não conheço, embora há dez anos não participe da matança nem me preocupe com substitutivos. Só faltava! Não tive que substituir nada, mas somente retirar a carne do cardápio -vale dizer, carne, ovos, laticínios. Qualquer pessoa que se alimente com o número mínimo de calorias diversificadas necessárias a sua sobrevivência terá a contrapartida das tão famosas proteínas.

Quem já ouviu falar em pessoa com carência de proteínas? Retiro as minhas dos feijões que como, das lentilhas, até do arroz (sim!). Ferro? Verduras escuras e feijão. B12? Vamos aos orgânicos. Vitamina D? É de rir largado! Precisa mais do que o Sol?

Forçoso dizer: depois que o vegetarianismo é alcançado, começa uma exigência maior em relação aos alimentos: foge-se dos agrotóxicos, dos transgênicos, dos alimentos cujo cultivo ameaça o equilíbrio planetário, dos ingredientes que não têm a chancela do ecologicamente correto, e adquirem-se hábitos saudáveis, experimentam-se sabores e texturas antes nem suspeitados, buscam-se alimentos nutritivos.

É raro o veganismo desinformado, até porque temos razões diversas, nem sempre conjuntas, para nos afastarmos do consumo de animais mortos como se fossem comida: são razões de gosto, de saúde, de compaixão.

Deixemos de trela: ninguém precisa, aliás nem deve, entupir-se de soja para repor ou suplementar pedaços de cadáveres e derivados da crueldade para com os animais. Soja é apenas um grão nutritivo versátil, presta-se a preparações culinárias saborosas, consome quem quer e é oferecida por essas qualidades e por sua textura.

Em uma coisa, porém, Melo acertou: comer fora de casa vira um problema.

É difícil encontrar um chef qualificado para oferecer azeite extravirgem delicado como um toque mediterrâneo de apurado gosto em vez da famigerada manteiga, colesterol puro, talvez preferível em cápsulas ou injetável, como uma droga qualquer.

Qual a dieta que faz mal à saúde? Na dúvida, exames de sangue: taxas de colesterol, triglicérides… Por falar nisso, como andam suas taxas?

Entenda o caso

Na reportagem de capa do “Comida” da semana passada, o crítico da Folha Josimar Melo relatou a experiência de ter passado uma semana sem comer alimentos de origem animal e disse que não se animou em transformar sua cozinha “numa farmácia”, nem suas “receitas culinárias em receitas médicas”. Leitores veganos reclamaram.

Roberto Juliano é professor de literatura, crítico de arte e autor do livro “O Dilema do Vegano” (ed. Tapioca)

Fonte: Folha de São Paulo


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